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Estado de Minas SAÚDE E INOVAÇÃO

Aumento da atividade neuronal pode auxiliar no combate ao câncer de pele

Pesquisa brasileira identificou que a superativação de neurônios sensoriais é capaz de inibir crescimento do melanoma


11/04/2022 11:53 - atualizado 11/04/2022 13:48

Melanoma
Pesquisadores aplicaram, em camundongos, uma técnica conhecida como quimiogenética, que consiste no uso de drogas sintéticas junto a modificações na sequência do DNA (foto: Pexels/Divulgação)

Um artigo científico publicado na revista ActaNeuropathologica Comunications mostrou que o aumento da atividade de neurônios sensoriais pode conter a progressão do câncer de pele do tipo melanoma. Os pesquisadores aplicaram, em camundongos, uma técnica conhecida como quimiogenética, que consiste no uso de drogas sintéticas junto a modificações na sequência do DNA.

Os nervos sensoriais, responsáveis pelas funções involuntárias do corpo, como respiração e batimentos cardíacos, também se infiltram nos tumores cancerígenos, integrando o microambiente tumoral. Essa descoberta recente, também liderada pelos pesquisadores, levou-os a uma nova indagação: "Será que atividade neural pode controlar a progressão do câncer no organismo?".

Surpreendentemente, o resultado foi que, ao inibir a atividade de neurônios sensoriais, os tumores cresceram mais, entretanto, com a superativação dos neurônios sensoriais, o crescimento do tumor foi inibido. O estudo constatou, também, que o aumento na atividade desses neurônios diminuiu os vasos sanguíneos ligados ao câncer, reduzindo o oxigênio e nutrientes necessários para o crescimento do tumor.

Microambiente é composto pelas células do sistema imunológico, como linfocitos, neutrófilos, macrófagos, células dendríticas e outras, por outros tipos de células e por nervos sensoriais, que infiltram o tumor como descoberto neste estudo da UFMG. Mas esses componentes não são inertes, alguns podem estimular o crescimento das células do câncer, enquanto outros, como os nervos sensoriais, podem bloquear seu crescimento.

Coordenada por Alexander Birbrair, professor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais, a pesquisa joga luz sobre a importância da preservação dos nervos sensoriais em indivíduos acometidos pelo câncer. Sabe-se que vários tratamentos quimioterápicos são nocivos aos pacientes e podem, além de tentar matar as células malignas, afetar os nervos sensoriais.

"O princípio da quimioterapia é matar todas as células que estão em crescimento. O problema é que não somente as células de câncer crescem e se renovam. Assim, a quimioterapia acaba matando muitas outras células normais", conta o professor.

Os autores vislumbram que a descoberta possa ajudar a criar mecanismos mais eficientes e específicos no tratamento de outros tipos de câncer, como de  mamapróstata e pulmão. A pesquisa tenta mostrar uma alternativa de atacar as células tumorais, sem afetar as células saudáveis do microambiente.

O grupo recebeu financiamento do Instituto Serrapilheira e tem apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológicos (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

O estudo


câncer é considerado o principal problema de saúde pública no mundo e, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), está entre as quatro principais causas de morte antes dos 70 anos na maioria dos países. Dentre os vários tipos existentes, o melanoma é considerado o tipo mais agressivo de câncer de pele é um problema mundial.

As causas do desenvolvimento do câncer, inclusive o melanoma, podem ser variadas, tanto genéticas como ambientais ou derivadas de outros problemas. O que eles têm em comum é a presença de células que não param de crescer. A partir desses dados, os pesquisadores deram início às investigações para descobrir um método para inibir esse crescimento das células cancerígenas.

"Realizamos transplantes de células de câncer em camundongos transgênicos, com nervos sensoriais demarcados com fluorescência vermelha, para detectar a presença das fibras do sistema nervoso no microambiente tumoral do melanoma. Em seguida, utilizamos a quimio genética para bloquear ou superestimular a atividade dos neurônios sensoriais dentro dos tumores", esclarece o coordenador do estudo.

Apesar de iniciais, as descobertas trazem contribuições que podem se tornar relevantes para o tratamento dos diversos tipos de câncer. Isso abre as portas para uma possibilidade futura de tratamento que pode agir justamente no papel desses nervos no microambiente tumoral. "Imagine controlar um tumor dentro dele de forma que ele promova a própria extinção?", finaliza Birbrair.


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