Helvécio Carlos
Helvécio Carlos
Com 30 anos dedicados ao jornalismo, com passagens por emissoras de rádio e assessoria de imprensa, é desde 2001 titular da coluna Hit, do jornal Estado de Minas. Entre 2011 e 2017 foi editor da revista Hit, publicação de lifestyle.
HIT

Procura-se quem entregou fita com entrevista de Gonzaguinha

Cassete foi deixado para Sandra Pêra, com quem o cantor e compositor teve uma filha, Amora. Em BH, as duas dividiram o palco em show que homenageia o artista

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Um mistério ronda a vida da atriz, diretora e cantora Sandra Pêra. Há 35 anos, alguém deixou na casa de sua irmã, a atriz Marília Pêra (1943-2015) uma fita cassete com entrevista de Gonzaguinha (1945-1991), com quem Sandra teve uma filha, Amora Pêra.

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Ela recebeu o cassete com a entrevista do cantor e compositor a uma rádio de Belo Horizonte. “É uma fita muito interessante com uma entrevista em que ele responde perguntas como ‘O que é alegria para você?’, ‘O que é a tristeza?’, ‘O que é amor?’.”

Durante o show “Eu apenas queria que você soubesse”, na última quinta-feira (28/5), no teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas, Sandra emocionou a plateia ao colocar a voz de Gonzaguinha no trecho da entrevista em que ele respondia à pergunta ‘O que é paixão?’.


• UM APAIXONADO

“Paixão é um barato”, disse, com a voz marcante. “Paixão de repente é, de repente foi, de repente aconteceu, fissura, loucura. É respirar forte, é muito bom”, afirmou.

“Mas importante é que se viva a paixão. E, depois da paixão, depois do vendaval, quando tudo para, aí, talvez possamos enxergar o que foi feito e que a gente não se arrependa do que foi feito. Tenho uma filha da paixão, Amora Pêra, filha de Sandra Pêra, fruto de uma paixão”, declarou.

Sandra e Amora, em um dueto emocionante, cantaram “Eu apenas queria que você soubesse” . “É uma emoção estar nesta cidade. Cresci aqui com meu pais e meus irmãos. É muito forte fazer esse trabalho aqui”, disse Amora, que também assina a direção do show e, com Paula Leal, produziu o disco, homônimo ao espetáculo, lançado no ano passado pela Biscoito Fino, como homenagem a Gonzaguinha.


• NA MATERNIDADE

A música tem um significado muito grande para Sandra Pêra. Ela contou que, no dia do parto de Amora, estavam ela, a mãe, Dinorah Marzullo, a irmã, Marília, muito ansiosas no hospital. E quando ela estava na maca, entre o quarto e a sala de parto, Gonzaguinha, que, segundo Sandra, não era muito de falar, colocou no ouvido dela a música para ouvir.


• MORRO DO SÃO CARLOS

Entre uma canção e outra – um repertório caprichado com algumas das músicas mais bonitas da MPB – Sandra lembrou outras curiosidades da relação entre eles.

Disse que acredita que a vida dos dois foi marcada por coincidência. Muito antes de se conhecerem, moravam próximos. Ele, no Morro do São Carlos, ao lado do Estácio; ela, em uma rua no Rio Comprido que leva ao Morro do São Carlos.


• “DANCIN' DAYS”

O ano era 1976, quando Sandra ouviu a primeira música de Gonzaguinha que a encantou, na casa da atriz Ângela Leal. Ângela contou a Sandra que o conheceu quando morava na Ilha do Governador. Elogiou e ficou por isso mesmo.

Naquela época, eram os primórdios de As Frenéticas, grupo criado por Nelson Motta do qual Sandra fazia parte. Elas gravaram “A felicidade bate à sua porta”, de Gonzaguinha. O produtor Liminha levou a gravação à Warner, gravadora que estava chegando ao Brasil.

“Fizemos o teste e esse teste foi o grande sucesso de As Frenéticas. Acho que, na verdade, ali foi o nosso primeiro encontro”, contou Sandra.


• BOA COMPANHIA

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Sandra foi acompanhada por uma banda de primeira, com Lourenço Vasconcelos (bateria), Pedro Moraez (baixo), Rodrigo ‘Lindo’ Lima (guitarra, violão e viola), Pedro Carneiro Silva (teclados). “Não faço show sozinha. Estou muito bem acompanhada”, elogiou a cantora.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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