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Estado de Minas NOVO SOCORRO

Auxílio emergencial começa a ser pago nesta terça-feira (06/4); entenda

Até fim de abril, 40 milhões de brasileiros devem receber primeira parcela. Ajuda financeira não terá o mesmo efeito que o do ano passado


06/04/2021 07:54 - atualizado 06/04/2021 09:44

Agência da Caixa no Bairro Funcionários, em Belo Horizonte, na manhã desta terça-feira (06/4)(foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
Agência da Caixa no Bairro Funcionários, em Belo Horizonte, na manhã desta terça-feira (06/4) (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)


O novo auxílio emergencial começa a ser pago hoje. De acordo com o Ministério da Cidadania, 40 milhões de pessoas vão receber o benefício até o fim do mês e 2,3 milhões terão o recurso depositado ainda nesta terça-feira (06/4).

O auxílio, no entanto, não será suficiente para garantir a compra da cesta básica (para a alimentação de um adulto em um mês) desta vez. Por isso, na avaliação de especialistas, deve reduzir a pobreza e a fome, mas não na mesma proporção de 2020.

Neste ano, o auxílio emergencial terá quatro parcelas de, em média, R$ 250. Quem mora sozinho, no entanto, vai receber R$ 150 por mês. E as mulheres chefes de família, que, no ano passado, receberam até R$ 1,2 mil no auxílio, terão direito a R$ 375. O valor não cobre a cesta básica, que, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), está variando de R$ 445,90 a R$ 639,81 nas capitais brasileiras. Em Brasília, por exemplo, custa, em média, R$ 591,44.



Especialistas acreditam que o auxílio emergencial ajudará muitas famílias, mas não resolverá o problema da fome, que atingiu 19 milhões de brasileiros nos últimos três meses de 2020, de acordo com pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).

Analista de Políticas e Programas da ActionAid no Brasil, Francisco Menezes afirma que a pesquisa foi feita quando o auxílio era de R$ 300, mas que os três meses iniciais de 2021 foram piores, porque as pessoas ficaram sem a ajuda financeira.

“Agora, será retomado para um número menor de pessoas e com uma redução no valor. Não vai dar para resolver o problema da fome, porque muitas pessoas já estão em insegurança alimentar e acumularam dívidas. Pode até piorar. É preciso repensar o valor do auxílio para não deixar uma parcela considerável da população em uma situação insustentável”, alerta Menezes.

O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fausto Augusto Junior, explica por que é inviável uma família se alimentar com R$ 250. Ele afirma que as famílias brasileiras têm, em média, quatro pessoas. Por isso, o valor do novo auxílio daria aproximadamente R$ 2 para cada um por dia. “É óbvio que é insuficiente. Não dá nem para o pão com manteiga”, ressalta.

Além disso, Augusto Junior frisa a alta dos alimentos, que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficaram 14,51% mais caros nos últimos 12 meses. “Os R$ 250 de hoje compram 15% a menos do que comprava o auxílio proposto pelo governo em março do ano passado”, calcula Fausto. Por essa razão, ele defende a manutenção do auxílio em R$ 600.

Fausto Augusto ainda aponta que o objetivo do auxílio é justamente suprir as famílias impactadas pela pandemia para reduzir a circulação de pessoas, e que, com esse valor, elas continuarão indo para a rua para complementar a renda. “Ninguém pensa quanto vai gastar em uma guerra. Tem que enfrentar, porque o que sobra é não existir amanhã. É esse debate que o governo não aceita”, afirma. Segundo ele, o governo precisava ter desembolsado mais recurso para o auxílio, ainda que haja as dificuldades com as contas públicas.

Mãe solteira, Nilda Lima, de 29 anos, usou o auxílio emergencial para quitar dívidas com aluguel e pôr comida na mesa no ano passado. No decorrer da pandemia, ela foi obrigada a morar na casa dos pais. Neste ano, a mãe dela a colocou como dependente, o que a impede de conseguir o auxílio agora. “O valor é muito baixo”, reclama. Neste ano, a mulher tem atuado como manicure em um salão de beleza, recebendo cerca de R$ 500 por mês. Irá se mudar com o filho nos próximos dias para uma casa cedida a ela. Nilda afirma que falta alimento em casa, e ela conta com doações para completar as refeições dela, dos pais e do filho, todos os meses.

Desigualdade

O economista e diretor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Social, Marcelo Neri, afirma que o auxílio conseguirá reduzir a desigualdade no país, assim como a pobreza, mas não tanto quanto a primeira fase dos pagamentos, no ano passado. De acordo com ele, com o pagamento do auxílio a pobreza caiu de 11% em 2019 para 4,5% em 2020, na época do auge do auxílio, em agosto. Depois, quando o valor foi reduzido, o percentual foi para 8,5%, e com o fim do auxílio a estimativa é que o número tenha aumentado para 12,8% da população, entre janeiro e março deste ano, com 27 milhões de pobres no país.

“Mostra que o auxílio tem impacto sobre a pobreza, assim como teve sobre a desigualdade. Mas (a redução) não vai ser tão espetacular quanto no ano passado, do mesmo jeito que não vai ter o mesmo impacto nas contas públicas. Esse auxílio é menos generoso em termos sociais e mais cuidadoso em termos fiscais”, afirma. Para o economista, mais do que a redução do valor, o que mais impactou foi a interrupção do pagamento no início do ano. De acordo com ele, teria sido importante que o governo tivesse mantido o pagamento, ainda que isso significasse reduzir os valores mensais, para que não houvesse interrupção.

O pagamento do auxílio emergencial será feito por meio de um calendário escalonado de acordo com o mês de nascimento dos beneficiários. Por isso, chega hoje para os nascidos em janeiro, daqui a três dias para os nascidos em fevereiro e assim por diante. Como ocorreu no ano passado, o auxílio será liberado primeiro de forma digital, pelas contas sociais digitais da Caixa. A primeira parcela, por exemplo, será depositada de hoje até o dia 30, mas só poderá ser sacada em maio. Para não ter que esperar o próximo mês para usar o benefício, o cidadão deve, então, acessar o aplicativo Caixa Tem, que permite pagar contas e fazer compras com o auxílio.

Aumenta a pressão pelo BEm

Pressionado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, jogou para a classe política a responsabilidade pela demora na volta do Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm). Porém, voltou a prometer uma solução “relativamente rápida” para o programa, que vem sendo cobrado por empresários brasileiros como uma forma de evitar demissões durante a segunda onda da pandemia de covid-19.

O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.


transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.


A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia
  • Em casos graves, as vítimas apresentam:
  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal
  • Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.


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