A alta hospitalar de Bolsonaro e a influência de Michelle durante a prisão domiciliar
Aliados veem chance de ex-primeira-dama usar período para convencer o marido a desistir da candidatura de Flávio e apoiar Tarcísio
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O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira, 27, e foi transferido para sua residência em Brasília, onde vai cumprir prisão domiciliar devido à condenação a 27 anos e 3 meses de pena por tentativa de golpe de Estado. Segundo decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, ele passará os próximos 90 dias em casa para se recuperar da pneumonia bacteriana bilateral decorrente de broncoaspiração responsável por sua internação no dia 13 de março.
Depois desse prazo, o ministro decidirá se Bolsonaro permanecerá em regime domiciliar ou se voltará para a Papudinha. Do ponto de vista político, o confinamento caseiro será um período de expectativa entre aliados do ex-presidente em relação à influência que a ex-primeira-dama Michelle pode exercer sobre o marido. Ela resiste à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto e pode usar esse tempo para tentar convencer o ex-presidente a mudar de ideia e apoiar o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Validada como a principal cuidadora do ex-presidente no novo regime prisional, a ex-primeira-dama se incomoda com o fato de ter sido excluída da conversa que definiu Flávio como o principal herdeiro político do marido. Da mesma forma, ela nutre mágoa após ter sido desautorizada, mais de uma vez, por discordar da aliança entre o PL do Ceará e Ciro Gomes, crítico contumaz do ex-presidente. Michelle desaprova a aproximação por ferir a imagem do marido e, consequentemente, a integridade do casal.
Flávio e Michelle mantiveram uma convivência considerada cordial, mas a calmaria naufragou quando a ex-primeira-dama passou a disputar espaço com os enteados. Após 18 anos ao lado de Jair, Michelle se consolidou na preferência do eleitorado brasiliense para ocupar uma cadeira do Senado. Voz ativa no meio evangélico e no público feminino, fatias disputadas pelos presidenciáveis, a ex-primeira-dama terá de decidir se manterá a calmaria no clã, ao se contentar com a vaga no Congresso, ou se prefere correr contra o tempo e, quem sabe, redesenhar o cenário eleitoral durante o tempo que se dedicará à recuperação do marido.
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Sem admitir publicamente, Michelle não descarta a possibilidade de retomar o debate sobre a candidatura do primogênito do companheiro. Com bom desemprenho nas pesquisas, Flávio ainda alimenta a desconfiança dentro de setores da direita. Por outro lado, a ex-primeira-dama se firma na preferência de mulheres conservadoras e do público evangélico. Embora Flávio esteja acumulando vitórias, aliados temem que desgastes naturais de uma campanha arrisquem a liderança e, da mesma forma, o projeto da direita. Com isso, caso Michelle realmente recorra à intimidade com Jair, Tarcísio de Freitas pode ganhar fôlego dentro do grupo bolsonarista. Nesse cenário, a ex-primeira-dama poderia ser contemplada como candidata a vice dentro da suposta recomposição da considerada chapa conservadora.