
O presidente da companhia, Rômel Erwin de Souza, afirmou ontem ao Estado de Minas que as duras medidas são necessárias para manter a capacidade de competição do grupo no cenário desfavorável do consumo de produtos siderúrgicos no Brasil e no exterior. “O próprio resultado aponta de forma clara que é necessário tomar medidas mais drásticas e contundentes para deixar a Usiminas melhor preparada diante dos desafios que o mercado impõe”, disse o executivo.
As vendas da companhia caíram 14% de janeiro a setembro deste ano, na comparação com idêntico período de 2014, acompanhando a média do desempenho do setor no Brasil, estimada em retração de 14,3% pelo Instituto Aço Brasil (IABr). Considerando-se os mesmos meses de 2014, frente a 2013, a empresa havia amargado recuo de 10% no nível de comercialização de seus produtos. A despeito de ter elevado as exportações de 20% para 30% do volume total comercializado no acumulado do ano até setembro, de 1,180 milhão de toneladas, o mercado internacional está afetado, da mesma forma, pelo excesso de capacidade produtiva de aço, calculado em cerca de 700 milhões de toneladas.
Segundo Rômel de Souza, a reestruturação da unidade paulista começa de imediato, devendo se estender por três a quatro meses, prazo para que os equipamentos sejam desligados com a segurança de que possam voltar a operar sem problemas mais à frente. A usina vai cortar o equivalente a 40% do seu quadro de pessoal próprio. Serão suspensas as operações das chamadas áreas primárias: sinterizações, coquerias, altos-fornos, aciaria e atividades associadas. Em funcionamento continuam o terminal portuário e a área de laminação de tiras a frio e a quente da fábrica, que deverá ser suprida por aço da unidade de Ipatinga ou comprado de terceiros, dependendo dos custos de cada opção.
Na tentativa de adequar o ritmo da produção à demanda mais fraca, a companhia já havia paralisado em junho dois altos-fornos, um em Ipatinga, e outro em Cubatão. “É um esforço difícil e pesado que a empresa tem de fazer. Nenhum de nós sente prazer em fazer isso, mas todo o nosso esforço tem de ser no sentido de preservar esse patrimônio”, afirmou o presidente da Usiminas. Na usina mineira, o alto-forno 1 foi desligado em junho e a produção passou a ser operada em seu nível mínimo.
Estão sendo implementadas medidas para redução de custo fixo, que envolveram redução de jornada e de salários durante três meses na sede da empresa em Belo Horizonte, e diminuição e controle de capital de giro, que ficou em R$ 2,4 bilhões no fim do terceiro trimestre, perante R$ 2,7 bilhões de abril a junho. Os investimentos foram reduzidos ao plano de R$ 750 milhões neste ano, frente ao orçamento executado anteriormente de R$ 1 bilhão ao ano.
CRISE INTERNA Além da crise operacional e financeira, a companhia enfrenta um conflito societário, que foi parar na Justiça. entre seus principais controladores, o grupo siderúrgico Ternium e a japonesa Nippon Steel, desde o fim de 2013. Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga, Hélio Madalena, a decisão da Usiminas para a usina paulista representa um ataque à classe trabalhadora. “A desativação em Cubatão revela que a Usiminas quer realizar demissões em massa. A empresa vem tentando há um bom tempo reduzir os salários dos funcionários e como não conseguiu vai demitir em massa para recontratar com salários mais baixos", afirma.
Hélio disse que o sindicato está organizando a mobilização dos trabalhadores da Usiminas em vários pontos do país para impedir as demissões. Ao divulgar o resultado de julho a setembro, a companhia destacou em nota, ontem, que a siderurgia brasileira trabalha com ociosidade superior a 30%. O prejuízo líquido do período, condição que a siderúrgica havia também registrado de abril a junho – de R$ 708,8 milhões –, foi debitado, principalmente, à forte desvalorização cambial, somada às condições desfavoráveis das vendas. (Colaborou Marina Rigueira)
Gerdau reduz investimentos
Maior produtor de aços longos das Américas, o grupo siderúgico Gerdau, de Porto Alegre, encerrou o terceiro trimestre com prejuízo de R$ 1,9 bilhão, revertendo o lucro líquido de R$ 261,95 milhões obtido de julho a setembro de 2014. Como já havia anunciado, a companhia promoveu ajustes ao ambiente de mercado desaquecido, entre eles o corte de investimentos de 21% entre julho e setembro, na comparação com o segundo trimestre do ano. Foram desembolsados R$ 509 milhões, em especial, nos serviços de instalação de um laminador de chapas grossas na usina de Ouro Branco, na Região Central de Minas Gerais, e na construção de um aciaria na Argentina.
Em nota, a Gerdau informou que os dois projetos deverão ser concluídos para entrada em operação dos equipamentos no segundo semestre de 2016. Os aportes feitos pela siderúrgica no acumulado do ano alcançaram R$ 1,8 bilhão. Ainda na linha das medidas para adequar as atividades à retração do mercado de produtos siderúrgicos, a empresa destacou ter reduzido despesas gerais, administrativas e com vendas, o que permitiu maior controle sobre o capital de giro e uma geração de caixa expressiva, de R$ 1,6 bilhão, no terceiro trimestre.
Devido à queda da demanda da construção civil e da indústria no Brasil, as vendas da companhia recuaram 18% ao longo do terceiro trimestre, em relação aos mesmos meses de 2014, atingindo 1,1 milhão de toneladas. Houve, contudo, uma relativa compensação proveniente das exportações a partir do Brasil, que cresceram 179%, ao alcançarem 811 mil toneladas.
Do ponto de vista do faturamento, a receita líquida da Gerdau somou R$ 11,9 bilhões de julho a setembro, representando aumento de 11% na comparação com o terceiro trimestre de 2014. A Gerdau informou que o crescimento resultou dos efeitos positivos da variação do câmbio na conversão para reais da receita apurada em dólares sobretudo pela operação da empresa na América do Norte e pelas exportações a partir do Brasil. (MV)
