VITÓRIA HISTÓRICA

Lula reeleito: 'Vou fazer o melhor mandato que um presidente já fez'

Após vitória inédita sobre Flávio Bolsonaro, presidente defende regulação das plataformas digitais e promete fazer seu melhor mandato

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A expressão "nunca antes na história deste país", um dos bordões mais conhecidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), definiu com precisão o resultado das urnas neste domingo (25/10). Aos 80 anos, o petista foi reeleito para um quarto mandato presidencial, feito inédito na história democrática brasileira, ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL).

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Em seu primeiro pronunciamento após a vitória, Lula prometeu mudar a forma de governar, ampliar a participação popular nas decisões e regulamentar as plataformas digitais. Também se comprometeu a “fazer o melhor mandato que um presidente já fez na história desse país” e classificou a vitória como uma derrota do “negacionismo” e da “mentira”.

"Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões. E quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo", declarou o presidente, em São Paulo, logo após a confirmação da vitória, acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de aliados políticos.

Lula teve 51,7% dos votos válidos, com mais de 64 milhões de votos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro, que recebeu mais de 59 milhões, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença entre os candidatos ultrapassou 4,4 milhões de votos.

A vitória do presidente neste domingo (25/10) também representou uma virada inédita desde a redemocratização: Lula se tornou o primeiro candidato a vencer uma eleição presidencial após terminar o primeiro turno na segunda colocação. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos. “Eu nunca ganhei eleição no primeiro turno, mas nunca perdi nenhuma no segundo turno”, comemorou. No entanto, em 1989, contra Fernando Collor, em sua primeira eleição, Lula perdeu no segundo turno.

Regulação das plataformas digitais

Durante o pronunciamento, Lula afirmou que a disputa eleitoral foi marcada pela interferência de plataformas digitais e defendeu a criação de regras para responsabilizar empresas de tecnologia por conteúdos e práticas ilegais na internet. "Foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais. E nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado como um crime na vida real", pontuou.

Na sequência, o presidente agradeceu a participação dos jovens e dos idosos na votação, destacando a mobilização de eleitores, tanto nas redes sociais quanto nas ruas, durante o segundo turno.

Em sua fala, destacou a atuação do deputado federal André Janones (Rede-MG), que assumiu protagonismo na estratégia de comunicação digital da campanha durante o segundo turno. O parlamentar mineiro foi responsável pela criação do canal "Exército do Lula", no WhatsApp, que ultrapassou os 10 milhões de seguidores na véspera da eleição.

"Eu quero agradecer esse companheiro aqui, o Janones, nosso general, que teve um papel exponencial nessa campanha para levantar diariamente, de manhã, de tarde e de noite, a moral da nossa tropa", declarou o presidente. "Pode ficar certo que daqui para frente eu vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia, diretamente. Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalista com má-fé", completou.

Promessas para o quarto mandato

Entre as prioridades anunciadas para o próximo governo, Lula destacou a ampliação de políticas educacionais, investimentos em tecnologia, saúde e segurança pública. Na educação, prometeu universalizar o ensino em tempo integral até o ensino médio, ampliar o programa Pé-de-Meia e criar uma versão do benefício destinada a estudantes universitários. Também defendeu investimentos em inteligência artificial, infraestrutura digital e energias renováveis.

Na saúde, Lula afirmou que pretende dar continuidade às ações do Sistema Único de Saúde (SUS), destacou a perspectiva de ampliar o tratamento de câncer no país e anunciou a previsão de implantação de 15 unidades de terapia intensiva (UTIs) inteligentes, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). Além disso, anunciou a intenção de ampliar a atuação do governo federal na segurança pública. Segundo ele, os estados não conseguem enfrentar sozinhos os problemas da área. "Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão", disparou.

Lula ressaltou que pretende governar para toda a população, independentemente das diferenças políticas, e defendeu o respeito à Constituição e às instituições. Sobre a relação com o Congresso Nacional, reconheceu que precisará negociar com parlamentares de diferentes posições políticas. "Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar e vou aprovar as coisas", projetou. Ele também adiantou que pretende aproveitar os próximos dois meses para se reunir com empresários, educadores, cientistas e representantes de diferentes setores da sociedade para discutir as prioridades do próximo mandato.

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'Vou fazer o melhor mandato'

Ao encerrar o pronunciamento, Lula assumiu o compromisso de fazer de seu quarto mandato o melhor de sua trajetória presidencial. O petista, que completa 81 anos na próxima terça-feira (27/10), declarou que pretende dedicar seus próximos quatro anos à execução das propostas apresentadas durante a campanha. "Vou fazer o melhor mandato que um presidente já fez na história desse país", prometeu. 

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