Brasília – Entre as promessas de fim de ano inclua a de mudar o comportamento para não cometer os mesmos equívocos do passado e evitar dor de cabeça. Conquistar a tão sonhada tranquilidade financeira passa por rever a forma de lidar com dinheiro e consumo. Controle sobre o orçamento familiar é fundamental para não se arrepender das escolhas nos próximos 12 meses. Aproveite o novo ano para incorporar novos hábitos.
Uma dica básica de todos os especialistas é não gastar mais do que ganha. Por isso é importante saber, e ter anotado em planilhas, toda a renda e também as despesas essenciais, aquelas que são obrigações mensais. “Ajuste o padrão de vida à renda. Coloque na ponta do lápis os gastos fixos, esporádicos e supérfluos do mês para não deixar que as despesas ultrapassem o valor da receita”, aconselha Sandro Bonfim, superintendente de produtos da Brasilprev, empresa de previdência complementar.
Ter sempre em mente quais tipos de dívidas estão sendo contraídas e tomar cuidados para não incorporar o limite do cheque especial e do cartão de crédito à renda são recomendações que devem ser seguidas à risca. “Também é preciso ficar atento às compras parceladas. Muitas famílias compram várias coisas e perdem a noção da representatividade que essas despesas passam a ter no orçamento. E, claro, se você já tem pendências para quitar, é o momento de não adquirir novas dívidas e cortar gastos”, orienta Bonfim.
Assim como Berenice, dois em cada três brasileiros estão endividados. O educador financeiro e idealizador do canal Eu Defino, Alexandre Arci, explica que muitos acabam inadimplentes por não saber quanto podem gastar e não determinarem limites. “A partir do momento em que sabe até onde pode ir, a pessoa se sente mais resguardada e percebe quando está ultrapassando os limites. Isso ajuda a saber qual é a hora de parar de gastar”, explica. Outra grande armadilha é o cartão de crédito. “É um dinheiro ilusório, que não existe, de fácil acesso e juros abusivos”, complementa o educador financeiro. Os juros do rotativo chegam a 482,1% ao ano.
Carta na manga Poupar não está na cultura dos brasileiros, afirmam os especialistas. Nem para o futuro e nem reservas financeiras para emergência. “Imprevistos todo mundo tem”, aponta Arci. Foi o que aconteceu com o segurança Tiago Alessandro Novaes, 32 anos. Na hora que as dívidas apertaram, precisou pedir um empréstimo porque não tinha dinheiro guardado. “Tinha mês que dava para tirar uma parte da renda, mas com tudo caro e as dívidas, não era sempre que sobrava. Quando precisei de dinheiro foi um sufoco, sem contar nos juros dos empréstimos”, conta. Além disso, Tiago não tem um orçamento familiar, o que dificulta na hora de controlar os gastos. “Tem hora que a gente não sabe nem onde foi parar o dinheiro ou com o que foi gasto, só que está com o bolso vazio”, confessa. “A meta para o ano que vem é se programar melhor”, acrescenta.
O indicado é que cada família tenha guardado o suficiente para manter os gastos essenciais por, no mínimo, três meses. “Quem não está preparado, tem grandes chances de entrar no endividamento”, alerta Arci. Além de pensar na reserva de emergência, incorporar ao planejamento mensal recursos fixos para a poupança de curto, médio e longo prazos são essenciais para uma vida financeira saudável e fundamental para garantir uma aposentadoria tranquila. “Desde o primeiro dia de trabalho pense a longo prazo. Todo mundo tem que começar, e quanto mais novo, terá o fator tempo a seu favor, o que é muito favorável”, recomenda Arci. Defina o valor de acordo com o seu orçamento e o tempo para realização do seu objetivo, e estude a melhor maneira para investir seu dinheiro, ensina o educador financeiro, para quem o hábito de poupar é o caminho para a realização dos planos.
