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Estado de Minas TURISMO E NEGÓCIOS

Tiradentes: cidade histórica mostra inovação no turismo em plena pandemia

Como soluções inovadoras nos dão esperança não só de que o turismo vai sobreviver, mas vai se reinventar


04/05/2021 06:00 - atualizado 04/05/2021 08:52

Rodrigo Batista trindade, proprietário da loja Trem de Ferro, em Tiradentes(foto: Arquivo pessoal)
Rodrigo Batista trindade, proprietário da loja Trem de Ferro, em Tiradentes (foto: Arquivo pessoal)


Existe um ditado popular que diz: “Deus fecha uma porta, mas abre uma janela”. E eu faço uma pequena complementação: mas tem que olhar para a janela para enxerga-la aberta! E foi essa janela que garantiu não só a manutenção de diversos empreendimentos, como também o crescimento deles nesse período de pandemia na cidade histórica de Tiradentes, na região central de Minas Gerais. O cenário estava posto, pandemia, fechamento do comércio físico, fechamento das atividades turísticas e perda de muitos empregos. 

O empresariado de Tiradentes, já famoso de outros carnavais (e outros festivais gastronômicos e de cinema) pela criatividade, percebeu logo que o choro era livre, mas também que o choro não ia pagar as contas. E foi assim, que muitos deles conseguiram criar alternativas numa cidade que basicamente vive de aglomerações. Afinal, como já falamos por aqui, o turismo é a beleza do ir e vir, do conhecer gente nova e de festejar. Por isso o setor foi tão afetado nesta pandemia.

A proprietária da Pousada Ouro de Minas passou por diversos momentos desde março de 2020: “No primeiro momento da pandemia fechamos a pousada por aproximadamente quatro meses. Praticamente, ficamos fechados de meados de março até final de julho. Depois, retomamos as atividades e mantivemos até o anúncio da Onda Roxa. Desde o início da pandemia, nossa taxa de ocupação permitida modificava de acordo com a onda que a cidade se enquadrava no momento. Nós nos adaptávamos de acordo". Obviamente foi um momento de muitas adaptações e readaptações, mas ainda segundo a empresária: “com a reabertura no final de julho o movimento foi bem baixo.

Só alguns meses depois tivemos uma recuperação. O melhor momento durante a pandemia em 2020 aconteceu entre setembro a dezembro. Treinamos os nossos funcionários para uso correto de máscaras, limpeza adequada dos ambientes e otimização da ventilação dos ambientes. Realizamos também as adaptações necessárias, como distanciamento no salão de café e álcool em gel em todas as dependências da pousada. Focamos principalmente na diminuição de gastos e melhoramos nossos processos para redução de desperdícios. Temos nos empenhado muito e tentamos economizar de todas as formas, com cortes de custos em outras áreas, para não mexer no quadro de funcionários".

Divulgação/ ASSET(foto: Bruno Barbosa, proprietário da Marcenaria Barbosa)
Divulgação/ ASSET (foto: Bruno Barbosa, proprietário da Marcenaria Barbosa)


Mas nem só de transporte, hotéis e restaurantes vive o turismo. O setor movimenta uma cadeia enorme, e nos destinos que essa cadeia se percebe como parte do setor do turismo a possibilidade de desenvolvimento aumenta exponencialmente. Afinal turista também tem dor de cabeça e precisa abastecer o carro, então farmácias e postos de gasolina também compõem essa cadeia, por exemplo. No caso de Tiradentes e cidades vizinhas, o artesanato e a marcenaria são fortes. Normalmente quem é de Minas, quando bate o olho já sabe que o produto é “dali da região”. E foi assim que alguns pequenos empresários viram a janela aberta para o e-commerce e conseguiram ir além da página na rede social. Eles buscaram parceria com lojas online e entenderam que o marketing digital pode mover orçamentos.

Mas o que vender pela internet tem a ver com turismo, se eu mesma já falei diversas vezes que turismo para acontecer precisa da presença física?! Tem a ver com o branding do destino, ou seja, a marca fica mais forte quando é mais vista. O turista contemporâneo é movido a curiosidade, e tudo que possui uma singularidade desperta nas pessoas a vontade de ver onde é feito e como é feito. A grande indústria, salvo raras exceções, não consegue oferecer esse tipo de experiência. E mais, os produtos industrializados não carregam a carga humanizada que os artesanais carregam. Na década de 80, quem ia para os Estados Unidos e voltava com um pacotinho de MM’s de presente para a família era o símbolo do status. Hoje, encontramos os tais chocolatinhos em qualquer padaria, e nem lembramos tanto de onde vem. Deu para perceber o peso do produto artesanal para um destino turístico?!

Claro que é importante que esta iniciativa criativa dos empresários de Tiradentes e tantos outros empreendedores em destinos turísticos que não deixaram a peteca cair neste momento de caos, mas precisa ser pensada de maneira estratégica para o fortalecimento do turismo. Mas quem duvida que eles são capazes de tirar isso de letra? Manter a crença num setor que nunca foi prioridade no país e que foi um dos mais impactados pela pandemia, representando uma queda de 70% em 2020 de acordo com a OMT (Organização Mundial do Turismo), o que equivale a 700 milhões a menos de turistas transitando pelo mundo e um impacto de US$ 730 bilhões para quem trabalha com o turismo, realmente é para os persistentes e que têm visão de futuro. Os turistas, agradecem.

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