POR MATHEUS TUPINA, ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, ITALO NOGUEIRA, LUANY GALDEANO, JOÃO GABRIEL, CARLOS VILLELA E CATARINA SCORTECCI
SÃO PAULO, SP, RIO DE JANEIRO, RJ, BRASÍLIA, DF, PORTO ALEGRE, RS E CURITIBA, PR - A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar por duas horas a votação em todo o país, emitida pouco após as 17h, causou confusão entre mesários e presidentes de seção.
Segundo mesários ouvidos pela reportagem, urnas já haviam sido encerradas e contabilizadas, com a impressão de boletins de urna. Alguns dispositivos já chegaram a ser enviados de volta ao Tribunal Regional Eleitoral) do estado. A prorrogação do horário é inédita no país.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, e Zanin determinaram que a votação fosse estendida só nas seções em que a votação ainda não foi concluída e em que as urnas permanecem abertas.
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A reportagem procurou a corte eleitoral neste domingo (2510) para entender como os ausentes até às 17h comparecerão, já que, após o fechamento das urnas, não há como inserir novos votos. Até as 17h50, a corte eleitoral afirmou não ter detalhes, e aguarda a íntegra da decisão para posicionamento.
Um mesário de seção em Santana, na zona Norte de São Paulo, afirma que algumas urnas da zona eleitoral onde trabalha já foram apuradas, com impressão do boletim de urna e da quantidade de votos para cada candidato.
Ele afirma que todos os mesários foram dispensados, já que não é possível reabrir a votação com as mesmas urnas.
Outra, que trabalhou nas eleições no Jabaquara, na zona Sul da capital paulista, aponta que alguns dispositivos de votação já foram enviados de volta ao TRE paulista, após apurados e com boletim de urna impresso. Ela afirmou que mesmo com a decisão veiculada pela imprensa, a ordem foi continuar entregando as urnas.
Uma mesária conta que por volta das 17h40 ela e outros colegas de função, que orientam eleitores numa zona eleitoral em Pinheiros, zona Oeste paulistana, não sabiam o que fazer. Não haviam recebido qualquer diretriz clara sobre como agir após a prorrogação da votação.
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"Já haviam fechado as urnas naquela zona e esperavam para entregar à Justiça Eleitoral os votos depositados eletronicamente", diz. A notícia sobre a extensão do pleito chegou cerca de dois minutos após o fim inicialmente previsto, às 17h. "Quando todo mundo encerrou, alguém gritou, ei, estenderam. A galera tá aqui sem saber o que fazer."
A ordem é para que nenhum mesário vá embora. "Estamos todos os mesários retidos aguardando orientação do TRE." Quando eram 17h40, os mesários foram liberados para voltar para casa.
A Escola Municipal Albert Schweitzer, em Laranjeiras, na zona Sul do Rio de Janeiro, permanece com as portas abertas, mas as seções já haviam encerrado a votação antes da divulgação da decisão de Zanin. Mesários afirmam não ter como o eleitor votar nesta situação.
Em outra, no Prédio dos Correios, no centro da capital fluminense, as urnas foram fechadas. Um presidente da seção disse que o aviso chegou após às 17h. No entanto, o prédio continua aberto.
As seções de votação foram parcialmente reabertas em uma escola na Asa Norte, região de Brasília. Mas, uma vez que as urnas são fechadas, o sistema impede que voltem a ser utilizadas. Parte dos presidentes da seção e dos mesários já tinham saído do local, antes da prorrogação de horário. Assim, os eleitores que chegarem ao local dentro do prazo estendido ainda assim não poderão votar.
Em mensagens no grupo da zona eleitoral, há relatos de que a presidência do TRE-DF já havia reforçado o encerramento das urnas por falta de tempo hábil para o cumprimento da decisão do STF.
Depois de enfrentar problemas com a frota de ônibus ao longo do dia, Salvador teve parte das urnas encerradas pontualmente às 17h, mesmo com a prorrogação do horário de votação.
Nas seções da Faculdade de Administração da UFBA (Universidade Federal da Bahia), no Vale do Canela, mesários e fiscais discutiam sobre o que fazer diante do impasse. Todas as urnas da faculdade já haviam sido lacradas.
Fiscais do PT pressionavam para abertura da votação em células, mas o chefe das seções locais afirmou que não havia urnas físicas disponíveis. Já fiscais do PL questionaram a falta de uma informação oficial do TRE sobre a prorrogação.
Depois de cerca de uma hora, os mesários receberam a orientação de permanecer no local até às 19h e registrar em ata os eleitores que não conseguiram votar.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul informou que não há possibilidade de reabertura de urnas fechadas e que serão mantidas apenas as que ainda estavam em funcionamento no horário da decisão. O tribunal não divulgou o número de urnas que ainda estavam operando no Rio Grande do Sul na hora da decisão. Já no Paraná, o tribunal eleitoral do estado aifrmou que 87,4% dos locais estão com votações encerradas.
Em 2022, quando blitze ilegais da Polícia Rodoviária Federal dificultaram a locomoção de eleitores principalmente no Nordeste, o TSE descartou estender o horário de votação e encerrou o pleito normalmente às 17h.
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Na época, o presidente da corte eleitoral era o ministro Alexandre de Moraes. Em coletiva de imprensa a uma hora do encerramento das urnas, ele disse que todos os eleitores acabaram chegando às seções eleitorais a tempo de votar - portanto, a ampliação do prazo seria desnecessária.
