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Estado de Minas PROJEÇÃO

Banco Central: fim do auxílio emergencial pode desacelerar consumo das famílias

BC admite que fim do benefício traz uma incerteza a mais para o ritmo da retomada econômica a partir do fim do ano. Análise está no Relatório de Inflação divulgado nesta quinta-feira


24/09/2020 13:07

(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O Banco Central (BC) admitiu nesta quinta-feira que o fim do auxílio emergencial pode provocar uma desaceleração no consumo das famílias brasileiras e, por isso, coloca uma incerteza a mais na velocidade da retomada econômica a partir do fim do ano. Ainda assim, a autoridade monetária melhorou as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 2020 e de 2021.
O efeito do auxílio emergencial no consumo das famílias brasileiras foi analisado em um box especial do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), publicado nesta quinta-feira (24/09). O box destaca que o auxílio liberou cerca de R$ 37 bilhões por mês aos brasileiros de baixa renda, "o que representa uma transferência da ordem de 12% da renda mensal de 2019". E conclui que, por isso, o benefício "ajudou a sustentar o consumo durante os primeiros meses de impacto da pandemia".

O BC calcula que os municípios que tiveram um incremento de renda de 1 ponto percentual com o auxílio emergencial podem ter tido um volume de compras 0,83 ponto percentual maior que o de outros municípios. O dado se refere às compras com cartão de débito, que foram motivadas pelo auxílio emergencial já que o benefício vem sendo pago prioritariamente de forma digital. Porém, segundo o BC, deve ser observado com cautela, já que as compras em débito podem não representar a variação do consumo como um todo e esse impacto é maior nos municípios cuja população foi mais atendida pelo auxílio emergencial.

Ainda assim, a autoridade monetária conclui que "no agregado dos municípios, as estimativas indicam que o auxílio emergencial teria contribuído com 10,3 pontos percentuais para o consumo no período, que cresceu 0,3% na métrica comparável". E disse que, por isso, "o fim do programa pode contribuir para a desaceleração do consumo das famílias, ainda que de forma temporária".

Em outro box do RTI, o BC mostra, ainda, que o consumo da população de baixa renda vem se recuperando do choque da covid-19 de forma mais acelerada do que o consumo da classe alta. "É provável que a atenuação da queda do consumo nesse grupo esteja associada ao auxílio emergencial a pessoas em situação de vulnerabilidade", analisa.

Por isso, o BC projeta um "crescimento acentuado no terceiro trimestre, influenciado pelas medidas governamentais de combate aos impactos econômicos da pandemia e pelo retorno gradual a patamares de consumo vigentes antes do período de isolamento social". Mas reconhece que "para o último trimestre do ano, a partir de quando vigora incerteza acima da usual sobre o ritmo da recuperação, espera-se arrefecimento da taxa de crescimento, associado, em parte, à diminuição esperada de transferências de recursos extraordinários às famílias".

A autoridade monetária projeta, portanto, uma queda de 5% do PIB em 2020. A perspectiva é melhor que a de julho (-6,4%), quando ainda não estava muito claro o efeito do auxílio emergencial na atividade econômica, e está em linha com as projeções do mercado. Porém, é um pouco menos otimista que a do governo, que prevê queda de 4,7% do PIB em 2020.

Já para 2021, o BC estima uma recuperação de 3,9%. "Apesar da redução das transferências governamentais esperada para 2021, o consumo das famílias deve ser favorecido pelas expectativas de: recuperação progressiva do mercado de trabalho; aumento da mobilidade; maior acesso a serviços com oferta limitada durante a pandemia; e volta da taxa de poupança das famílias para níveis pré-crise". justifica. O BC reconhece, porém, que essa estimativa de 2021 permanece com "incerteza acima do usual" e está condicionada "ao cenário de continuidade das reformas e de manutenção do atual regime fiscal", bem como ao arrefecimento da pandemia.


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