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Estado de Minas COMBUSTÍVEIS

No rastro do aumento da gasolina, álcool vai a quase R$ 4 nos postos de BH

Preço médio do etanol sobe em 24 estados e no DF na última semana. Em BH, variação nos últimos 15 dias chega a R$ 0,70 no litro do combustível


24/02/2021 14:00 - atualizado 25/02/2021 07:48

Anúncio de preço do etanol em posto de combustível na região Centro-Sul de BH; variação nos últimos 15 dias na capital mineira chega a R$ 0,70 no litro do etanol(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Anúncio de preço do etanol em posto de combustível na região Centro-Sul de BH; variação nos últimos 15 dias na capital mineira chega a R$ 0,70 no litro do etanol (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Na esteira dos recentes aumentos no preço da gasolina, o etanol, visto por muitos como alternativa mais barata ao combustível tradicional, também vem sofrendo reajustes consideráveis. Nessa terça-feira (23/02), os motoristas em Belo Horizonte foram pegos de surpresa com uma elevação, que deixou o litro do etanol beirando os R$ 4 em muitos postos na capital.

 

Em 8 de fevereiro, o preço do litro do etanol em um posto na Avenida Nossa Senhora do Carmo, Região Centro-Sul de BH, era de R$ 3,348. Conforme constatou a reportagem do Estado de Minas, nesta quarta-feira (24/02), o etanol nessa mesma revenda é comercializado a R$ 3,798, um aumento de R$ 0,45 para o consumidor.

 

Num posto na BR-356, também na região Centro-Sul da capital, o litro do etanol, que saia a R$ 3,299 em 08/02, foi reajustado para R$ 3,599 dez dias depois, após o anúncio de mais um reajuste da gasolina pela Petrobrás, e nesta quarta-feira é vendido a R$ 3,997. Em pouco mais de duas semanas, uma expansão de R$ 0,69 no litro do combustível.

 

O etanol já havia passado por reajustes recentes, que, de acordo com o economista Feliciano Abreu, coordenador de pesquisas do Mercado Mineiro, são consequências do aumento no preço dos insumos do combustível, impactado pelo período entressafra.

De acordo com indicadores levantados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea-USP), o valor do etanol nas usinas sofreu variação de 24,01% dentro deste mês.

 

É importante lembrar que o custo do álcool veicular não tem ligação direta com a política de preços de combustíveis da Petrobras.

 

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro) atribui a alta do etanol também à política de cobrança de ICMS no estado, em que a alíquota acompanha a expansão dos preços praticados nos postos. Segundo o Minaspetro, nos últimos oito meses, o valor do ICMS cobrado sobre o etanol em Minas subiu 23,7%. A carga efetiva do ICMS em Minas Gerais é de 16% para a o etanol.

 

O aumento da demanda também é citado como uma das razões para o incremento do etanol nas bombas. A Empresa de Pesquisa Energética (Epe), ligada ao Ministério de Minas e Energia, destaca que o preço final dos combustíveis afeta o comportamento do consumidor, alterando suas preferências, especialmente devido ao custo, podendo afetar o nível de demanda. Segundo informou um revendedor que não quis se identificar, sempre que há aumento da gasolina, a procura pelo etanol é ampliada.

 

Segundo Feliciano Abreu, o consumidor faz as contas e percebe que o álcool combustível, que é viável apenas quando tem preço médio correspondente a, no máximo, 70% do valor médio da gasolina, é uma boa alternativa. Mesmo com as variações recentes, o valor médio do etanol em Belo Horizonte gira em torno de 68% do valor médio da gasolina na capital.

 

“O consumidor tem pouca opção de combustível. Ou é etanol ou gasolina, porque o GNV tem alto custo pra instalação. Então, se a gasolina sobe, os postos ficam com espaço para aumentar também o preço do etanol, dentro desse cálculo de 70%, e ter uma margem de lucro maior”, explica o economista do Mercado Mineiro.

 

O Minaspetro ressalta que a decisão de repassar custos é individual de cada revendedor, mas que os postos, sendo o último e mais visado elo no segmento de combustíveis, ficam reféns de determinações de outros agentes do setor, como o governo, refinarias, usinas de etanol e companhias distribuidoras. Nesta terça-feira, por exemplo, as distribuidoras aumentaram cerca de R$ 0,30 no litro do etanol entregue aos postos.

 

Sobre a cobrança do ICMS, a Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz-MG) informou que a alíquota cobrada consideração os preços praticados pelos postos revendedores em todas as regiões de Minas Gerais. A pasta destaca que as variações no preço dos combustíveis não são em função do ICMS, mas, sim, da política de preços praticada pela Petrobras e de usinas de etanol e biodiesel.

 

Etanol mais caro em todo o país

 

Os preços médios do etanol hidratado subiram em 24 Estados e no Distrito Federal na última semana e caíram no Rio de Janeiro, de acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilado pelo AE-Taxas, do Estadão/Broadcast. No Amapá não houve apuração.

 

Nos postos pesquisados pela ANP em todo o País, o preço médio do etanol subiu 2,02% na semana de 14 a 20 de fevereiro ante a anterior, de R$ 3,311 para R$ 3,378 o litro. Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, a cotação média do hidratado ficou em R$ 3,223, alta de 2,58% ante a semana anterior. No Rio de Janeiro, o biocombustível recuou 2,62%, para R$ 4,128.

 

A maior alta semanal, de 4,90%, foi verificada em Tocantins, para R$ 4,004. O preço mínimo registrado na semana passada para o etanol em um posto foi de R$ 2,05 o litro, em São Paulo, e o menor preço médio estadual, de R$ 3,223, foi verificado também em São Paulo. O preço máximo individual, de R$ 5,399 o litro, foi verificado em um posto do Rio Grande do Sul.

 

O maior preço médio estadual também foi o do Rio Grande do Sul, de R$ 4,468.

 

Competitividade

 

Os preços médios do etanol na semana de 14 a 20 de fevereiro mostraram-se vantajosos em comparação com os da gasolina em apenas quatro estados brasileiros. Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo, com paridade de 66,11%, 69,92%, 67,36% e 69,66%, respectivamente, entre o preço do etanol e da gasolina.

 

O levantamento da ANP considera que o etanol de cana ou de milho, por ter menor poder calorífico, tenha um preço limite de 70% do derivado de petróleo nos postos para ser considerado vantajoso. Na média dos postos pesquisados no País, a paridade é de 68,70% entre os preços médios de etanol e gasolina.

 

(Com iformações da Agência Estado)

 

*estagiário sob supervisão da editora-assistente Vera Schmitz 


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