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Estado de Minas PELA QUARTA VEZ EM 2021

Com mais um aumento, preços do diesel e da gasolina disparam em BH

Petrobras impõe o quarto aumento na gasolina e o terceiro no diesel dentro deste ano. Bolsonaro reage com mudanças na tributação e intervenção na estatal


19/02/2021 12:55 - atualizado 19/02/2021 13:18

Petrobras impõe o quarto aumento na gasolina e o terceiro no diesel dentro deste ano. Bolsonaro reage com mudanças na tributação e intervenção na estatal(foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
Petrobras impõe o quarto aumento na gasolina e o terceiro no diesel dentro deste ano. Bolsonaro reage com mudanças na tributação e intervenção na estatal (foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
A Petrobras anunciou mais um reajuste nos preços da gasolina e do diesel, que valem a partir desta sexta-feira (19/02). Os preços médios nas refinarias serão de R$ 2,48 por litro para a gasolina e R$ 2,58 por litro para o diesel, após aplicação de reajustes de R$ 0,23 e de R$0,34 por litro respectivamente. Este é o quarto aumento na gasolina em 2021 e a terceira correção no óleo diesel.

 

Há dez dias, depois do último anúncio de reajustes, a gasolina em Belo Horizonte já chegava a R$ 5,099, conforme constatou a reportagem do Estado de Minas. Nesta sexta, o preço praticado no mesmo posto, na Avenida Nossa Senhora do Carmo, Região Centro-Sul da capital, é de R$ 5,199.

Variação de preços de combustíveis em postos de Belo Horizonte. Mais um aumento pela Petrobras faz preço do diesel e da gasolina disparar na capital(foto: Montagem/Alexandre Guzanshe/Jair Amaral/EM/D.A Press)
Variação de preços de combustíveis em postos de Belo Horizonte. Mais um aumento pela Petrobras faz preço do diesel e da gasolina disparar na capital (foto: Montagem/Alexandre Guzanshe/Jair Amaral/EM/D.A Press)
 

 

Em outro posto da região, a gasolina comum, que tinha o litro comercializado a R$ 4,998 no último dia 8, saiu a R$ 5,198 nesta sexta-feira, depois do aumento anunciado pela companhia estatal.

Variação de preços de combustíveis em postos de Belo Horizonte. (foto: Montagem/Alexandre Guzanshe/Jair Amaral/EM/D.A Press)
Variação de preços de combustíveis em postos de Belo Horizonte. (foto: Montagem/Alexandre Guzanshe/Jair Amaral/EM/D.A Press)

 

Num posto na BR-356, também na região Centro-Sul da capital, o diesel, que saia a R$ 3,897, foi reajustado para R$ 4,097.

Variação de preços de combustíveis em postos de Belo Horizonte. (foto: Montagem/Alexandre Guzanshe/Jair Amaral/EM/D.A Press)
Variação de preços de combustíveis em postos de Belo Horizonte. (foto: Montagem/Alexandre Guzanshe/Jair Amaral/EM/D.A Press)

 

Carlos Robério, funcionário público aposentado que trabalha como motorista de aplicativo para complementar a renda, está descontente com os aumentos frequentes dos combustíveis. Ele conta que o produto toma quase todo o seu ganho com as corridas e contesta os argumentos que a Petrobras e os governos usam pra justificar os reajustes. “Hoje, R$ 70 de combustível não enche meio tanque. É um absurdo! O salário e a renda da gente não acompanham isso”.

 

Até chegar ao consumidor final, ao valor dos combustíveis que saem das refinarias são acrescidos tributos federais e estaduais e custos com a mistura obrigatória de biocombustíveis, além das margens brutas das companhias distribuidoras e dos postos revendedores de combustíveis.

 

A Petrobras, que concentra em suas refinarias a produção de quase todos os combustíveis distribuídos no país, argumenta que os recentes aumentos, que são associados à demanda internacional e à variação cambial, fazem parte do alinhamento dos preços praticados internamente ao mercado global e é fundamental para garantir que o mercado brasileiro siga sendo suprido sem riscos de desabastecimento.

