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Black Friday: um balde cheio de oportunidades ou de armadilhas?

Tudo depende da forma como a gente resolve encará-la. Quando o assunto é o nosso dinheiro, é ainda mais importante pensar sobre isso


25/11/2020 07:29 - atualizado 25/11/2020 08:32

As 'promoções' estão aí, mas você precisa pensar bem antes de comprar(foto: GABRIEL BOUYS / AFP)
As 'promoções' estão aí, mas você precisa pensar bem antes de comprar (foto: GABRIEL BOUYS / AFP)


O fim de 2020 já nos deixa, naturalmente, um pouco mais otimistas. Sentir que um ano tão difícil, confuso e cheio de incertezas está terminando soa como um suspiro de alívio para os ombros cansados de toda essa bagunça. 

Mas mesmo nesse clima esperançoso e confiante, eventos comerciais como a Black Friday podem trazer, na verdade, um balde de água fria para quem não está com a conta bancária no azul ou vive no limite do que recebe a cada mês.

Nesse período, em que somos incentivados, o tempo todo, a fazer compras — ao assistir TV, acessar nossas redes sociais, conversar com amigos ou, simplesmente, ao andar na rua —, é importante analisar bem as oportunidades e olhar, de forma racional, para o nosso dinheiro.

É difícil, nós sabemos. Mas é um exercício importante.

A autossabotagem é um problema real

“Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Lá em 2002, tio Ben deu a dica para o Peter Parker no primeiro filme do Homem-Aranha, mas ela também serve pra nós quando o assunto é dinheiro.

Nosso cérebro é uma ferramenta poderosíssima que nos ajuda a tomar decisões. Só que isso vem com um preço: por aprender rápido e procurar por padrões, muitas vezes, ele acaba se acostumando a fazer escolhas ruins para nossa saúde financeira. 

Por isso, precisamos lidar com essa verdade necessária, mas difícil de engolir: nosso cérebro aprendeu um monte de coisa errada ao longo da vida e, provavelmente, nos sabota em várias situações.

Vamos fazer uma brincadeira? Imagine que a cada “sim” que responder, você soma um ponto:

Você já disse que…

1. “Só se vive uma vez”? 
2. “Preciso comprar, pois não sei se vai acontecer outra promoção como essa”?
3. “Mas tá todo mundo usando...”?
4 “Isso é um problema para o ‘eu’ do futuro”?
5. “É só comprar e depois esperar a dívida caducar”?
6. “Eu mereço isso!”?

E aí? Quantos pontos você somou? Faça o teste no grupo da família e veja qual o resultado!

Sem julgamentos, a gente sabe que essas crenças fazem parte da nossa vida. O importante é estarmos conscientes de que elas existem, influenciam nossas escolhas e precisam ser observadas com muita atenção.

Isso não quer dizer que vamos abandoná-las de vez ou que elas são as maiores vilãs da nossa vida financeira — às vezes são, mas nem sempre. Quando a gente percebe o poder que elas têm de influenciar nossos caminhos, nós deixamos de ser reféns e prisioneiros para sermos mais donos das nossas próprias decisões. 

É, basicamente, ter controle do próprio dinheiro e não permitir que ele nos controle.

Cuidado, “é cilada, Bino!”

Esse momento clássico da TV brasileira, da minissérie “Carga Pesada”, também serve para falarmos sobre a importância de colocar uma dose de desconfiança sempre que for fazer uma compra — especialmente pela internet.

Ao mesmo tempo em que existem muitos lojistas e prestadores de serviço bem intencionados e que fazem entregas de qualidade, também existem, infelizmente, aqueles que estão só esperando alguém pra pegar a isca e cair nos golpes.

Para você não ser mais um dos que caem na rede desses golpistas, siga alguns passos simples:

1) Use e abuse do Google: pesquise pelo nome da loja, o CNPJ, o tipo de produto, o preço médio de mercado, e por aí vai. Você pode, por exemplo verificar na Receita Federal se o CNPJ da empresa é antigo ou recente. Se for muito novo, acenda o sinal de alerta!

