FOLHAPRESS - Em um artigo publicado nesta quinta-feira (10/9), a revista britânica The Economist afirma que membros do Supremo Tribunal Federal (STF) considerados defensores da democracia após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) viraram suas costas para ela.
O motivo é um "feio e crescente escândalo de corrupção", segundo a publicação.
"Diante de constantes ameaças, inclusive de Donald Trump, os ministros prosseguiram com serenidade na acusação do ex-presidente populista, condenando-o a 27 anos de prisão em setembro de 2025. A maioria dos brasileiros comemorou que a jovem democracia do país tinha sido salva. Agora, com a proximidade das eleições gerais em 4 de outubro, os defensores da democracia se tornaram uma ameaça", diz o texto.
A análise também cita a condução da ação penal que condenou Bolsonaro e outros réus por uma tentativa de golpe de Estado. Segundo a revista, Moraes deu decisões questionáveis. Além disso, The Economist destaca que o ministro censurou contas de bolsonaristas em redes sociais por meio do inquérito das fake news.
O sigilo imposto a essa investigação "não permite mensurar quantas e quais perfis foram suspensos", cita a revista. Moraes, que acumulou "os papéis de vítima, promotor e juiz", teria usado o inquérito para blindar a si e a colegas e perseguir fiscais da Receita Federal e fontes jornalísticas.
"Na época, parcela considerável da sociedade brasileira descartou essas preocupações diante da ameaça maior. Mas agora Moraes está sob escrutínio novamente", relata.
Vorcaro 'playboy'
A revista chama Daniel Vorcaro de "playboy" e diz que ele usou o Banco Master para perpetrar um "esquema Ponzi acoplado a uma operação de tráfico de influência". Há referência ao criminoso financeiro Charles Ponzi, responsável por um rombo de US$ 50 bilhões. Assim como no Master, o esquema consistia em pagar investidores com aportes feitos por outros investidores e não com o rendimento das aplicações.
Vorcaro e Moraes tinham uma "relação preocupante", revelada a partir do contrato firmado entre o ex-banqueiro e o escritório da esposa do ministro e de mensagens trocadas às vésperas da prisão do dono do Master. O magistrado, segundo a revista, teria ridicularizado a proposta de código de ética patrocinada pelo ministro Edson Fachin, definido como "íntegro" presidente do Supremo.
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A relação entre Moraes e Vorcaro veio à tona em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal que apontava o envolvimento do relator da trama golpista. A revista enfatiza que Moraes "pode ter razão" ao acusar o colega de agir sob motivação política e pedir a investigação dele por abuso de autoridade.
Mendonça não teria publicado informações sobre outros ministros citados no caso e foi acusado pela PF de interferir na coleta de provas. Além disso, a revista lembra a atuação do ministro no governo Bolsonaro e afirma que ele coordenou um relatório que listava "inimigos" do ex-presidente dentro da corporação.
O artigo aponta que a atuação do relator do caso Master no STF pode levar à nulidade das provas, o que beneficiaria não só Moraes, mas Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL. Após negar ter relações com Vorcaro, o filho do ex-presidente foi "desmascarado", diz a revista, pela divulgação de áudios em que pede quantias milionárias ao ex-banqueiro.
"Brasileiros estão cansados dos escândalos de corrupção que mancham sua classe política a cada poucos anos. Costumavam confiar em sua Suprema Corte, que enviou dezenas de políticos à cadeia por corrupção. Agora essa confiança está se desintegrando", conclui.
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A revista The Economist foi fundada em 1843 e é um dos principais veículos dedicados à cobertura econômica. Em abril do ano passado, a publicação já apontava que Moraes acumulava poder excessivo na corte e cobrava moderação do ministro.
