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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Poupar deve ser meta e compromisso: educação financeira é a saída

A importância da saúde financeira na vida de cada um é essencial para manter a qualidade de vida e bem-estar em todas as esferas sociais


31/01/2021 04:00 - atualizado 28/01/2021 11:12

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)


Pesquisas sobre a importância da educação financeira comprovam que o maior problema não é o quanto se ganha, mas como se gasta. Ter consciência dessa relação é fundamental para ter boa relação com o dinheiro. O economista Ivan de Melo Nogueira, professor de ciências contábeis da Estácio BH, avisa que é importante “poupar” e que esse aprendizado deveria começar na escola, com a mesada, com o saber investir, economizar e gastar o necessário.

Ivan Nogueira destaca que quem perde o controle da saúde financeira viverá interferências no comportamento psicológico e familiar: “Para sobreviver com qualidade é fundamental saber controlar, entender, estabelecer e ter prioridades de como gastar seu dinheiro. Com controle, é possível para muitos ter uma poupança ou investimento. Não é só trabalhar para pagar boleto, ser privado de tudo, até porque é preciso estar atento com a saúde mental. Não é ser escravo do dinheiro”.

O economista enfatiza que o importante é aprender a dividir o que ganhar para multiplicar, principalmente quem tem um orçamento restrito. É possível fazer uma confraternização com familiares e amigos dividindo as despesas, adquirir um bem, de repente uma casa de campo, tendo como sócio um amigo ou irmão, sabendo que toda sociedade tem risco. Mas conseguirá investir. Enfim, há saídas.

Ivan Nogueira, professor de ciências contábeis da Estácio BH, avisa que é importante poupar e que esse aprendizado deveria começar na escola, com a mesada, com o saber investir, economizar e gastar o necessário(foto: Arquivo Pessoal)
Ivan Nogueira, professor de ciências contábeis da Estácio BH, avisa que é importante poupar e que esse aprendizado deveria começar na escola, com a mesada, com o saber investir, economizar e gastar o necessário (foto: Arquivo Pessoal)
 

Ivan Nogueira alerta que a primeira atitude é registrar no papel, visualmente, o que ganha, a receita de toda a família e, depois, quais os gastos prioritários de que não pode abrir mão. Tudo na ponta do lápis para saber onde está sangrando o dinheiro. Pode ser a conta do celular. Trocar o pós-pago para o pré-pago e, caso os créditos acabem, saber que terá de esperar o próximo mês para voltar a falar. Ter uma planilha com as fontes de receitas, que sempre serão menores, e de gastos, que terá de suprir. “Educação financeira é ter essa clareza.”

Como professor, Ivan Nogueira conta que sempre pergunta aos alunos qual é a parte do corpo que dói mais. A maioria erra, e a resposta é: “o bolso”. Como a receita é poupar, o economista lembra que no cenário ideal a conta é: 50% para gastos essenciais, 30% para os emergenciais e 20% para economizar com poupança e investimentos. Portanto, se ganha R$ 1 mil, guarda R$ 200 e no fim de 12 meses terá R$ 2.400, que investidos renderão ainda mais e serão uma bola de neve positiva. Já no cenário real da maioria dos brasileiros, ele lembra que para milhares “o que se ganha paga dívidas, gastos e pode sobrar ou não e até faltar. É o grande perigo, a bola de neve negativa”.

Neste país de miseráreis e mais de 14 milhões de desempregados, quem tem o privilégio de ter uma sobra tem de poupar, economizar. Ivan Nogueira alerta que “viver bem não é esbanjar tudo que ganha. Não é gastar tudo hoje porque não sabe o que virá amanhã ou porque caixão não tem gaveta. Pensar assim é um tiro no pé. Não ter esse controle acelera o adoecimento físico e mental. É fato. Na pandemia, quem quis aprender saiu melhor com um ensinamento gigantesco de como ter saúde financeira. Muitos entenderam ser possível gastar menos, que não tem de sair todos os dias, que pode cozinhar em casa. Teve quem conseguiu uma reserva até para investir em imóveis, o mercado está aquecido. Enfim, muitos têm adotado novo estilo de vida e comportamento. Quando a vida voltar ao normal, os gastos vão aumentar, mas quem percebeu o resultado, seguramente não vai agir como antes, na mesma proporção, mas com readequação e readaptação.”

IMPACTOS NO TRABALHO 


Já Mirian Travain, diretora de RH da Xerpa e psicóloga, explica que saúde financeira é saber administrar bem seu dinheiro e conseguir evitar dívidas. É o equilíbrio entre o que você ganha e o que pode gastar. E depois conseguir fazer um planejamento para o momento presente e para o futuro. Isso vale para pessoas e empresas. É sempre importante considerar o padrão pessoal, considerar os planos e estilo de vida. Missão das mais difíceis, já que dados de um estudo do SPC Brasil e Comissão de Valores Imobiliários (CVM) mostrou que apenas 10% dos brasileiros estão preparados para lidar com uma despesa inesperada, 27% temem que o dinheiro não dure o mês todo e 64% vivem no limite do orçamento.


