Publicidade

Estado de Minas

Isolamento social por coronavírus gera 'polarização' entre empresários do país

Após alarde a funcionários, sócios do Giraffas divergem sobre confinamento; otimista, Diniz aposta em retomada da economia


postado em 25/03/2020 12:57 / atualizado em 25/03/2020 14:14

Luciano Hang, da Havan, e Alexandre Guerra, do Giraffas, são alarmistas; Diniz mostra outra visão(foto: Reprodução)
Luciano Hang, da Havan, e Alexandre Guerra, do Giraffas, são alarmistas; Diniz mostra outra visão (foto: Reprodução)

Em meio à pandemia do coronavírus, empresários brasileiros se manifestaram contra o isolamento social por temor a prejuízos econômicos ao país. A exemplo do dono da rede de restaurantes Madero, Junior Durski, outros representantes do empresariado cobraram o fim da quarentena como medida de contenção ao vírus causador da doença respiratória Covid-19, que matou mais de 18 mil pessoas ao redor do mundo — no Brasil, já foram 46 vidas perdidas. O posicionamento está alinhado ao pronunciamento crítico do presidente da República, Jair Bolsonaro, em relação às ações preventivas recomendadas por especialistas e órgãos de saúde. 

Em videoconferência com funcionários, o presidente do banco Santander, Sérgio Rial, teria comparado  home office a 'deserção', de acordo com relato de empregados à Folha.  Posteriormente, em um comunicado à imprensa, a assessoria de comunicação da instituição negou a declaração e destacou que apenas foram dadas recomendações de “cuidados necessários que cada um deve ter com absenteísmo” no trabalho.
 
Ainda na nota, o Santander reforçou que tomou ações de prevenção ao coronavírus, como pagamento adiantado do 13° salário, fechamento de agências e redução de atendimento ao público. Cerca de  47 mil funcionários do banco estariam em home office, e colaboradores com  mais de 60 anos tiveram antecipação das férias. 
 
Em vídeo publicado nessa terça-feira no Instagram, Alexandre Guerra, sócio da franquia de fast food Giraffas,  afirmou que os trabalhadores deveriam ter medo de perder o emprego, e não de contrair o vírus.  Ele classificou o home office como momento de ócio. 

“Você que é funcionário, que talvez esteja em casa numa boa, numa tranquilidade, curtindo urn pouco esse home office, esse descanso forçado, você já se deu conta de que, ao invés de estar com medo de pegar esse vírus, você deveria também estar com medo de perder o emprego? Será que sua empresa tern condições de segurar o seu salário por 60, 90 dias? Você já pensou nisso?”, ameaçou. 

O vídeo repercutiu negativamente. Em postagens nas redes sociais, usuários consideraram a declaração de Alexandre Guerra como ‘terrorismo’ e propuseram boicote à franquia. Em nota, o fundador e CEO do Giraffas, Carlos Guerra garantiu que as opiniões de Alexandre não representam a empresa e tranquilizou os funcionários. 

"Sou o porta voz autorizado para dizer o que a empresa quer e faz, mas me pronuncio em consonância com os demais acionistas, integrantes do Conselho de Administração e Diretores. Mesmo após o fechamento compulsório de quase a totalidade das 400 unidades franqueadas, com corte quase total das receitas futuras da franqueadora, as primeiras decisões estavam focadas na questão de saúde, inicialmente colocando majoritariamente as equipes em home office e em seguida fechando totalmente os escritórios da empresa. Nenhum colaborador da franqueadora foi demitido. Em vídeo gravado e distribuído aos franqueados, deixei bem claro quais são as nossas prioridades e a minha opinião, solicitando explicitamente que não se precipitassem em demitir seus colaboradores, vítimas inocentes da pandemia e preciosos para nós na futura retomada”, informou. 

Apoiador de Jair Bolsonaro, Luciano Hang, empresário que emprega 22 mil funcionários em 147 lojas da Havan pelo país, defendeu redução de salários e liberação do FGTS para minimizar o impacto do coronavírus à economia brasileira. “O dano vai ser muito maior do que na pandemia. Desligar (a economia) é fácil, como vamos voltar?”, questionou em entrevista ao Uol
 
Fundador dos aplicativos Easy Taxi e SinguTallis Gomes fez coro às reclamações contra ações restritivas devido ao coronavírus. O empreendedor acredita que o período de 15 dias de ‘lockdown’ é o suficiente para falir pequenas empresas. 
 
“Se continuarmos com o lockdown total por mais de 15 dias, pequenas empresas vão quebrar no mês que vem. A gente precisa trabalhar para isolar grupos de riscos, mas permitir que pessoas não infectadas trabalhem normalmente após esses 15 dias iniciais. Não dá para fechar tudo por dois meses”, declarou durante live do programa Do Zero ao Topo especial.
 

Outras visões 


Abílio Diniz, criador do fundo de participações Península e acionista do Carrefour, apoiou o confinamento e cobrou medidas das autoridades. Ele ressaltou que perda na economia brasileira por causa da pandemia é inevitável, mas apostou na recuperação. 

“A situação não é tão grave assim. O coronavírus se espalha rapidamente e temos de ficar reclusos, mas não por muito tempo. Precisamos de um horizonte de semanas, não de meses. Precisamos saber que isso vai passar. E eu gostaria que as autoridades dissessem isso. Não há dúvida nenhuma de que a crise vai passar e os ativos vão se recuperar. Não sei se para o mesmo patamar, para menos, ou para mais. Mas para quem investiu em bons papéis, vai passar”, declarou em live no Instagram. 

O empresário Márcio Pauliki afirmou que grandes corporações têm recursos suficientes para suportar o período de crise e ressaltou que a integridade dos trabalhadores deve ser resguardada já mirando a retomada da economia. “As grandes redes têm alternativas de, ao menos, manter receita mínima com delivery, televendas, vendas online. A maioria tem capital para suportar esse período. Esses trabalhadores, depois de passar a pandemia, são os primeiros a consumir nas empresas que estão fechadas”, avaliou. 

Ex-deputado estadual pelo Paraná, Pauliki ainda apontou a necessidade de ações governamentais para ajudar empreendimentos menores após a pandemia. “Pequenos negócios são responsáveis por 70% dos empregos. Liberar o seguro-desemprego, não só 25%, mas 100% para os trabalhadores registrados em carteira que que continuam registrados, mas afastados por um tempo. Para os autônomos que recolhem o MEI, liberar ajuda de custo de um salário mínimo. Lei para postergar vencimento de boletos, tem que ser algo que venha do governo”, argumentou, 


Publicidade