Como vai ser a transição entre os governos Simões e Cleitinho
Vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão vai comandar o processo, que tem a primeira reunião marcada para 21 de outubro
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Com a eleição de Cleitinho Azevedo (Republicanos) para governador de Minas Gerais em primeiro turno, já começou a transição na máquina do estado. Sob o comando do vice-governador eleito Luís Eduardo Falcão (Republicanos), um grupo vai trabalhar na mudança da gestão e preparar o campo para a posse do novo governador, marcada para 6 de janeiro de 2027.
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Falcão foi escolhido como coordenador-geral da Comissão de Transição Governamental, em decisão antecipada pelo Estado de Minas e oficializada nesta quarta-feira (7/10), com ofício encaminhado ao governador Mateus Simões (PSD), após uma reunião do atual governo, que deu início aos procedimentos preparatórios para a transição. Segundo a assessoria da chapa eleita, o novo vice vai conduzir as tratativas operacionais e as articulações setoriais, bem como fazer a interlocução com a atual Secretaria de Casa Civil.
Ainda não foram definidos os nomes que vão integrar a comissão, e as indicações devem vir nos próximos dias. Conforme a legislação estadual, a chapa eleita tem até 10 dias após o resultado da eleição para nomear os membros do grupo, que vai receber informações e definir, junto ao atual secretário, o planejamento para o final da gestão e a projeção dos riscos para os 90 primeiros dias do próximo governo, entre outras medidas.
As reuniões de transição começam em 21 de outubro e devem se estender até 24 de novembro, com uma programação temática definida pelo governo Simões na seguinte ordem: Saúde, Infraestrutura, Educação, Desenvolvimento Econômico, Segurança Pública, Parceiros Externos, Meio Ambiente, Agropecuária, Desenvolvimento Social, Cultura e Turismo, Secretaria de Governo (Segov) e Secretaria-Geral juntas, edição especial da reunião com Propag, Planejamento e Gestão, Fazenda e uma última com parceiros externos como Fiemg, Sebrae e Faemg.
A atual gestão tinha proposto começar as reuniões na próxima quarta-feira (14/10), mas Cleitinho pediu mais uma semana para definir integralmente a equipe técnica e analisar preliminarmente os dados. Podem ser agendadas reuniões adicionais caso sejam necessárias discussões mais aprofundadas. Todos os encontros serão transmitidos on-line.
Na primeira reunião do secretariado para esquematizar a transição, na terça-feira (6/10), o governador Mateus Simões chorou e mostrou preocupação com o futuro do estado. "Eu não chorei porque perdi a eleição. Eu não me emocionei no dia. Esse choro aqui tem menos a ver com eleição. Ele tem a ver com medo de destruição das coisas." O pessedista disse ter "nascido em uma família de recursos", mas os 750 mil servidores podem ter as vidas ameaçadas em caso de uma má condução na próxima gestão. "Eu sei que todos vocês foram leais ao governo. O estado perde, porque desmontar uma equipe da qualidade da nossa não é tarefa simples", completou, se dirigindo ao secretariado.
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Falcão reagiu pedindo calma e chamando a declaração de "inadequada". "Quando ele fala em uma possível destruição do que foi feito, em uma possibilidade de ser tocado de qualquer jeito, é como se o estado estivesse em uma condição excelente, o que não é a realidade", disparou. Ele citou a previsão de déficit de R$ 9 bilhões no orçamento para o próximo ano e a dívida que ultrapassou R$ 200 bilhões, dizendo que a nova chapa "está aqui para resolver o problema".
O vice-governador eleito garantiu que "a transição vai ser feita com a maior responsabilidade": "O que a gente precisa é colocar os pés no chão, falar a realidade hoje de Minas Gerais, que tá numa situação que precisa ser socorrida o quanto antes. E esse é o nosso foco." Ainda cobrou responsabilidade do governador pela fala. "Quando se dá esse tipo de declaração, o que se produz é uma instabilidade que o maior prejudicado é o próprio povo mineiro", completou.
Já Cleitinho tem prometido que vai dar continuidade ao que considerar positivo na atual gestão, além de buscar apoio e indicações de adversários na disputa pelo governo. "Eu vou procurar o Mateus Simões, o Gabriel Azevedo (MDB) e o Flávio Roscoe (PL). Tudo que for bom, e as ideias que eles tiverem no plano de governo deles, a gente vai executar", disse, no domingo (4/10), após vencer a eleição. Cleitinho afirmou que vai ser "o governador que vai pacificar" e tornar Minas exemplo no país.
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A chapa de Cleitinho e Falcão conquistou 6,3 milhões de eleitores mineiros e liquidou a eleição estadual no primeiro turno, com 55,40% dos votos válidos. Já Simões, que assumiu o governo em março, ficou na quarta colocação, recebendo 530.292 votos – 4,65% do total.