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Estado de Minas ANNA MARINA

Fique atento a sinais da afasia, como perda ou alteração da fala

A fonoaudióloga Cristiane Romano dá dicas para reconhecer a doença, alertando que, muitas vezes, o paciente não percebe os sintomas


21/12/2020 04:00 - atualizado 21/12/2020 07:23


De origem grega, a palavra afasia significa perda ou defeito da fala, definindo a perturbação causada na comunicação devido a danos em algumas áreas do cérebro.

Segundo Cristiane Romano, fonoaudióloga, mestre e doutora em ciências e expressividade pela USP, a lesão, geralmente, ocorre no lado esquerdo, responsável por diversas funções – inclusive movimentos do lado direito do corpo –, mas, sobretudo, ligadas à linguagem e à comunicação.

“As causas da alteração podem ser várias, com o agravante de que a própria pessoa pode não perceber as dificuldades que enfrenta. Por isso, é essencial buscar ajuda profissional quando houver sintomas. A boa notícia é que existe tratamento e as limitações podem ser abrandadas com cuidados e acompanhamento”, afirma Cristiane.

Em muitos casos, a afasia surge após um acidente vascular cerebral (AVC), acidentes automobilísticos e de impacto ou mesmo depois de situações de estresse, que podem contribuir para hemorragias intracranianas. O uso de drogas também pode causar lesões diversas.

Uma infecção e mesmo uma situação especial de nascença podem lesionar o cérebro, afetando as áreas responsáveis pela linguagem e comunicação.

“Vale lembrar: por ser uma lesão, podem ocorrer alterações mais leves e também graves. Nem todas as pessoas terão os mesmos tipos de afasia”, pontua Cristiane Romano.

Um dos maiores problemas é a forma como isso afeta a vida familiar e profissional, gerando situações de desentendimento, desgastes ou limitação na forma como o indivíduo é entendido pelos demais. “Daí a importância da compreensão e do acolhimento por parte da família e dos amigos”, reforça a especialista.

Os principais sintomas da afasia estão ligados à linguagem e à comunicação, mas podem limitar a força e os movimentos no braço direito e em parte da face.

“O cérebro é um órgão extremamente complexo e importante, do qual todos os outros dependem para funcionar. Por isso, problemas além da fala são passíveis de acometer a pessoa com afasia”, diz a fonoaudióloga.

Entre eles estão a alexia, alteração da capacidade de leitura, podendo ser branda ou de perda total; agrafia, alteração da escrita pela mão direita, podendo ser leve ou grave; acalculia, dificuldade com números, cálculos e mesmo para usar dinheiro, dependendo da gravidade da lesão.

Em relação à fala e à expressão propriamente ditas, há a afasia de condução, mais branda, pois a fala e a compreensão não são profundamente afetadas. No entanto, a pessoa apresenta dificuldades em repetir corretamente as palavras.

No caso da afasia de Wernicke, a fala fica intacta, mas a compreensão é comprometida. “Podem ocorrer momentos de parafasias, quando se troca uma palavra por outra. As pessoas não tendem a apresentar fraquezas no lado direito do corpo e, geralmente, não percebem que há algo errado”, explica Cristiane.

Ao contrário da afasia de Wernicke, na afasia de Broca há comprometimento parcial da fala, embora a compreensão permaneça intacta. A leitura ocorre normalmente, mas a escrita fica afetada, bem como o lado direito da face. Por serem sintomas mais visíveis, os indivíduos com esse tipo de afasia conseguem perceber que há algo errado.

“O tratamento costuma envolver profissionais de diversas áreas, como fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e psicólogos. Por meio de exercícios diários constantes, feitos tanto em casa quanto no consultório, o paciente começa a recuperar sua qualidade de vida”, finaliza Cristiane Romano.

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