CINEMA

Cannes: Demi Moore defende liberdade de expressão política para artistas

No festival de cinema iniciado nesta terça (12/5), a atriz afirmou que a indústria cinematográfica não deve censurar seus trabalhadores

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Demi Moore defendeu que artistas que se posicionam a respeito de política não sejam penalizados pela indústria cinematográfica. Em conversa com jornalistas no Festival de Cannes, em que integra o júri deste ano, a atriz respondeu a questões sobre elos entre arte e política.

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"Parte da arte é sobre expressão, então se começarmos a nos censurar, acho que bloqueamos o próprio cerne da nossa criatividade, que é onde podemos descobrir a verdade e as respostas", disse ela. O diretor sul-coreano Park Chan-wook, que preside o júri deste ano, afirmou, por sua vez, que essas esferas não devem ser separadas.

A discussão vem na esteira de debates que marcaram o mais recente Festival de Berlim, durante o qual nomes como Wim Wenders defenderam que artistas não são obrigados a se posicionar sobre assuntos políticos.

"Acho estranho pensar que arte e política estejam em conflito", disse Chak-wook. "Só porque uma obra de arte tem uma mensagem política, não significa que deva ser considerada inimiga da arte. Da mesma forma, só porque um filme não faz uma mensagem política, não significa que deva ser ignorado."

"Mesmo que façamos uma declaração política brilhante, se não for expressa artisticamente, será apenas propaganda. Então, o que quero dizer é que arte e política não são conceitos conflitantes, desde que sejam expressos artisticamente, ambos têm valor."

 

Já o roteirista escocês Paul Laverty, também integrante do júri, encerrou a conversa ao criticar Hollywood pelo boicote a artistas como Susan Sarandon por manifestações contra a guerra em Gaza, entre outras questões humanitárias.

"Não é fascinante ver figuras como Susan Sarandon, Javier Bardem e Mark Ruffalo na lista negra por se oporem ao assassinato de mulheres e crianças em Gaza? Que vergonha para as pessoas de Hollywood que fazem isso. Meu respeito e total solidariedade a eles. Eles são o melhor de nós, eu os admiro."

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O júri deste ano é composto ainda pela atriz irlandesa Ruth Negga, a cineasta belga Laura Wandel, o diretor chileno Diego Céspeder, o artista marfinense Isaach de Bankolé, a diretora chinesa Chloé Zhao, de "Hamnet: A vida antes de Hamlet", e o ator sueco Stellan Skarsgård, de "Valor sentimental". O Festival de Cannes de 2026 teve início nesta terça-feira (12/5) e vai até o dia 23 de maio.

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