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Estado de Minas

Clubes de futebol criam moeda virtual

A exemplo do Atlético e do Fortaleza, seis times brasileiros negociam criação de suas criptomoedas. Tecnologia pode facilitar geração de receitas e abrir chances de negócios


postado em 01/03/2019 06:00 / atualizado em 01/03/2019 09:21

Moeda do Atlético, de Ricardo Oliveira, foi lançada em dezembro: com a ação, clube espera maior integração com sua torcida e parceiros comerciais (foto: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS )
Moeda do Atlético, de Ricardo Oliveira, foi lançada em dezembro: com a ação, clube espera maior integração com sua torcida e parceiros comerciais (foto: JUAREZ RODRIGUES/EM/D.A PRESS )

As moedas virtuais, também conhecidas como criptomoedas, estão revolucionando o mundo das finanças e criando novas oportunidades de negócios e investimentos. Mas elas não se limitam às grandes transações de Wall Street ou movimentações entre bancos.

Construídas com a tecnologia blockchain, as criptomoedas começam a se consolidar também como importantes fontes de receita para o esporte, desde clubes de futebol até entidades que representam diversas modalidades mundo afora.

No Brasil, os pioneiros a criarem suas próprias moedas virtuais foram o Atlético, com o Galocoin, e o Fortaleza, que lançou o Leãocoin. Essas cédulas digitais possibilitam a comercialização de produtos esportivos e de ingressos de jogos, ou mesmo receber doações de torcedores e empresas apoiadoras – uma alternativa viável para aliviar o caixa dos sempre endividados clubes brasileiros.

O sucesso do sistema foi tão grande que, segundo o empresário José Rozinei da Silva, CEO da Footcoin, empresa que customiza as criptomoedas para o esporte, há seis clubes em negociações avançadas, interessados no modelo.

“O diferencial da plataforma é que, além de incentivar novas receitas, integra fãs, jogadores, mercado financeiro, patrocinadores e clubes ou times de futebol”, afirma Silva, sem revelar nomes e valores envolvidos. “O uso da moeda via blockchain gera a segurança de que os valores transacionados sejam rastreados e destinados adequadamente, gerando um ciclo virtuoso na relação clube e torcedores”, acrescenta.

Segundo ele, o Footcoin.club, em operação desde outubro, já reúne mais de 11 milhões de adeptos no país. “As moedas virtuais, lideradas pelo Bitcoin, têm se mostrado como ativos com melhor desempenho nos últimos 10 anos. A valorização delas superou a S&P, Dow Jones e Nasdaq nesse período”, analisa Anthony Pompliano, da divisão de ativos digitais da agência de investimentos americana Morgan Creek.

SALVAÇÃO É inegável que o Footcoin pisou nos gramados do futebol para, direta ou indiretamente, servir como ponte de salvação dos endividados clubes brasileiros – e se transforme em um salvo conduto para as maiores equipes. Um balanço da consultoria de marketing Sports Value calcula que, até a temporada 2018, os clubes acumulavam um rombo de R$ 6,75 bilhões atribuídos a dívidas fiscais, processos trabalhistas e juros bancários.

Entre os que estão em apuros se destacam Botafogo (R$ 719 milhões), Internacional (R$ 700 milhões), Fluminense (R$ 560 milhões) e Vasco (R$ 506 milhões). Os prejuízos dispararam 77% nos últimos quatro anos.

Nesse mesmo período, a inflação acumulada chegou a 43%. Do total dos quase R$ 7 bilhões, 37% (ou R$ 2,5 bilhões) se referem a obrigações fiscais e multas da Receita Federal. E a dívida cresce à medida que esses encargos, ações judiciais e juros avançam. Em 2011, por exemplo, o Fisco autuou o Atlético Paranaense em R$ 85 milhões. Santos, Goiás e Coritiba também sofreram processos na Justiça.

Investir em jogador é opção


A recuperação das receitas dos clubes é vista também como importante iniciativa para garantir o nível do esporte. Com ou sem o dinheiro da Footcoin, os endividados clubes do futebol brasileiro não param de contratar a peso de ouro. Os investimentos em reforços na janela de transferências chegaram a R$ 287 milhões entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019. 

Segundo a TransferMarket, o Flamengo liderou o giro financeiro do mercado: R$ 91,8 milhões. A cifra inclui os R$ 15 milhões de salários anuais ao meia Gabigol e a mesma importância ao uruguaio De Arrascaeta, que deixou o Cruzeiro. Em segundo, Palmeiras, com R$ 91,3 milhões. Na sequência, São Paulo (R$ 43,2 milhões), Atlético (R$ 20,7 milhões), Corinthians (R$ 19,4 milhões), Santos (R$ 12,7 milhões), Grêmio (R$ 5,8 milhões), Inter (R$ 1,4 milhão), além de Fluminense, Cruzeiro e Botafogo que, escorados em parcerias, teriam tido custo zero.

