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Estado de Minas SAÚDE

Aumentam casos de queimaduras graves causadas pelo uso de álcool em BH

Equipe do Hospital João XXIII mostra preocupação com os dados de internações em terapia intensiva e enfermaria em 2020 e nos primeiros meses de 2021


07/06/2021 16:08 - atualizado 07/06/2021 17:25

Hospital João XXIII, referência em atendimento a grandes queimados(foto: Google Street View)
Hospital João XXIII, referência em atendimento a grandes queimados (foto: Google Street View)
O uso de álcool líquido e em gel é importante para a limpeza, especialmente durante o combate à pandemia do coronavírus. Entretanto, a utilização em excesso e o manuseio incorreto do produto pode causar queimaduras graves.

 

De acordo com o Hospital João XXIII, em 2020, os dados de internações na enfermaria foram, no total de 430 pacientes, 93 com queimaduras provocadas por álcool. Os casos mais graves e que foram encaminhados para a UTI equivalem a mais de 30%, sendo 39 dos 110 pacientes totais.

 

Já de janeiro a abril de 2021 ocorreram 138 internações, 40 delas por queimaduras em decorrência do uso de álcool. Na UTI de queimados, durantes esses quatro meses, mais de 40% dos 41 pacientes foram internados por causa do uso do produto.

 

Utilização adequada

Kelly Danielle de Araújo, cirurgiã plástica e coordenadora da Unidade de Tratamento dos Queimados, relaciona o crescimento do risco de explosão à utilização incorreta e armazenamento doméstico do álcool. “As queimaduras por fogo costumam ser as mais profundas e, por isso, as mais graves. Há ainda o perigo da inalação de fumaça e, por consequência, a queimadura de vias aéreas. Por isso, não recomendamos o uso de álcool para higienização da casa, tampouco para assepsia de mãos em ambiente doméstico”, informa.

 

De acordo com a cirurgiã, para lavar as mãos em casa, é preferível utilizar água e sabão, esfregando as palmas, o dorso, os dedos e as unhas por pelo menos 20 segundos antes do enxague. Para a limpeza da casa, substitutos do álcool e sanitizantes, como a água sanitária na concentração de 2,0% a 2,5%, são a melhor opção. 

 

O álcool deve ser manuseado somente fora de casa, quando não existem outras formas de higienização das mãos. Kelly Araújo apresenta uma alternativa, a espuma antisséptica com clorexidina, que não tem riscos de causar combustão e não necessita do uso de água. 

 

Cuidados com as crianças em casa

 

Em 2020, o Hospital João XXIII admitiu 1.537 pacientes com queimaduras, sendo que 922 foram causadas por contato com líquidos muito quentes (escaldaduras). Crianças de 0 a 11 anos são 181 dos casos totais.

 

A quarentena tem trazido mais preocupação para Kelly Araújo. “Pedimos aos pais que tomem bastante cuidado com panelas quentes, não as deixando na beirada do fogão e sempre com os cabos virados para o fundo”, ela informa.

 

A cirurgiã também alerta sobre as queimaduras elétricas. “Se possível, indicamos o uso de protetores de tomadas para evitar que as crianças coloquem o dedo e se queimem”, avisa.

 

Fábio Lúcio Oliveira Costa, autônomo, conta que em 2018 sua filha, Luíza, na época com 1 ano e 8 meses, passou 14 dias internada por causa de um acidente doméstico. “Eu estava me preparando para ir trabalhar e deixei o ferro de passar esquentando, na tomada, por alguns segundos. Nesse curto intervalo de tempo, ela acordou, saiu da cama e encostou a mão na parte quente. Saímos desesperados para o posto de saúde. A queimadura foi tão grave que ela foi encaminhada com urgência para o João XXIII”, conta. Luíza necessitou realizar um enxerto, mas Fábio informa que ela se recuperou e só possui uma cicatriz.

 

Junho Laranja

 

O dia 6 de junho é definido como o Dia Nacional de Luta contra Queimaduras pela Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ). Em decorrência da campanha de conscientização da população e das autoridades na prevenção de acidentes com queimaduras, o mês de junho ficou conhecido como Junho Laranja.

 

O aumento dos casos de queimadura por álcool chamou a atenção da SBQ, que definiu assim, que neste ano o tema da campanha é “Álcool e Fogo: mantenha distanciamento. Contra queimaduras, prevenção é a vacina”. 

 

Diversos prédios como o Hospital João XXIII, Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII) e o Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), estão iluminados com a cor laranja para a campanha. 


*Estagiária sob supervisão da editora-assistente Vera Schmitz 


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