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‘Lula ganhou, Moraes voltou’, diz Nikolas após derrota de Flávio Bolsonaro

Deputado publicou frase nas redes sociais após ministro do STF determinar a apreensão dos passaportes do senador, que deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos nesta terça-feira (27/10)

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu à derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial com críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Lula ganhou, Moraes voltou”, escreveu o parlamentar em um story publicado no Instagram nesta terça-feira (27/10).

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Na noite de segunda-feira (26/10), Nikolas também se manifestou no X. “São tão previsíveis: pregam democracia, mas não toleram oposição”, escreveu o deputado ao comentar a apreensão dos passaportes de Flávio, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.

A reação do deputado faz referência à atuação do ministro em investigações que envolvem integrantes do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. O contexto imediato é a decisão que impôs restrições à saída de Flávio do país, medida que mobilizou aliados do senador e provocou críticas de parlamentares bolsonaristas.

Por que Moraes determinou a apreensão do passaporte?

A decisão foi tomada na noite de domingo (25/10), após pedido da Polícia Federal (PF). A representação policial foi assinada digitalmente às 21h16, sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a derrota de Flávio, às 21h09.

A proximidade entre os horários alimentou questionamentos de aliados do senador sobre a motivação da medida. A ordem, no entanto, foi fundamentada em elementos de investigações já em andamento no STF.

A Polícia Federal fundamentou o pedido em dois fatores principais: a presença de Flávio como "usuário master" de uma conta da Alcazar Holding, mantida pelo advogado Willer Tomaz em Portugal, e uma fala de Eduardo Bolsonaro em podcast no dia 23 de outubro. Na ocasião, o ex-deputado declarou: "se meu irmão não ganhar [a eleição], sou a favor que ele deixe o país."

O documento policial registrou ainda que Willer Tomaz está em Miami desde 25 de agosto, sem previsão de retorno. De acordo com a PF, o advogado dispõe de recursos financeiros suficientes para ficar no exterior por período indeterminado.

Investigações e conexões financeiras

Tomaz responde a dois inquéritos derivados da operação Sem Desconto, que apura desvios nas aposentadorias do INSS. O processo sob relatoria de André Mendonça investiga negócios com o senador Weverton Rocha e com Antonio Camilo Antunes, o Careca do INSS.

A outra apuração, relatada por Moraes, investiga se Tomaz lavou recursos da Loterj por meio da Rio Pag e de empresas de apostas. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Tomaz apostou R$ 5 bilhões em bets no ano passado. Flávio é investigado nesse procedimento, ainda em fase inicial.

Flávio figurou como usuário master da Alcazar Holding até maio de 2025 e viajou dos Estados Unidos ao Brasil em janeiro daquele ano no jato Legacy 500, do qual a holding tinha 33,3% de participação. O cotista Daniel Vorcaro repassou sua fração para Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, como pagamento por serviços de advocacia.

Entre os argumentos apresentados pela PF estão informações sobre a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, e declarações de Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de o irmão deixar o Brasil caso perdesse a eleição.

Moraes acolheu o pedido e determinou que Flávio entregasse os passaportes, além de proibi-lo de deixar o país. O senador contestou a decisão e questionou a relação entre a medida e a derrota eleitoral.

Flávio Bolsonaro foi para os Estados Unidos

Nesta terça-feira (27/10), Flávio chegou aos Estados Unidos, segundo apurou o Correio Braziliense. A viagem ocorreu após o senador não cumprir a determinação de entregar os documentos dentro do prazo estabelecido. De acordo com fontes na Polícia Federal, consultadas pelo Correio, a suspeita é de que a ação teria sido coordenada pelo secretário de Estado do governo Trump, Marco Rubio.

A Polícia Federal informou a Moraes sobre a situação. Até a chegada de Flávio aos Estados Unidos, não havia mandado de prisão expedido contra ele, mas a viagem acrescentou um novo capítulo ao caso e pode levar o ministro a avaliar medidas adicionais.

A decisão judicial está vinculada a apurações sobre suspeitas de irregularidades financeiras. Flávio nega ter cometido ilícitos.

Defesa

Integrantes da campanha do PL apontaram retaliação política. Em vídeo publicado na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro contestou a ordem judicial: "a decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar o meu passaporte? Isso é Justiça? E mais: essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo após o resultado da eleição. Pensa comigo: se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa?"

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Procurado, o STF não esclareceu o horário de assinatura da decisão sigilosa do relator.

 

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