Cachoeira do Formiga – Mateiros, TO (Parque Estadual do Jalapão): Pequena, com águas cristalinas de tom esverdeado e correnteza leve, ideal para banho. crédito: FOTO: By Marcel Favery / Wikimedia Commons
O carnaval é sinônimo de festas e multidões, mas cada vez mais brasileiros optam por transformá-lo em um momento de pausa e renovação. Dados atualizados para 2026 confirmam o forte crescimento do turismo de bem-estar e descanso no Brasil e no mundo. De acordo com o Global Wellness Institute (GWI), em seu relatório 2025 Global Wellness Economy Monitor (com dados até 2024 e projeções), a economia global de wellness atingiu US$ 6,8 trilhões em 2024, com crescimento de 7,9% em relação a 2023, e deve expandir a uma taxa anual de 7,6% até 2029, alcançando cerca de US$ 9,8 trilhões.
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O segmento de wellness tourism (turismo de bem-estar) é um dos motores, projetado para crescer a taxas elevadas, com estimativas variadas de fontes como SkyQuest (US$ 1.157 bilhões em 2025, crescendo para US$ 2.947 bilhões até 2033 a 12,4% CAGR) e The Business Research Company (US$ 1.068 bilhões em 2026).
No Brasil, o turismo de bem-estar se destaca como tendência central para 2025-2026, conforme o Ministério do Turismo (MTur) e Sebrae, com projeções de movimentação global do segmento em torno de US$ 1,3 trilhão até o final de 2025, impulsionando opções de relaxamento, desconexão e saúde integral. Pesquisas indicam que 88% dos brasileiros viajam em busca de descanso mental e desconexão das rotinas ou redes sociais.
Paralelamente, o turismo de experiência domina as motivações de viagem. Esse segmento prioriza imersão autêntica: contato real com comunidades locais, rituais ancestrais, práticas sustentáveis e conexões profundas com a natureza e a cultura. No Brasil, ele responde por grande parte do crescimento do setor, com viajantes valorizando vivências transformadoras em vez de turismo convencional.
Cachoeira Santa Bárbara – Cavalcante, GO (Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros): Queda d’água azul-turquesa e piscina natural rasa, muito procurada por famílias.
FOTO: By Naiane cascardo / Wikimedia Commons
Cachoeira do Formiga – Mateiros, TO (Parque Estadual do Jalapão): Pequena, com águas cristalinas de tom esverdeado e correnteza leve, ideal para banho.
FOTO: By Marcel Favery / Wikimedia Commons
A Chapada Diamantina, na Bahia, é um dos destinos de ecoturismo que aliam beleza natural e custo-benefício para as férias. Por Sanjayfm - Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=33113073
Exposição Amazônia do fotógrafo Sebastião Salgado registra os rios que serpenteiam a região de florestas Reprodução/Sebastião Salgado
A Chapada dos Veadeiros abriga espécies e formações vegetais únicas, além de rochas, nascentes, cachoeiras e cursos d’água. Marcelo Camargo/Agência Brasil
Nascente do Rio Crôa, no Acre, alimentada por águas infiltradas dos rios da Bacia Amazônica e pelas chuvas Pixabay
Aquário Natural de Bonito (MS): Localizado na Reserva Ecológica Baía Bonita, a cerca de 7 km do centro da cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul, a visita de cerca de 2 horas pelos rios de águas cristalinas permite que o público observe com facilidade os peixes e a vegetação subaquática. divulgação secretaria de turismo de bonito/ms
Praia do Carneiro – Mateiros, Tocantins - No Jalapão, destaca-se por suas areias douradas, típicas das dunas e formações de quartzito da região. O cenário é complementado por rios de águas cristalinas e vegetação do Cerrado. - Reprodução de Youtube
Plataformas como Booking.com reforçam isso para 2026: silêncio e calmaria serão ouro, com foco em natureza restauradora, desconexão digital e experiências personalizadas que refletem a individualidade. Globalmente, quase 80% dos viajantes estão abertos a trips dedicados a tratamentos específicos de bem-estar, e 69% usam viagens para testar relações pessoais.
É exatamente esse perfil que explica o sucesso de destinos como os que listamos abaixo – lugares que combinam descanso, espiritualidade e vivências comunitárias reais, longe da agitação carnavalesca, alinhados ao boom de experiências imersivas e bem-estar em 2026.
Selecionamos opções espalhadas pelo país que priorizam a natureza preservada, retiros espirituais e experiências de base comunitária. Incluimos destaque para comunidades tradicionais, como quilombolas e indígenas, que oferecem vivências autênticas e sustentáveis – puro turismo de experiência em ação.
Se eu tivesse que escolher um só agora, indicaria a Chapada dos Veadeiros (GO), mas com ênfase maior na comunidade quilombola Kalunga – o maior quilombo do Brasil, integrado à região e referência em turismo comunitário responsável. É um lugar que une misticismo, cachoeiras e saberes ancestrais africanos. Vamos aos destinos?
A Chapada dos Veadeiros abriga espécies e formações vegetais únicas, além de rochas, nascentes, cachoeiras e cursos d’água. Marcelo Camargo/Agência Brasil
No Planalto Central, a Chapada dos Veadeiros é um santuário de energia, com cachoeiras como Santa Bárbara e Almécegas, trilhas no cerrado e Alto Paraíso como base para meditação e yoga. O diferencial aqui é a integração com o Quilombo Kalunga, o maior do Brasil (262 mil hectares, cerca de 9 mil habitantes em 39 comunidades). Localizado em Cavalcante (próximo à Chapada), o Kalunga é referência em ecoturismo sustentável: mais de 400 guias locais conduzem visitas que geram renda enquanto preservam cultura, ancestralidade e meio ambiente.
