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Estado de Minas COVID-19

Bolsonaro critica 'histeria' com coronavírus: 'Devemos voltar à normalidade'

Presidente voltou a chamar a COVID-19 de "gripezinha" e disse que ele, idoso, não sentiria os efeitos do contágio


postado em 24/03/2020 20:19 / atualizado em 24/03/2020 22:48

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido)(foto: Carolina Antunes/PR)
Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) (foto: Carolina Antunes/PR)
Sem anunciar nenhuma medida concreta para o combate ao coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou o pronunciamento da noite desta terça-feira (veja o vídeo abaixo) para atacar, e ao mesmo tempo elogiar, a imprensa e para ratificar o discurso de que a Covid-19 se trata de uma “gripezinha”.

Bolsonaro admitiu a chegada do coronavírus ao Brasil, mas voltou a citar que a pandemia está sendo tratada como “histeria” pelos órgãos de imprensa. Ele ainda criticou governos municipais e estaduais por estarem adotando medidas de “terra arrasada”, por fecharem escolas e comércio.

No mesmo pronunciamento, em rede de rádio e televisão, Bolsonaro parabenizou a imprensa, mas alfinetou a TV Globo e o médico Drauzio Varella, a quem chamou de “aquele médico daquela conhecida televisão”.

Apesar de ter citado os idosos como mais vulneráveis ao contágio pela COVID-19, o presidente disse que ele próprio, que completou 65 anos nesta semana, não sentiria os efeitos do coronavírus porque tem “histórico de atleta”.

Durante o pronunciamento, mais uma vez o presidente foi alvo de protestos e panelaços em vários bairros de Belo Horizonte.

Volta à normalidade

Ao contrário das ações adotadas por diversas autoridades do mundo, que proibiram a circulação de pessoas, Bolsonaro demonstrou grande preocupação com a situação econômica em detrimento do risco de contágio e afirmou que a vida deve voltar à normalidade. 

“O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos e o sustendo das famílias preservado. Devemos sim, voltar à normalidade. Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, fechamento de comércio e confinamento em massa”, disse o presidente.

Resposta de políticos

Logo após o pronunciamento de Bolsonaro, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), se manifestou pelo Twitter, reafirmando o pedido para que as pessoas sigam reclusas.


“Vamos ficar em casa! Ficar em casa!!!!!!! Pelo amor de Deus. Ficar em casa”, disse Kalil pela rede social.

Sem se referir expressamente ao presidente, o governador de Minas, Romeu Zema (Novo) também se pronunciou pelo Twitter, usando a hashtag #FiqueEmCasa e elogiando os profissionais da saúde.

"Meu aplauso hoje é para os profissionais da saúde, que atuam no combate à Covid-19. Nós agradecemos a dedicação!
Essa é a equipe do Instituto Octávio Magalhães, da #FunedMG. Eles estão trabalhando por você, se proteja, projeta seus familiares e os familiares deles #FiqueEmCasa", disse Zema.

Bolsonaro tem travado uma guerra com governadores e prefeitos, pela discordância dos métodos de combate ao vírus. Nas últimas semanas, os chefes do Executivo do Rio e de São Paulo, que adotaram medidas mais drásticas como o fechamento do comércio e proibição de transportes, criticaram o presidente por uma alegada falta de atitude e de diálogo.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) chegou a dizer que o governo federal caminha a “passos de tartaruga” no combate ao vírus e que “não há diálogo” entre União e Estados. João Doria (PSDB), governador de São Paulo também foi incisivo nas críticas. “Estamos fazendo o que deveria ser feito pelo líder do país, o que o presidente Jair Bolsonaro, lamentavelmente, não faz, e quando faz, faz errado”, criticou Doria.

Crianças e idosos

Bolsonaro defendeu, ainda, a volta às aulas, sob o argumento de que o grupo de risco para o contágio da Covid-19. Sem considerar que as crianas têm contato com pais, avós, professores, motoristas do transporte escolar e prestadores de serviço da área da educação idosos, o presidente questionou o fechamento das escolas.

“O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é de pessoas com mais de 60 anos. Então, por que fechar as escolas?”, indagou.

"Histórico de atleta"

O presidente afirmou que, por ter histórico de atleta, se fosse infectado pelo coronavírus, nada sentiria. Bolsonaro não foi infectado, mas chegou ser considerado suspeito de contaminação, após ter voltado de uma viagem aos Estados Unidos em que 23 membros de sua comitiva tiveram o diagnóstico confirmado da Covid-19.

“No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão”, alfinetou.

Entretanto, vários atletas em atividade e com idade bem inferior à do presidente, relataram grande sofrimento após serem infectados pela doença.

Segundo matéria publicada pelo Uol, o sul-africano campeão olímpico de natação Cameron Van der Burgh, de 31 anos, afirmou ser “de longe, o pior vírus” com o qual já sofreu. O francês Earvin Ngapeth, um dos melhores jogavores de vôlei do mundo, passou três dias na UTI na Rússia por causa da Covid-19. O também francês Rudy Gobert, de 27 anos, que disputa a NBA pelo Utah Jazz é outro que contraria a afirmação de Bolsonaro e afirmou que sofre com os sintomas da doença.

Tratamento

O presidente finalizou o pronunciamento se mostrando esperançoso nos estudos sobre medicamentos para o tratamento da Covid-19, sobre tudo nas pesquisas dos efeitos de remédios à base de cloroquina.

"O FDA americano e o Hospital Albert Einsten, em São Paulo, buscam a comprovação da eficácia da Cloroquina no tratamento da Covid-19. Nosso governo tem recebido notícias positivas sobre esse remédio fabricado no Brasil, largamente utilizado no combate à malária, lúpus e artrite", afirmou.

A cloroquina é um medicamento barato e usado há várias décadas no tratamento da malária, um parasita transmitido por mosquito. Seu derivado, a hidroxicloroquina, é usado contra doenças inflamatórias das articulações.

Em meados de fevereiro, pesquisadores chineses afirmaram ter obtido resultados positivos em ensaios clínicos com cloroquina, entre cem pacientes com Covid-19.

Os efeitos colaterais são múltiplos: náusea, vômito, erupções cutâneas, mas também condições oftalmológicas, cardíacas e neurológicas. Uma overdose pode ser perigosa e os médicos desaconselham tomá-la sem receita médica.

"Esses dois medicamentos têm uma margem terapêutica estreita, ou seja, a dose eficaz e a dose tóxica são relativamente próximas", adverte a Sociedade Francesa de Farmácia.

Veja o vídeo do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro



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