Além das urnas: os embates internos que polarizam Michelle e os filhos de Bolsonaro
Aliados avaliam que a ascensão da ex-primeira-dama pode comprometer o protagonismo dos enteados no espólio do ex-presidente
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Michelle Bolsonaro tem colecionado motivos para se manter distante dos filhos do primeiro casamento do atual marido. O mais recente foi a corrida contra o tempo para atenuar a crise causada após Eduardo afirmar, nos Estados Unidos, que gravaria um vídeo para o pai, que cumpre prisão domiciliar temporária em Brasília. Por meio de nota, a presidente nacional do PL Mulher rebateu o enteado ao garantir não ter recebido o conteúdo. Mais ainda, ela adiantou que não compartilharia com o marido mesmo que tivesse o material. Pelas regras impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, Bolsonaro está proibido de usar qualquer “meio de comunicação externa” enquanto cumpre a condenação de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. Parte relevante da direita atribui à ex-primeira-dama o poder de ter convencido Moraes a conceder a prisão domiciliar a Bolsonaro.
Além do último episódio, Michelle também foi cobrada publicamente por Eduardo para aderir à pré-candidatura de Flávio ao Planalto. Líder nas pesquisas para o Senado em Brasília, a mulher de Jair Bolsonaro suspendeu a agenda pública desde o início da contagem da condenação do ex-presidente. O sumiço do palanque bolsonarista coincide com o constrangimento público pelo qual passou quando foi desautorizada por Flávio após criticar, em novembro, a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB), candidato ao governo do Ceará e crítico ferrenho do ex-presidente. Desde então, aguarda a retratação dos enteados, o que nunca ocorreu.
Terceira esposa de Bolsonaro, com quem tem uma filha, Michelle acompanhou o avanço das divergências com os enteados de forma proporcional à ascensão política do marido durante os 19 anos de união estável. Aliados avaliam que essa distância se intensificou após a ex-primeira-dama ter alcançado projeção no decorrer do mandato presidencial de Jair Bolsonaro, especialmente quando conquistou liderança dentro do segmento evangélico. Por isso, na avaliação de pessoas próximas, Michelle tem potencial de ameaçar o protagonismo natural dos enteados. Ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro iniciou o confronto dos irmãos com a atual madrasta. De lá para cá, ambos preferem manter o afastamento, tanto nas relações da família quanto nas tratativas políticas.
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Nesta segunda-feira, 30, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu que os conflitos familiares podem comprometer o desempenho do clã Bolsonaro nas eleições de outubro. “Eles (os Bolsonaro) têm problema na família, lógico, mas vamos ter que resolver todos porque essa eleição vai ser decidida por muito pouco. Se nós não resolvermos esses problemas dentro da família, o Eduardo não volta mais para o Brasil. Nós temos que ganhar as eleições”, disse o dirigente partidário durante evento do grupo empresarial Lide, em São Paulo.