encontro de líderes

'Ninguém é dono da América Latina', diz Lula na Cúpula do Mercosul

Presidente brasileiro defendeu autonomia dos países e declarou que vai tentar a reeleição para um quarto mandato para 'garantir' a democracia no Brasil

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O Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a autonomia dos países latino-americanos: “´Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América Latina”. A afirmação foi feita durante encontro da cúpula de líderes do Mercosul, realizada em Assunção, capital do Paraguai, nesta terça-feira (30/6).

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Em seu discurso, Lula declarou que “nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”. O chefe do Executivo defendeu que a “força” do bloco econômico está na capacidade de dialogar com todos, “sem deixar de lado nossos interesses”. 

“Diversificar parcerias, ampliar a cooperação e preservar a autonomia são requisitos para que a região encontre seu espaço em um mundo em transformação”, argumentou o chefe do Executivo.

O discurso do presidente foi marcado pela defesa da integração e utilização do Mercosul como uma “estratégia” em um contexto de rivalidades geopolíticas que crescem e unilateralismo que “ganha força”. Lula afirmou que o bloco é uma “necessidade estratégica” diante do crescimento das rivalidades geopolíticas, do avanço do unilateralismo e do ressurgimento do protecionismo na economia mundial.

Ao tratar da questão climática, ele citou os alertas da Organização Meteorológica Mundial sobre o El Niño. O petista defendeu a coordenação regional e sugeriu ao Uruguai uma nova iniciativa: “O Mercosul pode ser o embrião de um mecanismo sul-americano de enfrentamento a desastres naturais e de financiamento a medidas de adaptação climática. Faço essa sugestão ao Uruguai, que assumirá a presidência do Mercosul a partir de hoje”, disse.

Lula também declarou que o bloco está na “vanguarda” da transição energética devido à matriz elétrica limpa, ao crescimento da energia eólica e solar e à produção de biocombustíveis. Ele defendeu o desenvolvimento de cadeias regionais de maior valor agregado para os minerais críticos, classificando a medida como “uma questão de segurança nacional e soberania”. No campo tecnológico, afirmou que agir em bloco protege a região contra o “colonialismo digital” e sugeriu usar a arquitetura do Pix como base para uma infraestrutura de pagamentos dentro do bloco.

Combate ao crime organizado

Outro ponto do pronunciamento foi a segurança pública. O presidente alertou que “não há democracia forte onde o crime organizado corrói a autoridade legítima do Estado”, apontando que as redes criminosas controlam territórios, intimidam comunidades, destroem o meio ambiente e alimentam a corrupção.

Para enfrentar o problema, Lula defendeu que a cooperação policial, judicial e financeira atue na mesma escala do crime. Ele mencionou as ações adotadas no Brasil, como o fortalecimento da inteligência, a criação do Centro de Cooperação Internacional em Manaus com países amazônicos e a implementação de uma nova iniciativa com a Interpol na América do Sul, que terá sede no Escritório Regional em Buenos Aires.

Os Estados Unidos declararam que as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) são grupos terroristas após pedido do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Pauta da direita, a declaração é entendida por aliados do governo Federal como uma interferência na soberania nacional.

Aceno à candidatura por reeleição

A participação do petista no palanque do Mercosul também contou com uma defesa de sua pré-candidatura à reeleição para a Presidência nas eleições de outubro. Após a leitura do discurso oficial, ele fez uma fala improvisada em que disse que vai tentar a reeleição para um quarto mandato para “garantir” a democracia no Brasil. 

“Vou concorrer às eleições para garantir que o país se mantenha como um país democrático", afirmou. Ele fez uma alusão aos demais pré-candidatos à Presidência e declarou que “não é possível a gente imaginar irresponsáveis governando um país de 215 milhões de habitantes”.

O principal rival de Lula no pleito é o herdeiro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro. Última pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada na segunda-feira, mostra que Lula e Flávio concentram mais de 76% das intenções de voto do eleitorado brasileiro, com os demais pré-candidatos dividindo 16% dele. Do total, 8% dos entrevistados disseram não saber em quem votar ou optariam pelo voto branco ou nulo. Já em cenário de embate entre os dois no segundo turno, eles entram em empate técnico.

Paraguai e Venezuela

Ao chegar para a reunião, Lula publicou um vídeo do encontro com o presidente paraguaio Santiago Peña em que ambos os presidentes se parabenizaram pelas vitórias das seleções nos jogos de segunda-feira (29) na Copa do Mundo. “No futebol e na integração, seguimos mostrando a força de uma América Latina unida”, escreveu o petista no X, antigo Twitter.

Ainda no encontro, ele pediu 1 minuto de silêncio às vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira passada (24). Última atualização do governo venezuelano, publicada na segunda-feira, dá conta que os tremores causaram a morte de ao menos 1.719 pessoas. A quantidade de feridos subiu para 5.034 e há 15.866 pessoas desalojadas, segundo a presidente Delcy Rodríguez.

 

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