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Estado de Minas MELANOMA

Pesquisadores da UFV desenvolvem molécula capaz de tratar câncer de pele

Uma pomada e um gel transdérmico podem vir a ser a primeira medicação de uso tópico do mundo para tratamento de câncer


14/01/2022 12:39 - atualizado 14/01/2022 15:16

Melanoma
Entre os vários tipos deste câncer, o melanoma é o mais agressivo e letal e registra mais de oito mil novos casos a cada ano (foto: National Cancer Institute/Reproducao da internet)

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) estão desenvolvendo duas formulações farmacêuticas, uma pomada e um gel transdérmico, muito promissoras para tratar o melanoma. Se tudo der certo, esta será a primeira medicação de uso tópico do mundo para tratamento de câncer. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o câncer de pele responde por 33% de todos os diagnósticos oncológicos no Brasil. São 185 mil novos casos por ano.

Entre os vários tipos deste câncer, o melanoma é o mais agressivo e letal e registra mais de oito mil novos casos a cada ano. Quando detectado precocemente, o tratamento costuma ser cirúrgico, mas a reincidência é muito comum, bem com a metástase para outros órgãos.

 

Os medicamentos de uso tópico são veículos para uma molécula totalmente inédita, desenvolvida em laboratório pela professora Marisa Alves Nogueira Diaz, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular (DBB).

Desde o seu pós-doutoramento, ela já vinha estudando uma família de compostos naturais que interagem com as moléculas de DNA, impedindo a proliferação de células cancerosas. De volta à UFV, Marisa propôs algumas mudanças químicas, criando vários compostos diferentes.

Em parceria com a professora Anésia dos Santos, do Departamento de Biologia Geral, foram testados os compostos em laboratório até chegarem a uma molécula que apresentou um grande potencial para matar células cancerosas, sem afetar as saudáveis. Foi então que as equipes das pesquisadoras se juntaram à do professor Tiago Mendes, também do DBB, para ampliar os estudos e propor o desenvolvimento de produtos para uso na pele com melanoma.

 

A parceria rendeu um artigo publicado, em dezembro do ano passado, na revista de alto impacto científico, Chemico-Biological Interactions. Os testes ainda estão em fase pré-clínica, ou seja, feitos em camundongos inoculados com melanoma.

Mas os pesquisadores explicam que, além da eficácia em destruir as células cancerosas, a substância, chamada de Derivado de Dibenzoylmetano (DPBP), tem um altíssimo grau de seletividade, o que dá segurança ao medicamento.

“Identificamos que o DPBP tem alto grau de segurança porque apresenta um potencial 40 vezes maior de agir nas células doentes que nas saudáveis, ou seja, a ação é seletiva. Para afetar uma célula saudável seria preciso uma concentração 40 vezes maior do que a que estamos propondo nos produtos”, disse a professora Marisa.

 

A descoberta dos pesquisadores, publicada no artigo, é uma promessa de sucesso para as próximas fases das pesquisas. Nelas, é necessário testar se a substância é capaz de afetar outras células ou causar algum tipo de intoxicação, o que parece não ser o caso da DPBP. “Já estamos começando os testes de farmacocinética e toxicidade para avaliar estes parâmetros e o próximo passo, então, será testar a medicação em humanos com melanoma”, explicou a professora.

 

De acordo com o professor Tiago, o uso da pomada ou do gel transdérmico não exclui a retirada cirúrgica dos melanomas. Ele explica que as cirurgias só extirpam as partes visíveis das lesões na pele. O que sobra, e não é visto, pode regenerar a lesão ou silenciosamente, provocar uma metástase em outros órgãos. O gel vai agir matando as células que sobraram. Já a pomada, de uso mais superficial, poderá ser formulada juntamente com um filtro solar, com uso indicado para prevenir a reincidência do câncer.

 

As pesquisas com os derivados do DPBP já resultaram em duas teses de doutorado e foram financiadas pelo CNPq, Fapemig e Programa de Pesquisa para o SUS/PPSUS. Os pesquisadores também já têm uma patente do produto, autorizada, no último ano, pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

Outros quatro compostos que apresentam atividade tumoral contra o melanoma também já foram submetidos ao INPI para registros de patentes. Agora, a equipe está estudando o uso deles também como medicamentos anti-inflamatórios.

 

Com os dados promissores do artigo publicado, já há empresas especializadas em pesquisas com melanoma interessadas em dar continuidade aos estudos na UFV, o que deve gerar novas teses e dissertações.

 


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