Novas regras

Entre baterias, câmeras e privacidade: objetos proibidos em aviões e navios

Equipamentos cada vez mais comuns no dia a dia, como carregadores portáteis e óculos inteligentes, entram na mira de companhias aéreas e marítimas

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Viajar nunca foi tão tecnológico — e, ao mesmo tempo, tão regulado. Em aeroportos e portos ao redor do mundo, uma lista crescente de objetos proibidos ou restritos revela como segurança, privacidade e riscos operacionais vêm moldando novas regras. De carregadores portáteis a óculos inteligentes, o que antes passava despercebido hoje pode impedir o embarque — ou até gerar advertência a bordo.

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Um dos exemplos mais recentes envolve o popular power bank, item quase indispensável para quem viaja conectado. Tradicionalmente proibido na bagagem despachada por conter baterias de lítio, o dispositivo agora enfrenta restrições ainda mais rígidas dentro da cabine.

Diretrizes internacionais passaram a limitar seu uso e transporte: não é permitido recarregar o acessório durante o voo, e há um limite de unidades por passageiro — geralmente até dois. Além disso, diversas companhias aéreas já proíbem o uso do power bank durante o voo ou exigem que ele permaneça visível e acessível ao passageiro, fora dos compartimentos superiores.

O motivo é claro: o risco de superaquecimento e incêndio das baterias de lítio, que vêm registrando aumento de incidentes nos últimos anos. A regra base continua válida — o carregador portátil deve viajar apenas na cabine, nunca despachado — mas o cerco está se fechando também sobre como e quando ele pode ser usado.

Privacidade em alto-mar

Se nos céus a preocupação é com incêndios, nos mares o foco se volta cada vez mais à privacidade. A MSC Cruzeiros, por exemplo, passou a proibir o uso de óculos inteligentes em áreas públicas dos navios, como piscinas, restaurantes e corredores.

Dispositivos como os smart glasses — capazes de filmar ou transmitir imagens de forma discreta — até podem ser levados na bagagem, mas seu uso é restrito à cabine ou fora do navio, durante paradas. A justificativa é proteger passageiros e tripulação contra gravações não autorizadas em ambientes coletivos.

A medida acompanha uma tendência global de atenção à privacidade em espaços compartilhados, especialmente em ambientes de lazer, onde a expectativa de anonimato ainda é valorizada.

Outros itens sob restrição

Além desses casos mais recentes, outros objetos seguem sob vigilância constante nas viagens. Cigarros eletrônicos, por exemplo, compartilham das mesmas restrições dos power banks: não podem ser despachados e, em muitos casos, têm uso proibido a bordo.

Líquidos continuam limitados em voos internacionais, enquanto objetos cortantes ou inflamáveis seguem vetados por razões de segurança. Equipamentos como drones também enfrentam regras específicas, variando de acordo com a companhia aérea ou o país de destino.

Tecnologia sob controle

O que chama atenção é a mudança de perfil dessas restrições. Se antes o foco estava em armas ou substâncias perigosas, hoje a regulamentação alcança objetos cotidianos e tecnológicos. Itens que cabem no bolso passaram a ser tratados como potenciais riscos — seja à segurança física, seja à privacidade coletiva.

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Viajar, portanto, exige mais do que passaporte e passagem. Exige atenção às regras, que mudam com rapidez e variam entre companhias. No fim das contas, o que está em jogo é o equilíbrio entre conveniência e segurança — e, cada vez mais, entre tecnologia e convivência.

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