As operações por meio das Footcoins contam com parceria com grandes operadoras de cartões de crédito, como a Mastercard, algo que aumenta o potencial de compra pelos interessados por meio da moeda virtual do time preferido.

Cada moeda vale um real, o que dá segurança ao investimento concluído. O desenvolvimento do sistema foi concebido pelo próprio José Rozinei da Silva, especialista em modelagem de estruturações financeiras no mercado de capitais, com apoio de André Gregori, ex-sócio do BTG Pactual e atual CEO da Thinseg, eleita uma das 100 empresas mais inovadoras no mundo. O desenvolvimento virtual recorreu aos investimentos de R$ 15 milhões do Fundo de Capital San Francisco, para quem os dois executivos atuam como sócios. “Nosso alvo não era lançar apenas um token, mas sim um marketplace”, afirma Silva.

Uma parceria da Footcoin com a Kipstone Bank permite a emissão de cartões pré-pagos, que viabilizam compras online da moeda. A taxa de adesão é de R$ 25.

A mensalidade custa R$ 6,50. Há tarifas de recarga. Uma das novidades é a hipótese de usar a plataforma para investir em determinados jogadores. As oscilações do atleta se refletem no investimento. O bom desempenho na carreira do craque se converte em lucros eventualmente assegurados no futuro, especialmente nas milionárias transferências ao exterior. “Aí, a moeda terá muita valorização”, acredita Silva. “É uma forma de observar a destinação que se dá ao caixa do clube”, lembra o executivo.

A Footcoin abre alguns horizontes que vão muito além do futebol. Na terça-feira, dia 27, a empresa lançou em Portugal uma idêntica estratégia de investimentos, mas aplicada ao Kickboxing e Muaythai, encarados como chances de negócios tanto na Europa quanto na Ásia. As pessoas podem investir nos lutadores. Será destinado um percentual de 5% aos atletas de baixa renda e aos refugiados.

Entrevista/ José Rozinei da Silva, CEO da Footcoin

Vantagens para o torcedor

 

Na prática, como funciona a Footcoin?

A Footcoin é uma plataforma que usa a tecnologia blockchain de Exchange de moedas virtuais e se integra às plataformas tradicionais de e-commerce do mercado através de ‘token utility’, ou seja, para troca de produtos e serviços. Seu grande diferencial é o marketplace, completo e personalizado, que integra fãs, jogadores, mercado financeiro, patrocinadores e clubes ou times de futebol no formato digital.

O desenvolvimento das moedas é diferente para cada clube?
A plataforma tecnológica é disponibilizada ao clube e parceiros comerciais no modelo de comodato. A partir da avaliação jurídica das alternativas possíveis em função das demandas de cada time e parceiros comerciais, é criado o programa econômico customizado e formas de pagamentos. Por meio da Footcoin, o clube emite um token para a compra de produtos e serviços dentro de seu ecossistema e qualquer parceiro comercial pode atuar junto à comunidade esportiva e o clube escolhido.

"O uso da moeda via blockchain gera segurança na relação entre clube e torcedores"

José Rozinei da Silva



Então, funciona como um sistema de pontos?
Os torcedores e fãs iniciam a jornada no marketplace do seu time com a aquisição da moeda criptografada que funciona como forma de pagamento. A partir daí ele tem acesso às vantagens, como ingressos antecipados para os principais jogos, experiências exclusivas com os jogadores, camisas do time, além de produtos e serviços oferecidos pelos parceiros da plataforma, como restaurantes, companhias aéreas, lojas. Semanalmente ou diariamente, conforme o produto, a Footcoin realiza a liquidação das moedas pagas aos parceiros, mediante resgate.

Quais são as vantagens?
Os descontos dos produtos no marketplace são partilhados entre o clube, o torcedor e os custos da plataforma. O uso da moeda via blockchain gera a segurança de que os valores transacionados sejam rastreados e destinados adequadamente, gerando um ciclo virtuoso na relação entre clube e torcedores. O parceiro comercial não vai receber em token, isto porque, de forma única no mundo, a Footcoin apresenta soluções e meios de pagamentos que isolam os parceiros comerciais dos riscos de transações com moedas virtuais. Ou seja, os token são utilizados como sistema de controle das transações, mas os parceiros comerciais recebem em reais, sem qualquer risco das flutuações da moeda virtual.

 


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