Deputado sobre vitória de Lula: 'De onde surgiram 11 milhões de votos?'
Os resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Lula recebeu 10.376.694 votos a mais no segundo turno, em comparação com o primeiro
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O deputado federal Jeffrey Chiquini (Novo-PR) questionou o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25/10). Em publicações nas redes sociais, o parlamentar contestou o aumento da votação do petista e criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação em duas horas.
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"De onde surgiram 11 milhões de votos?", questionou Chiquini, em referência ao aumento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno. O deputado também afirmou que a decisão de Zanin teria beneficiado o presidente. "A decisão 'golpista' do Zanin conseguiu 2 milhões a mais de votos para o Lula na Bahia", declarou.
O parlamentar também fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu mudanças no sistema de Justiça. "O maior problema do Brasil se chama Justiça. O STF destruiu o país. Só há uma solução para o nosso país: a reforma do sistema de Justiça", afirmou.
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Chiquini disse que pretende apresentar, em 1º de fevereiro, um projeto de lei para alterar o Estatuto da Advocacia. Segundo ele, a proposta proibiria advogados que tenham parentes até terceiro grau em tribunais superiores e no STF de atuar em processos nessas cortes. "É isso que virou a nossa Justiça, 'um puxadinho vermelho' de partido político, mas isso um dia vai acabar", declarou.
Em outra manifestação, o deputado ironizou a possibilidade de Rafael Fonteles (PT), governador reeleito do Piauí, ser o próximo ministro da Fazenda. "Estávamos errados. O Brasil não vai virar a Venezuela, vai virar o Piauí", disse.
Quantos votos Lula recebeu a mais?
Os resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Lula recebeu 10.376.694 votos a mais no segundo turno, em comparação com o primeiro. Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, também ampliou sua votação, com 3.721.538 votos adicionais. Os números, portanto, mostram crescimento na votação dos dois candidatos.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio terminou à frente, com 56.104.503 votos (47,03% dos válidos), enquanto Lula recebeu 53.879.538 (45,16%). A diferença era de aproximadamente 2,2 milhões de votos a favor do candidato do PL. Já no segundo turno, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59.826.041 votos (48,21%). A vantagem do petista chegou a 4.430.191 votos.
A mudança no resultado ocorreu em um cenário de maior comparecimento às urnas. A abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para cerca de 19,2% no segundo. No total, aproximadamente 128,2 milhões de eleitores compareceram para votar na segunda etapa, segundo o TSE.
Além da redução das abstenções, a mudança na distribuição dos votos válidos entre os candidatos que chegaram ao segundo turno ajuda a explicar a diferença. Os eleitores que votaram em candidatos eliminados na primeira etapa também puderam escolher entre Lula e Flávio.
Prorrogação da votação
A decisão de Cristiano Zanin de estender o horário de votação até as 19h foi tomada após pedidos relacionados a dificuldades de deslocamento de eleitores. As campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro solicitaram medidas para ampliar o período de votação, embora tenham apresentado justificativas e pedidos com alcances distintos.
No caso de Lula, a campanha acionou o STF após relatar problemas no transporte público em diferentes regiões do país. A equipe de Flávio, por sua vez, solicitou a extensão do horário em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, alegando que chuvas, alagamentos e interdições de vias dificultavam o acesso às seções eleitorais.
A prorrogação determinada por Zanin não autorizou a reabertura de urnas que já haviam sido encerradas. A medida valeu para os locais em que a votação ainda estava em andamento. O TSE também esclareceu que a totalização dos votos seria retomada após as 19h.
Um levantamento divulgado após a eleição, com base em registros das urnas, identificou 35.521 confirmações de voto para presidente após as 17h. O número representa menos de 1% da diferença final de 4,43 milhões de votos entre Lula e Flávio. Os registros de horário, por si só, não indicam em qual candidato cada eleitor votou.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação não alterou o resultado da eleição e manifestou confiança no processo eleitoral. Após a derrota, Flávio Bolsonaro declarou que pretende pedir a anulação do pleito, alegando falta de isonomia na decisão que estendeu o horário de votação.
Quem é Jeffrey Chiquini?
O advogado Jeffrey Chiquini foi o deputado federal mais votado no Paraná nas eleições de 2026, com 425.399 votos. Ele ganhou projeção nacional ao atuar na defesa de Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 21 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado pela Primeira Turma do STF.
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Ativo nas redes sociais, Chiquini declarou apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência da República, a Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) para o Senado e a Sérgio Moro (PL) para o governo do Paraná. O deputado se soma a outros aliados de Bolsonaro que questionaram a prorrogação do horário de votação e criticaram o resultado da eleição.