 

De acordo com a companhia, os preços nas refinarias representam cerca de um terço do preço final da gasolina e metade do preço final do diesel e têm influência limitada sobre os preços percebidos pelos consumidores. A estatal destaca que a legislação brasileira garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e a mudança no preço final dependerá de repasses feitos por outros integrantes da cadeia de combustíveis.

 

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Carlos Eduardo Guimarães, há uma cadeia de agentes que lucra com a expansão e que aumenta o custo dos combustíveis, obrigando as revendedoras a repassarem esse valor para o consumidor. Ele ressalta que os postos não são os culpados pela variação de preços nas bombas.

 

“Quando tem aumento da Petrobrás, ela está ganhando mais dinheiro. Os governos, federal e estaduais, aumentam juntos os tributos, mas o dono do posto, que trabalha com uma margem já pequena, tem que muitas vezes reduzir a sua margem devido à competição. Com os aumentos nas refinarias, as revendas ganham menos com a queda do consumo”, observa Guimarães.

 

Leonardo Lemos, que é proprietário de uma rede com sete postos na Região Metropolitana de Belo Horizonte, corrobora com Guimarães e alega que a margem bruta de lucro dos postos da grande BH, devido à concorrência, é muito pequena e que, dependendo do volume de vendas, muitos estabelecimentos trabalham no prejuízo, devido ao custo elevado pra manter o negócio em funcionamento.

 

“Quando há aumento nos preços, a gente é obrigado a acompanhar. Antes desse aumento, eu estava trabalhando com uma margem bruta no diesel de R$ 0,18 por litro vendido. É com essa pequena margem que tenho que pagar meus funcionários, meu aluguel, meus custos fixos e variáveis. O aumento dessa sexta foi de R$ 0,33 por litro. Como não repassar?”, questiona Lemos.

 

Os tributos federais que incidem sobre a comercialização de combustíveis são a Cofins e o Pis/Pasep. No preço da gasolina também há a incidência da Cide. Entre os tributos, apenas um não possui competência federal, o ICMS, que é um imposto estadual e que possui diferentes alíquotas em cada ente da federação.

 

A carga efetiva do ICMS em Minas Gerais é de 31% para a gasolina e de 15% para o óleo diesel.

 

Composição dos preços ao consumidor em cálculo baseado nos preços médios da Petrobras e no levantamento de preços ao consumidor final em 13 capitais e regiões metropolitanas brasileiras publicado pela ANP para a semana de 07 a 13/02/2021(foto: Petrobras/Reprodução)
Composição dos preços ao consumidor em cálculo baseado nos preços médios da Petrobras e no levantamento de preços ao consumidor final em 13 capitais e regiões metropolitanas brasileiras publicado pela ANP para a semana de 07 a 13/02/2021 (foto: Petrobras/Reprodução)

A Empresa de Pesquisa Energética (Epe), ligada ao Ministério de Minas e Energia, destacou em estudo recente que a política tributária incidente sobre os combustíveis, ao chegar na composição do seu preço final, afeta o comportamento do consumidor, alterando suas preferências, especialmente devido ao preço, podendo afetar o nível de demanda do país.

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou nessa quinta-feira (18/02), em uma transmissão nas redes sociais, os recentes reajustes no preço dos combustíveis nas refinarias da Petrobras e chegou a indicar que haverá mudanças na estatal em breve. Ele também afirmou que o governo decidiu zerar os impostos federais que incidem sobre o óleo diesel e o gás de cozinha.

 

No caso do diesel, Bolsonaro explicou que o corte de impostos federais será provisório e até que o governo encontre uma forma de reduzir ou eliminar a cobrança de forma definitiva. As medidas foram decididas em uma reunião do presidente com membros da equipe econômica e passam a valer em março.

 

*estagiário sob supervisão do subeditor Daniel Seabra


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