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Estado de Minas CRISE

'O pior efeito da pandemia ficou para trás', diz presidente do BC sobre retomada da economia

Roberto Campos Neto diz que BC considera cenário com câmbio mais estável daqui para a frente e tem "absoluta tranquilidade" em relação à inflação


24/09/2020 15:59

Campos Neto disse que análise do cenário mostra retomada econômica com 'tranquilidade' sobre inflação(foto: Raphael Ribeiro/Banco Central do Brasil)
Campos Neto disse que análise do cenário mostra retomada econômica com 'tranquilidade' sobre inflação (foto: Raphael Ribeiro/Banco Central do Brasil)
O Banco Central (BC) fez novas projeções macroeconômicas considerando cenário com "câmbio estável" para este ano e o próximo, minimizando os riscos de uma piora no quadro fiscal que poderia pressionar mais o dólar e forçar um ciclo de alta na taxa básica de juros (Selic). Para o presidente do BC, Roberto Campos Neto, "o pior já passou".

"Olhamos os balanços de riscos e entendemos, como foi mencionado, que o pior efeito da pandemia ficou para trás, o que aponta para uma retomada”, disse Campos Neto, nesta quinta-feira (24/09), durante a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), ao ser questionado se a autoridade monetária considera um cenário mais turbulento para o câmbio. Ele ainda afirmou que o BC tem "absoluta tranquilidade" em relação à inflação.

Otimismo

No documento, o BC revisou de 6,4% para 5% a estimativa de queda do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano e previu alta de 3,9% no PIB de 2021, taxa acima da mediana do mercado, de 3,5%. “Em relação às projeções de crescimento, a gente pode ver o processo de retomada, que indica que a expansão do PIB brasileiro está acima da média dos mercados emergentes”, disse o ministro.

Campos Neto reconheceu que o processo de recuperação começou em V, mas a tendência é que essa taxa de crescimento “tenderia a amenizar”. “Olhando os dados de consumo e varejo, a gente vê retomada mais forte no Brasil do que nos mercados emergentes, mostrando que os programas feitos para reduzir o impacto da crise tiveram efeito”, acrescentou.

Em sua apresentação, o ministro reforçou a análise de cenários para a inflação apresentada na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), destacando que as projeções para o índice de preços, no cenário básico, estão “suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária, que atualmente inclui o ano calendário de 2021 e, em grau menor, o de 2022”. 

“Essa intenção é condicional à manutenção do atual regime fiscal, à ancoragem das expectativas de longo prazo”, adicionou. Em relação à questão de manutenção do regime fiscal, o ministro foi taxativo: “Não estamos dispostos a correr riscos inflacionários oriundos de questões fiscais”, afirmou ele, acrescentando que esse fator retira o “forward guidance” (prescrição futura), instrumento adicional de política monetária que o BC passou a usar para manter a taxa básica de juros (Selic) no patamar atual.

Na semana passada, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a Selic em 2% ao ano, menor patamar da história, após um ciclo de nove reduções consecutivas. As projeções de inflação desde ano passaram de 1,9% para 2,1%, abaixo do piso de 2,5% para a meta deste ano, cujo centro é de 4%. Para 2021, considerando Selic e câmbio constantes, o indicador de preços chegaria a 3% no quarto trimestre, abaixo da do centro meta de 3,75%.


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