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Estado de Minas DESALOJADOS

Indígenas de São Joaquim de Bicas ocupam linha férrea em protesto

Os indígenas da aldeia Naô Xohã afirmam que tiveram que sair da aldeia depois da cheia do Rio Paraopeba nas últimas chuvas e reivindicam um novo território


25/01/2022 11:24 - atualizado 25/01/2022 13:31

Indígenas realizam protesto
Indígenas reivindicam o reassentamento das famílias em novo território (foto: Redes sociais/reprodução)

 
Os indígenas Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe, da aldeia Naô Xohã, atingidos pelo rompimento de barragem da Vale em Brumadinho, em 2019, fecharam a linha do trem Fecho do Funil e da rodovia RFFSA, na divisa entre Brumadinho e São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de BH, na manhã desta terça-feira (25/1). O rompimento da barragem da  mina do Córrego do Feijão completa três anos.

 
Eles alegam que depois da cheia do Paraopeba, a água contaminado por metais pesados, invadiu a aldeia. Os indígenas foram resgatados pelo Corpo de Bombeiros e abrigados em uma escola municipal de São Joaquim de Bicas.

Os indígenas apresentam os relatórios do IGAM (2021) e da SOS Mata Atlântica (2020), que atestaram a  presença de metais pesados, como cobre, manganês e sulfetos nas águas do rio Paraopeba
 
Os indígenas reivindicam o reassentamento das famílias em novo território. Pedem também barracas de camping para abrigar a comunidade indígena provisoriamente até a construção de casas tradicionais. 
 
As famílias ainda solicitaram um salário mínimo para cada indígena da comunidade, independentemente de idade, até que o processo de reparação integral seja finalizado. Solicitam ainda realização de um diagnóstico de saúde de forma emergencial.
 
O rompimento da barragem levou a morte de 270 pessoas, sendo que 263 foram localizadas pelo Corpo de Bombeiros. Ainda faltam seis vítimas, que ainda não foram encontradas. Um ato foi realizado nesta terça (25/1) em Brumadinho em memória dos três anos da tragédia. 
 

Outro lado


Por meio de nota, a Vale afirmou que tem prestado assistência para moradores da Bacia do Rio Paraopeba, e que apresentou propostas para auxílio aos indígenas da aldeia Naô Xohã.

Confira na íntegra: 

"A Vale tem prestado assistência diante das consequências das fortes chuvas que atingiram algumas regiões de MG no início de janeiro. Na Bacia do Paraopeba, entre Brumadinho e Pompéu, já foram entregues mais de 481 mil litros de água mineral engarrafada, além de cestas básicas, colchões, produtos de limpeza e de higiene pessoal. Nossas equipes de Relacionamento com a Comunidade e Relacionamento Institucional também seguem em contato com os moradores e as prefeituras municipais para colher demandas, dar informações e prestar o suporte necessário, de forma voluntária e com intuito humanitário.

Nesse mesmo sentido, a Vale participou de uma reunião com representantes do Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU), Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e lideranças indígenas, em que foram apresentadas propostas de auxílio humanitário decorrente das intensas chuvas que afetaram a aldeia Naô Xohã, em São Joaquim de Bicas.

Na ocasião, a empresa reiterou seu compromisso com o cumprimento das medidas de reparação iniciadas após o rompimento da barragem B1, especialmente referente ao programa de suporte econômico complementar, tendo sido já realizado repasse único e antecipado de valores que seriam recebidos a título de pagamento emergencial até dezembro de 2023, conforme acordado com as instituições de justiça, a FUNAI e os indígenas. Além disso, a empresa segue dando celeridade às obrigações para reparação definitiva aos indígenas e mantém o atendimento complementar de saúde ao grupo."


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