Trate mal o turista e a Lei do Retorno será implacável
Episódios de violência e abusos no final de 2025 afugentam visitantes em praias brasileiras
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Em 2025, o Brasil bateu um recorde histórico ao receber mais de 9 milhões de turistas estrangeiros, um aumento de 40% em relação ao ano anterior, consolidando o país como um destino cada vez mais atrativo no cenário global. No entanto, episódios recentes de violência contra turistas em destinos icônicos como Porto de Galinhas (PE), Rio de Janeiro (RJ) e Balneário Camboriú (SC) expõem fragilidades no setor turístico brasileiro.
Esses incidentes, envolvendo agressões por barraqueiros e cobranças abusivas em quiosques, geraram repercussão negativa nas redes sociais e na mídia, resultando em praias mais vazias e uma imagem manchada para o turismo nacional. Por outro lado, há exemplos de destinos que priorizam o respeito ao visitante, com preços justos e atendimento de qualidade, servindo como modelo para o Brasil.
Um dos casos mais chocantes ocorreu em Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, no dia 27 de dezembro de 2025. O casal de turistas Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, de Mato Grosso, foi agredido por cerca de 30 pessoas após questionarem uma cobrança abusiva pelo aluguel de cadeiras de praia. Inicialmente combinado em R$ 50, o valor subiu para R$ 150, o que levou a uma discussão e, em seguida, a uma surra coletiva com socos, chutes e objetos. Vídeos do incidente viralizaram nas redes sociais, mostrando os turistas sendo perseguidos e espancados enquanto tentavam deixar a praia.
A Polícia Civil identificou pelo menos 14 agressores, que serão indiciados por lesão corporal. A barraca envolvida foi interditada pela prefeitura de Ipojuca, e um decreto municipal proibiu a cobrança de consumação mínima nas praias, resultando em notificações a seis estabelecimentos.
Os barraqueiros negaram motivação homofóbica, mas o casal relatou medo e trauma, afirmando que o episódio "não representa Pernambuco", mas planejam processar a prefeitura e o estado. Após o incidente, o casal foi convidado para passar o Réveillon em Balneário Camboriú, citando a cidade como "a mais segura do Brasil".
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Abusos no Rio de Janeiro: preços Inflacionados e golpes nas areias de Copacabana
No Rio de Janeiro, as praias como Copacabana e Ipanema, símbolos do turismo brasileiro, enfrentam denúncias recorrentes de cobranças abusivas e intimidações. Durante o Réveillon de 2025, turistas relataram "inflação do réveillon", com preços exorbitantes para estacionamento (até R$ 100) e refeições em quiosques, como uma refeição de quase R$ 500 em Búzios, levando a autuações por órgãos de defesa do consumidor. Em Niterói, banhistas denunciaram descumprimento de decretos municipais que limitam valores para cadeiras e guarda-sóis.
Embora nem todos os casos escalem para violência física, há relatos de intimidações e prisões de vendedores por cobranças abusivas. Em Cabo Frio e Búzios, turistas estrangeiros aceitaram consumação mínima por desconhecimento da lei, mas órgãos como o Procon reforçaram fiscalizações conjuntas contra abusos. Esses incidentes destacam uma "praia abusiva" no verão brasileiro, com irregularidades flagradas em reportagens nacionais.
Confusões em Balneário Camboriú: de vassouradas a discussões por milho
Mesmo elogiada por sua segurança, Balneário Camboriú registrou um episódio de violência no dia 31 de dezembro de 2025. Um turista argentino foi agredido com vassouradas e chutes por ambulantes após questionar uma cobrança de R$ 150 por um milho em um quiosque na Praia Central. Vídeos mostram o homem sendo cercado e atacado, mobilizando banhistas e gerando repercussão nas redes. Relatos iniciais indicam que o turista pode ter agredido um trabalhador primeiro, mas a resposta coletiva foi desproporcional.
Outros casos envolvem barraqueiros unindo-se para impedir turistas de usarem seus próprios sombreiros, configurando uma "organização criminosa" em algumas narrativas. Apesar disso, a cidade atraiu o casal de Porto de Galinhas para o Réveillon, destacando seu apelo turístico.
Repercussão e Impacto: praias vazias e imagem danificada
Esses incidentes repercutiram fortemente, com praias de Porto de Galinhas amanhecendo vazias no início de 2026, um "vazio histórico" atribuído ao escândalo. Nas redes, usuários criticam a falta de profissionalização e fiscalização, expondo um "turismo sucateado" no Brasil. Em Balneário Camboriú e no Rio, denúncias semelhantes afastam visitantes, com consultores alertando que preços abusivos e mau atendimento podem espantar turistas da Região dos Lagos. Facções criminosas em destinos como Porto de Galinhas agravam o problema, ameaçando a experiência de quem visita o país. No X (antigo Twitter), posts como os de @racreche e @JoaquinTeixeira viralizaram, ampliando o debate sobre extorsão e violência em praias de todo o Brasil.
Exemplos positivos: destinos que valorizam o turista
Em contraste, há destinos que priorizam o respeito, com preços justos e bom atendimento. No Brasil, Campos do Jordão (SP) é reconhecida por sua hospitalidade, com a prefeitura anunciando ações contra preços abusivos em estacionamentos (até R$ 150), garantindo organização e acolhimento. Internacionalmente, Paris (França) recebe 17 milhões de turistas anualmente, graças a uma infraestrutura que equilibra atrações culturais com preços regulados e serviço de qualidade.
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Na Tailândia, praias como Phuket são famosas pela cortesia dos locais, com valores acessíveis em quiosques e foco no bem-estar do visitante, evitando abusos. Portugal, com destinos como Algarve, destaca-se por preços justos em restaurantes e hotéis, fomentando o turismo sustentável e repetido. Esses exemplos mostram que o sucesso no turismo depende de respeito mútuo. Para o Brasil manter seu recorde de 2025, é essencial combater a violência e os abusos, promovendo uma "lei do retorno" positiva: trate bem o turista e colha os frutos econômicos.