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Estado de Minas

Aumento da renda estimula investimento em salões de beleza

Os salões voltados para todos os tipos de clientes. No país, há 2,2 milhões de profissionais trabalhando na área. Em BH, eles já passam de 70 mil


postado em 13/10/2013 00:12 / atualizado em 13/10/2013 07:25

Cida Santos (centro) trouxe os irmãos Sandro, João, Vilma e Eliene da Bahia, realizou seu sonho e agora vai investir na expansão da rede(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press. Brasil)
Cida Santos (centro) trouxe os irmãos Sandro, João, Vilma e Eliene da Bahia, realizou seu sonho e agora vai investir na expansão da rede (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press. Brasil)

 

Espelho, espelho meu, por aqui existe alguém mais lindo do que eu? Se a cidade for Belo Horizonte e o país o Brasil, a disputa é acirrada. A capital dos bares se transformou no paraíso dos salões de beleza, onde um dos mais brasileiros dos negócios se multiplica por bairros e esquinas, movendo um exército de mais de 70 mil cabeleireiros, manicures, maquiadores e afins. Pulverizados em 24 mil salões de porte micro ou grandioso, eles estão prontos para embelezar clientes na exata medida do bolso. O número é maior que o de bares, que na capital dos botecos somam 18,6 mil, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Na artilharia nacional da beleza há 2,2 milhões de profissionais, que empregados ou à frente do próprio negócio atendem clientes nas capitais ou em cidadezinhas, impulsionando a economia onde o negócio formal ainda dá os primeiros passos. Atendendo com glamour e boa vontade, o setor traça em uma escala ascendente resultados que impressionam. As tinturas, tratamentos inovadores e manicures vão movimentar neste ano, de norte a sul do país, perto de R$ 40 milhões em serviços, segundo dados do Euromonitor divulgados pela Associação Nacional do Comércio de Artigos de Higiene Pessoal e Beleza (Anabel). As estatísticas do Sebrae também mostram que no Brasil e em Minas o salão de beleza é o segundo negócio mais aberto pelo microempreendedor individual.

Especialistas apontam a relevância da profissão na inclusão social e para a economia do país, já que abre as portas para o trabalho e a renda. Muitos querem fazer da profissão trampolim para outros setores. Outros sonham em ir longe nesse mercado aberto e promissor, trilhando o caminho como o da baiana Maria Aparecida Santos (Cida Santos).

Aos 15 anos, ainda adolescente, ela se despediu de Itamaraju, no Sul da Bahia, e veio para Belo Horizonte. A bagagem era pequena, não havia emprego certo esperando em Minas e nem dinheiro no bolso. A moradia, a princípio, foi em casa de conhecidos. “Sou muito carismática e logo consegui emprego em um supermercado, o que durou pouco, só até realizar meu sonho”, recorda. O salário de caixa pagava as despesas. Vendendo produtos Demillus financiou seu primeiro curso de cabeleireiro, passaporte para o promissor e competitivo mundo da beleza, onde Cida, como milhares de brasileiros, de forma agressiva, apostou todas as fichas em um só investimento, ou pretensão, sem medo de errar. “O mineiro é muito vaidoso. Adora se cuidar.”

Com recursos do cheque especial, que está entre as linhas de crédito mais caras do mercado, Cida Santos investiu R$ 5 mil em um pequeno salão. “Em dois meses paguei o empréstimo.” Depois de passar por quatro pontos, que iam ficando pequenos para os clientes que se multiplicavam, ela se mudou para o Bairro Sagrada Família, onde na Rua Pintangui atende em sede própria. O Beleza Fashion tem uma carteira de 4,5 mil consumidores em uma espaçosa casa de dois andares. A empreendedora, que fez diversos cursos e faculdade de marketing, se prepara para realizar um projeto ainda maior. Nos próximos dias, vai chegar seu primeiro filho, que nasce dentro de um negócio de família. “Da Bahia trouxe meus irmãos, um a um. Hoje, somos seis trabalhando juntos.” Os planos não consideram nem de perto a queda na confiança do consumidor em sua beleza. “Em um ano e meio vamos abrir a primeira filial. A ideia é ter um salão para cada irmão.”

INCLUSÃO A história de Cida se replica pelo país em maior ou menor intensidade e inspira a veia empreendedora do brasileiro. “O país é o segundo maior consumidor mundial em volume de produtos de beleza e esses serviços geram uma grande inclusão social. É um negócio onde o empreendedor consegue se capacitar de forma rápida e consegue também gerar renda”, defende Marcelo Mattos, diretor de análise de mercado da Anabel. O peso social dos salões de beleza na geração de empregos salta aos olhos. No país predominam os salões com até quatro funcionários, onde brasileiros gastam em média 10% de sua renda.

Na zona rural da pequena Claro das Poções, cidade com pouco mais de 7 mil habitantes no Norte de Minas, Gildete Fonseca trabalhava na roça, plantava feijão, milho e mandioca. Um dia, enquanto remexia a terra, ouviu no rádio a oferta de um curso em Montes Claros e decidiu que podia mudar o rumo da vida. E mudou.

“Nem conhecia a cidade, mas fui lá e fiz o curso, trabalhei de manicure e depois montei meu salão.” No ramo há 10 anos, a empreendedora formalizou o Instituto de Beleza Gyldeth em 2010. “Quando comecei, só tinha meu salão por aqui. Hoje, na cidade já tem perto de 10 estabelecimentos. Salão é igual boteco. Todo canto tem.” Mas ela não reclama da concorrência. “Criei três filhos. Minha sede é própria, construí minha casa e comprei meu carro.”

O economista Raul Duarte Neto, da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBS), destaca que o crescimento da indústria da beleza ficou evidente depois do Plano Real e se intensificou na última década por causa do aumento do poder de compra do brasileiro. Segundo ele, nos últimos 15 anos houve  aumento das vendas no setor na ordem de 10% anualmente. Ele ressalta que os salões são um negócio democrático, que se populariza nos bairros de elite e nos mais simples. “Enquanto a renda do brasileiro for crescente, o segmento de produtos de beleza vai continuar crescendo”, aposta.

 

(foto: ARTE EM)
(foto: ARTE EM)
 

 

 


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