(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

Devemos olhar para a saúde financeira com o mesmo cuidado que olhamos para a física e mental. Problemas em qualquer uma delas afeta diretamente a outra

Miriam Travain, diretora de RH da Xerpa e psicóloga



Há quem tem dinheiro e não tem educação financeira, só sabe gastar. E quem não tem e é impossível ter alguma reserva. Na análise de Mirian Travain, vivemos um cenário complicado no mundo, que se agravou por conta da pandemia, com altos índices de endividamento e aumento do desemprego. Portanto, é natural que esses dois polos existam. “Mas quando falamos sobre educação e consciência financeira é também sobre entender, em ambos os polos, quanto ganha, quanto gasta e, em alguns momentos, quanto falta, alinhando as expectativas e possibilidades financeiras particulares de cada um. Mas nos dois casos é válido ter metas, entender o que dá para mudar, o que precisa permanecer. Poupar, o mínimo que conseguir, se conseguir, já é poupar.”

Mirian Travain destaca que o que sentimos e vivemos quando estamos com algum problema financeiro é individual, mas podemos dizer que, em sua maioria, o desequilíbrio financeiro pode desencadear falta de concentração, irritabilidade, fadiga, baixa produtividade no trabalho e queda na autoestima. A orientação financeira é tão importante que reflete nas demais áreas. É um assunto que tem surgido mais em rodas de conversa e dentro das empresas, que buscam soluções e benefícios que possam auxiliar. “Devemos olhar para a saúde financeira com o mesmo cuidado que olhamos para a física e mental. Ter problemas em qualquer uma delas significa afetar diretamente a outra.”

Com foco nos trabalhadores, Mirian Travain lembra que o impacto é na produtividade ao lidar com a falta de concentração, maior distração e, por consequência, queda na entrega. “O ciclo é ainda maior porque ele sabe que não está apresentando seu potencial máximo, resultando em baixa autoestima no ambiente de trabalho, ansiedade, irritabilidade, falta de motivação, entre outros. Um estudo de 2019 da PWC mostrou que 49% dos colaboradores gastam cerca de três horas por semana lidando com questões de finanças pessoais. Ou seja, são 20 dias por colaborador a cada ano, dedicados exclusivamente a questões financeiras.”
  

FAÇA RESERVA DE EMERGÊNCIA 


A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) ensina como montar uma reserva de emergência e passar com 
mais tranquilidade por momentos de crise, seja qual for.

1 - Reserva de emergência: 
O primeiro passo é entender a importância da reserva de emergência, que é aquele dinheiro que você vai guardar, pouco a pouco, e só vai usar em casos de extrema necessidade.

2 - Monte seu orçamento: 
Faça seu orçamento pessoal ou familiar, ou seja, o registro de suas entradas e saídas financeiras. Para isso, é fundamental criar o hábito de anotar tudo e calcular a média mensal de quanto ganha e gasta para chegar ao valor necessário para sua reserva. A reserva de emergência deve ter de três a 12 vezes o dinheiro que você precisa para viver. Ou seja, se sua família gasta R$ 3 mil por mês, deve se planejar para ter uma reserva de, no mínimo, R$ 9 mil. Se você estiver num emprego estável, três meses de reserva podem funcionar. Mas, se for autônomo, mais suscetível às altas e baixas do mercado, pense em guardar o equivalente entre seis e 12 meses de gastos.

3 - Faça sobrar: 
É preciso não gastar mais do que se ganha, ou seja, fazer sobrar algum dinheiro no fim do mês. Não importa o valor. Se esse mês sobraram R$ 20, guarde-os mesmo assim, pois tão importante quanto ter dinheiro de reserva é “mudar a chave” e enxergar o valor de estar protegido quando a vida sai um pouco do eixo. Se acha difícil encontrar essa sobra, reveja todos os custos e identifique onde pode cortar. Ou, quem sabe, vale repensar o estilo de vida. Já se sente dificuldade em se organizar para separar a dinheiro que será guardado, há truques e técnicas, como a dos envelopes. Envelope 1 para gastos com a moradia (aluguel, IPTU, telefone, internet, água, luz); envelope 2 para alimentação, limpeza e higiene; envelope 3 para saúde; envelope 4 para transporte; envelope 5 para vestimenta e beleza; envelope 6 para educação; envelope 7 para lazer; envelope 8 para dívidas, etc. (https://meubolsoemdia. com.br/Materias/tecnicas-para-guardar-dinheiro-envelopes)

4 - Escolha o investimento: 
Para escolher uma aplicação adequada para imprevistos, considere aquelas com melhores retornos, mas principalmente que tenham liquidez, ou seja, que você possa resgatar o dinheiro a qualquer hora sem perdas financeiras.

5 - Tenha consciência: 
O mais importante da reserva de emergência é ter consciência sobre quando recorrer a ela. Se a situação apertou, use-a, sobretudo em contextos mais difíceis, como o desemprego. Evite utilizar esse dinheiro para gastos que não são essenciais, como o sustento da família ou compras que possam esperar um pouco mais.


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