ELEIÇÕES 2026

Após propor mudança, Flávio Bolsonaro diz respeitar Constituição

Candidato à Presidência diz que são fake news alegações de tentativa de golpe de Estado

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Um dia após afirmar que pretende “mudar a Constituição” e “redemocratizar o país” se for eleito presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirma que tem “total respeito à Constituição” e que, na verdade, quer apresentar Propostas de Emendas Constitucionais (PECs) e que dizer que há uma possível tentativa de golpe de Estado é fake news. A candidatura ainda recebeu "apoio incondicional" da Federação União Progressista.

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Na última terça-feira (6/10), durante evento em Goiânia (GO), o bolsonarista comemorou a ampliação da bancada do PL no Congresso Nacional, que conta com 28 senadores e 121 deputados federais eleitos, sendo a maior desde a Constituinte de 1987-1988. Ao lado do ex-postulante Ronaldo Caiado (PSD), ele celebrou: “O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara”.

Com o maior número de influentes nas Casas, Flávio afirmou que o grupo pode “mudar a Constituição para redemocratizar esse país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição”. A aprovação de uma PEC exige o apoio de 308 deputados e 49 senadores em dois turnos.

A Constituição de 1988 foi implantada logo após o período da Ditadura Militar brasileira e garante direitos fundamentais, divididos em grupos que protegem a vida, a dignidade e a cidadania dos brasileiros, como o direito à vida e igualdade; liberdade de expressão, locomoção, crença e de pensamento; à propriedade privada e segurança; além de proteção contra prisões arbitrárias.

A fala de Flávio que anuncia alteração na Constituição provocou temor de uma nova tentativa de golpe de Estado, assim como aconteceu em 8 de janeiro de 2023, que provocou a condenação de dezenas de golpistas. O pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é um deles, tendo sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado com grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. A anistia “ampla e irrestrita” aos condenados é uma das propostas do candidato ao Palácio do Planalto.

Após a repercussão negativa da fala, Flávio deu uma coletiva de imprensa em que alega que é mentira que uma mudança na Constituição afeta a democracia. “Qualquer coisa diferente disso é especulação. Vamos parar de mentir, vamos aterrissar no mundo real, parem de fazer torcida. A ameaça que tem a democracia é com o Lula, vocês estão vendo”, afirmou.

O candidato defendeu ainda que as PECs a serem apresentadas englobariam temas como redução da maioridade penal, o fim da reeleição, mudanças na reforma tributária, reformas políticas e no Judiciário, como mudanças na indicação de ministros do STF. Segundo ele, há pontos a serem revistos, mas alegações além disso são mentira.

À imprensa, ele disse que, caso presidente, ele não passaria “a mão no telefone e ameaçaria dono de veículo de comunicação”, como também não “convidaria amigo no Supremo pra fazer busca e apreensão na fonte de vocês jornalistas”, declarou. “Essa democracia que eu estou falando que está abalada hoje. Comigo não vai ter isso, vai ter estabilidade, vai ter paz pra todo mundo trabalhar, vai ter segurança jurídica, vai ter respeito à Constituição, vai ser o normal. O Brasil tem que voltar ao normal, apenas isso”, destacou.

Flávio citou a operação de busca e apreensão na casa do jornalista Luís Pablo, determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, após suspeita de atuação patrocinada contra o ministro Flávio Dino. Após análise dos materiais, a Polícia Federal concluiu que não houve crime de violação de sigilo funcional dele e que não é possível “apontar com máxima certeza” que ele teria recebido dinheiro para publicar reportagens contra Dino.

Apoio incondicional

No mesmo encontro, a federação União Progressista (PP-União Brasil) declarou apoio incondicional à candidatura do "filho 01" de Jair, apesar do caráter contraditório das falas dele. A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura no governo de Jair, destacou que a missão dos integrantes da federação agora é fazer campanha em seus estados para vitória de Flávio Bolsonaro.

Já o deputado federal Doutor Luizinho, líder do Progressistas na Câmara, reforçou que Flávio é a “melhor escolha” do partido. “Você é um homem que tem o destino de mudar o nosso país e reconstruir a história do nosso país por aclamação”, declarou.

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O apoio foi bem recebido por Flávio. “Só tenho a agradecer a esse apoio da Federação União-Progressistas. O Brasil agora tem dois caminhos. É o caminho do que está aí, do governo de recordes negativos. O outro é aqui com a gente, o caminho da prosperidade. Alguém que está dando o seu melhor que reconhece que o Brasil se constrói com diálogo e respeito à política, não com a criminalização da política como esse atual governo está fazendo”, afirmou Flávio.

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