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Estado de Minas PANDEMIA

Com bares fechados, setor da cachaça registra queda de 23,8% em 2020

Um dos principais motivos para a queda é o fechamento de bares e restaurantes em decorrência da COVID-19; resultado é o pior nos últimos cinco anos


26/05/2021 19:22 - atualizado 26/05/2021 20:01

A queda do setor foi a maior nos últimos cinco anos(foto: Reprodução/Pixabay)
A queda do setor foi a maior nos últimos cinco anos (foto: Reprodução/Pixabay)
 
O setor da cachaça registrou queda de 23,8% no ano de 2020 - a maior dos últimos cinco anos. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) e fazem parte do relatório anual da Euromonitor International, líder mundial de pesquisas de mercado. No Brasil, o comércio de cachaça no ano passado foi de 399 milhões de litros.

Além disso, o setor é responsável por cerca de 600 mil empregos diretos ou indiretos em todo o país.

 
De acordo com Carlos Lima, diretor executivo do Ibrac, o principal motivo que acarretou na queda do setor foi o fechamento de bares e restaurantes por conta da COVID-19. As restrições impostas impediram o consumo de bebidas alcoólicas que, por sua vez, representam 70% das vendas nesses locais.

“Em 13 meses de pandemia, os bares e pontos de dose de cachaça ficaram fechados em média 10 meses, com variações pontuais de cidade para cidade”, disse.

O diretor ainda afirma que a pandemia prejudicou um setor muito castigado. Segundo ele, formado na área de micro, pequenas, médias e grandes empresas, o mercado de cachaça já enfrentava dificuldades pela alta carga tributária. Em 2015, sofreu consideravelmente em função do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que, em alguns casos, resultou no crescimento de 200% no valor do IPI pago.

“A cachaça é, hoje, um dos produtos mais taxados do Brasil. Considerando apenas os principais impostos (PIS, COFINS, ICMS e IPI) e, com base em alíquotas nominais, tendo como referência o estado de São Paulo, a carga direta do setor é de 59,25%. Considerados impostos diretos e indiretos esse número ultrapassa 80%”, explica.

Por outro lado, o analista de Alcoholic Drinks da Euromonitor International, Rodrigo Mattos disse que “a categoria de cachaças no Brasil, apesar de representar a grande maioria dos destilados consumidos, ainda é muito dependente do consumo fora do lar, em bares e restaurantes, e vem sofrendo com a competição de novos produtos que entraram no mercado recentemente, como o gim e o aumento no consumo de uísque. Além disso, é uma categoria que opera com preços mais baixos, o que prejudica a margem e a faz sensível às mudanças drásticas do mercado, como foi o caso em 2020, com a pandemia”.

Atualmente, a cachaça representa mais de 72% do mercado de destilados no Brasil. São 1.806 estabelecimentos produtores de cachaça e aguardente em 835 municípios brasileiros, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 

Dados do Mapa e do Censo Agropecuário do IBGE de 2016 revelam que a informalidade do setor é de 90,15% em números de produtores. Essa diferença entre o mercado formal e informal também tem ligação com a alta carga tributária.


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