Atividades incluem passeios guiados por quilombolas (com histórias de resistência, danças tradicionais e oficinas de culinária afro-brasileira), banhos em cachoeiras sagradas como a Santa Bárbara (dentro do território Kalunga) e vivências comunitárias que promovem respeito mútuo. É espiritualidade viva: conexão com a terra, rituais ancestrais e meditação em meio à natureza. Hospede-se em pousadas ecológicas ou na própria associação comunitária (AKCE), que organiza roteiros responsáveis.
De Belo Horizonte, voe para Brasília (1h) e siga de carro (cerca de 4h até Cavalcante/Alto Paraíso). Custo médio para 4-5 dias: R$1.5 mil a R$2 mil por pessoa (incluindo guias locais e hospedagem comunitária). Ideal para quem busca espiritualidade aliada a impacto positivo.
2. Chapada Diamantina (Bahia)
A Chapada Diamantina, na Bahia, é um dos destinos de ecoturismo que aliam beleza natural e custo-benefício para as férias. Por Sanjayfm - Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=33113073
No interior baiano, a Chapada Diamantina oferece cânions, grutas e cachoeiras como a Fumaça. O Vale do Capão é o ponto alto para tranquilidade: vila alternativa com ecovilas, retiros de yoga, meditação e práticas holísticas. Longe da folia, o foco é na introspecção em meio à Mata Atlântica.
Atividades comunitárias incluem visitas a cooperativas orgânicas, trilhas guiadas por moradores e rodas de conversa sobre sustentabilidade. Há opções de vivências espirituais com ervas medicinais e contemplação na natureza. Hospedagem em camping ou eco-pousadas simples garante paz.
Acesso: Voe para Salvador e ônibus até Lençóis (6h), depois Capão. Orçamento aproximado: R$ 1.2 mil a R$1.8 mil para 5 dias.
3. Jalapão (Tocantins)
Praia do Carneiro – Mateiros, Tocantins - No Jalapão, destaca-se por suas areias douradas, típicas das dunas e formações de quartzito da região. O cenário é complementado por rios de águas cristalinas e vegetação do Cerrado. - Reprodução de Youtube
O Jalapão é um deserto úmido com dunas douradas, fervedouros cristalinos e rios. É perfeito para desconexão total: trilhas, banhos em águas termais e observação de estrelas. O destino destaca-se pelo turismo sustentável em territórios de comunidades quilombolas, que preservam modos de vida ancestrais e compartilham saberes sobre a caatinga e o cerrado.
Vivências incluem guias locais quilombolas em passeios, oficinas de artesanato e conversas sobre práticas sustentáveis. É uma conexão profunda com a natureza e culturas tradicionais, sem agito. Hospedagem em lodges ecológicos ou acampamentos.
Acesso: Voe para Palmas e carro 4x4 (5-6h). Custo: R$1.8 mil a R$2.5 mil
4. Amazônia (Acre)
Sua nascente provavelmente fica no Acre, alimentada por águas infiltradas dos rios da Bacia Amazônica e pelas chuvas. Pixabay
Para uma experiência imersiva, o Acre oferece etnoturismo em aldeias indígenas como as dos Huni Kuin (Kaxinawá) ou Shanenawa, próximas a Feijó. Retiros de Carnaval incluem rituais tradicionais (com respeito cultural), trilhas na floresta, plantio de árvores e conexão espiritual com a natureza amazônica.
Atividades: navegação por igarapés, meditação na mata, participação em tarefas comunitárias (piscicultura, reflorestamento) e aprendizado de saberes ancestrais. É espiritualidade indígena autêntica, longe de qualquer folia. Hospedagem em malocas ou lodges comunitários.
Acesso: Voe para Rio Branco e siga para Feijó (carro ou voo regional). Orçamento: R$2 mil a R$3 mil para 5-7 dias (pacotes com vivências guiadas).
5. Bonito (Mato Grosso do Sul)
Aquário Natural de Bonito (MS): Localizado na Reserva Ecológica Baía Bonita, a cerca de 7 km do centro da cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul, a visita de cerca de 2 horas pelos rios de águas cristalinas permite que o público observe com facilidade os peixes e a vegetação subaquática. divulgação secretaria de turismo de bonito/ms
Bonito é sinônimo de rios transparentes, grutas e cachoeiras. Ideal para descanso: flutuações em rios, trilhas leves e observação de fauna. O foco em sustentabilidade inclui parcerias com comunidades locais para preservação.
Atividades: meditação à beira de cachoeiras, yoga na natureza e passeios guiados. É paz absoluta, com hospedagem em pousadas ecológicas.
Acesso: Voe para Campo Grande e transfer (4h). Custo: R$1.5 mil a R$2.2 mil.
Esses destinos transformam o feriado em oportunidade de renovação, respeitando comunidades e natureza. Priorize reservas antecipadas, escolha operadores certificados e apoie o turismo de base comunitária – assim, sua viagem beneficia todos. Que a paz e a conexão guiem seu caminho! Boa viagem!