2) Aprenda com erros e acertos de outras pessoas: evite comprar produtos de vendedores que ainda não possuem nenhuma avaliação. Os comentários de compradores anteriores podem te ajudar a entender sobre a qualidade do serviço e produto, o respeito aos prazos, cumprimento da descrição do item na venda, entre outros pontos importantes.

3) As redes sociais são o novo “boca a boca”: pergunte nas suas redes sociais se as pessoas conhecem a empresa e o produto. Pesquise pelo perfil do vendedor, veja os comentários nas postagens, e busque por hashtags (#) que envolvam o nome do produto e da loja para ver o que as pessoas estão falando sobre eles.

4) Quando a esmola é muita…: com certeza você já completou a frase mentalmente. Desconfie de preços muito mais baixos que os praticados por outros lugares. O barato pode sair muito caro, no fim das contas, se você não receber o produto ou serviço como deseja.

5) O pagamento do seu jeitinho: fique de olhos atentos para lojas que só disponibilizam o pagamento via boleto ou depósito. Essas são formas mais trabalhosas de se rastrear e pedir estorno ao banco e, por isso, são muito usadas por golpistas na internet.

Seguindo esses passos, você reduzirá muito as chances de cair numa cilada e se arrepender de uma compra, não só durante a Black Friday!

O melhor momento para fazer uma compra existe?

Compras incríveis e com preços maravilhosos, se forem feitas no momento errado, podem fazer um baita estrago no seu bolso. 

Na prática, lembre-se do seguinte: não é porque um determinado produto está com um bom preço, que esse é o melhor momento para comprá-lo. 

Às vezes, é melhor esperar o momento certo para você, mesmo que pague um pouco mais caro, para que a compra não se torne uma verdadeira angústia. O preço do tormento pode ser alto demais!

O melhor momento para fazer uma compra é o que une o seu desejo, um bom preço e a sua disponibilidade de arcar com aquilo sem se endividar.

Respire fundo (faça isso agora, você vai ver como é bom) e se faça essas perguntas:

- Realmente quero ou estou sendo influenciado por propagandas e outras pessoas?
- Tenho dinheiro para arcar com isso sem comprometer gastos essenciais?
- Isso se encaixa no meu estilo e padrão de vida atual?
- Se eu não comprar agora, será que vou continuar querendo daqui a um mês?
- O preço está realmente bom?

Depois de pensar sobre isso, você provavelmente será capaz de fazer escolhas de compra mais conscientes.

É claro que a análise toma outros caminhos quando você precisa de um determinado item para suas necessidades básicas. Exemplo: se sua geladeira estragou, dificilmente será possível ficar muito tempo sem esse eletrodoméstico. Sendo assim, mesmo que não tenha todo o dinheiro disponível para essa compra atualmente, ela se torna necessária. Certo?

Mesmo em um cenário inesperado como esse, é possível fazer escolhas racionais e conseguir bons negócios na Black Friday. É o famoso “fazer do limão, uma limonada”!

Estou ciente e quero continuar

Se, mesmo depois desse nosso papo, você chegar à conclusão de que realmente fará a compra, tá tudo bem! 

Chutando o balde ou comprando de forma consciente, o mais importante é não fechar os olhos para as consequências dessa escolha. Afinal, como em todas as outras situações da vida, a conta chega. E, nesse caso, não dá para terceirizar a responsabilidade.

É como ouvimos a Bárbara Andrade, do Cuide da Sua Bolsa, dizer: “não deixe um problema financeiro para o seu ‘eu’ do futuro resolver. Ele ficará bem bravo com você.”

Se esse artigo te ajudou a ver as oportunidades de compra da Black Friday de um jeito diferente e mais consciente, compartilhe! 


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