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Estado de Minas

Sócio de Neeleman na TAP dá calote em fundo chinês

HNA, que também já foi acionista da Azul e está ao lado do empresário em outra companhia aérea, passa por dificuldades financeiras e deixou de pagar dívida de 37,4 milhões de euros


postado em 17/09/2018 06:00 / atualizado em 17/09/2018 08:27

Parceiro na empreitada de aquisição da companhia aérea portuguesa, David Neeleman, da Azul, pode enfrentar turbulência (foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP 6/2/16)
Parceiro na empreitada de aquisição da companhia aérea portuguesa, David Neeleman, da Azul, pode enfrentar turbulência (foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP 6/2/16)

São Paulo – O empresário David Neeleman, que no Brasil é o principal acionista da companhia aérea Azul, pode ter de enfrentar dificuldades com um de seus sócios na Atlantic Gateway (controladora de outra empresa do setor, a portuguesa TAP) e na francesa Aigle Azur. O grupo chinês HNA deixou de pagar uma dívida de 37,4 milhões de euros, segundo informações divulgadas pelo fundo de investimentos do país asiático, o Hunan Trust.

Por meio de uma carta enviada aos investidores, o Hunan Trust informou que a HNA não honrou uma dívida de 300 milhões de yuans (37,4 milhões de euros), que venceu em 10 de setembro, “apesar das várias tentativas para comunicar com a HNA por telefone ou reunir pessoalmente.”

O grupo chinês, junto de David Neeleman e do empresário português Humberto Pedrosa, detém 45% do capital da TAP. O governo é dono de 50% e os trabalhadores da companhia aérea possuem os 5% restantes. O HNA entrou no capital da Aigle Azur em 2012, quando passou a deter 48% das ações. Neeleman ingressou na companhia aérea francesa no ano passado, com a aquisição de 32% dos papéis, e transformou a empresa em parceira da Azul nos voos entre França e Brasil.

O empréstimo junto ao fundo Hunan Trust foi contraído por meio de uma de suas subsidiárias, a HNA Innovation, listada na bolsa de Xangai, com garantia do HNA Tourism, a divisão de negócios que responde pela maior parte da receita do grupo chinês. Ainda de acordo com a carta, agora o fundo tentará confiscar os ativos dessas duas subsidiárias na tentativa de recuperar o capital.

MUITAS AQUISIÇÕES  O Hunan Trust pertence ao governo da província de Hunan, na região central do território chinês. Já o grupo HNA é um dos maiores grupos privados do país asiático, além de manter uma série de investimentos no exterior. Algumas dessas participações foram vetadas por órgãos reguladores por conta da dificuldade em mapear a sua estrutura acionária. Entre as empresas nas quais tem participação estão Hilton Hotels, Swissport, Deutsche Bank, Virgin Austrália. Nos últimos dois anos, foram gastos cerca de US$ 50 bilhões, entre investimentos e compras de participações. Com tantos desembolsos, sua dívida no fim de 2017 já chegava a US$ 94,8 bilhões de dólares, um aumento de 36% em relação ao ano anterior.

A inadimplência revelada pelo fundo Hunan Trust reforça a existência de sérios problemas de caixa, apesar da entrada de 15 milhões de euros após a venda de ativos. A expectativa para este ano era de que o HNA conseguiria melhorar as contas em US$ 18 bilhões por meio da estratégia de venda de suas participações em vários negócios.

O grupo também decidiu desmobilizar o capital investido na brasileira Azul por meio de uma de suas subsidiárias, a Hainan Airlines, em junho passado. A opção foi fazer uma oferta pública de ações no exterior. Com isso, deixou de ser listada entre os acionistas da companhia de Neeleman e perdeu o direito de indicar integrantes para o conselho de administração da empresa de aviação.

O HNA é um grupo chinês, fundado em 1993, que começou como uma pequena companhia aérea regional. Nos últimos tempos, ganhou fôlego para expandir seus negócios para as áreas de transporte, logística e turismo. Grande e com vários investimentos, chegando a ativos calculados em 123 bilhões de euros, vem passando por dificuldades há algum tempo.

Em julho do ano passado, por exemplo, inaugurou o primeiro voo direto entre Portugal e China, mas menos de um ano depois anunciou que suspenderia a operação dessa rota entre outubro e março do ano que vem. Em agosto, o HNA já tinha apresentado problemas para honrar pagamentos e esteve ameaçado de não arcar com outro empréstimo, de 124 milhões de euros.

Por conta da má fase, sua operação tem sido supervisionada por um grupo de credores, sob a liderança do Banco de Desenvolvimento da China. Procurada, a TAP no Brasil não respondeu até o fechamento desta edição.

MORTE Em julho, Wang Jian, de 57 anos, presidente do grupo HNA, morreu após uma queda, enquanto tentava fazer uma foto em um passeio pela região de Provence, no Sul da França. O acidente aconteceu depois de o empresário subir em um parapeito alto para registrar a imagem.

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