Nem um nem outro: a dura batalha de Lula e Flávio pelos eleitores do centro
O presidente pensa em medidas para aplacar o endividamento das famílias e o senador investe em uma apresentação mais equilibrada que a do pai
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Nessas eleições, uma coisa é certa para as duas pré-campanhas que estão colocadas como favoritas até o momento: será uma disputa a ser resolvida nos detalhes, que podem tirar ou levar eleitores para um dos polos políticos hoje protagonizados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Lula tentará a reeleição a um quarto mandato e Flávio foi lançado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no fim do ano passado. Desde então, veio evoluindo nas pesquisas mostrando a força do bolsonarismo e, principalmente, do pensamento anti-Lula.
Atrás desses detalhes, as duas campanhas traçam estratégias para tentar conquistar a fatia do eleitorado que aparece nas pesquisas não alinhada aos dois polos: nem Lula nem Flávio. Existe uma atenção especial das duas principais pré-campanhas sobre esse universo de brasileiros, em grande parte situado no centro do espectro político.
Com alta rejeição, Lula sabe que para ampliar seu alcance eleitoral precisa apresentar capacidade de inovação de seu terceiro mandato, uma tarefa que tem feito ministros e marqueteiros quebrarem a cabeça em busca de uma forma de sensibilizar essa faixa da população, mesmo em um período de pessimismo em relação aos efeitos nas urnas das ações governamentais. A próxima jogada do petista é adotar medidas para reduzir o endividamento das famílias, considerado hoje o principal causador do mau humor coletivo e que, na visão de membros do governo, altera a percepção sobre os programas destinados a melhorar a vida da população.
Essa pauta não é específica para o centro, mas integrantes da equipe de Lula avaliam que, de alguma forma, esses assuntos tangenciam esse eleitor que também é atingido pelos altos preços dos financiamentos devido às altas taxas de juros. O pacote que está sendo desenhado pelo Ministério da Fazenda prevê que trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos poderão sacar até 20% de seu saldo no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para quitar dívidas.
Nesta segunda-feira, 13, o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB) disse que a liberação não ocorrerá para a contratação de novas dívidas, mas somente para reduzir dívidas já existentes. “Não é aumentar a dívida, mas reduzir a dívida”, disse. O programa que ainda está sendo desenhado deve contar também com linhas para caminhoneiros, motoristas de aplicativos e taxistas, e apoio a setores como construção civil e fertilizantes.
“Bolsonarismo light”
Também com rejeição alta, o senador Flávio Bolsonaro, na tentativa de atrair novos eleitores para a corrida ao Palácio do Planalto, tem apostado na apresentação de uma espécie de “bolsonarismo light” para conquistar o eleitor centrista. A pré-campanha presidencial prepara uma apresentação dele como uma atualização do bolsonarismo, equilibrando a continuidade radical e o tom mais moderado. Como aceno aos eleitores de Jair Bolsonaro, o senador exalta símbolos e pautas que alimentam a base conservadora mais radical. Ao mesmo tempo, testa reajustes no discurso para tentar ampliar o alcance eleitoral.
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Essa postura mais moderada é comprometida pela defesa de bandeiras permanentes dos bolsonaristas, como o impeachment de ministros do STF e a anistia aos condenados pela trama golpista. Por isso, Flávio faz gestos direcionados a novos públicos, até com pautas tradicionais da esquerda, como a inclusão LGBTQIAPN+ e a segurança alimentar para a população mais pobre. “Sou um Bolsonaro que toma vacina”, declarou.