Messias e Andrei trocaram xingamentos diante de Lula, diz colunista
Advogado-geral da União teria questionado o diretor-geral da Polícia Federal sobre uma possível espionagem
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O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, bateram boca no gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A discussão teria começado após Messias questionar Andrei, de maneira exaltada, sobre uma suposta espionagem e monitoramento da PF contra o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU). A informação foi dada por Marcela Mattos, colunista do UOL.
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Segundo a jornalista, a discussão aconteceu num dia em que Lula e Messias participaram de um evento no Palácio do Planalto em que comemoravam a sanção de leis voltadas ao sistema de Justiça brasileiro. Após o evento, o diretor da PF se encontrou com os dois na sala presidencial. De acordo com a reportagem, a conversa, que foi presenciada pelo presidente, foi "dura", "tensa" e "ríspida". Marcela Mattos afirma que a cobrança de Messias a Andrei foi a "gota d'água" para diversas divergências entre ambos, que aconteciam nos bastidores das investigações sobre o Caso Master.
A colunista diz ainda que as desconfianças ocorriam de ambos os lados: enquanto o chefe da AGU tinha certeza de estar sendo monitorado e se sentia pressionado a questionar as decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, o diretor da PF afirmava que era preciso conter as ações do magistrado para preservar as investigações. Marcela Matos afirma ainda que Andrei ainda reclamava que conversas privadas chegavam a Mendonça de maneira rápida, quando havia vinculação com Messias.
Na discussão, Andrei teria negado qualquer monitoramento do advogado-geral da União. Num tom elevado, o diretor da PF classificou a postura de Messias como "chilique", e disse que o chefe da AGU, que é evangélico, deveria dar sermão na igreja, e não no Planalto. Messias alertou a Andrei que, se houvesse espionagem, poderia ser cobrado formalmente.
Quatro dias após a rusga, André Mendonça determinou o afastamento de Rodrigues do comando da PF, alegando que a inteligência da corporação estava fazendo um "monitoramento sistemático" e "ilícito" contra ele e Messias.
Ligação de Andrei a Messias
Após o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF, Messias entrou com recurso contra a decisão do ministro, sem aval do diretor-geral. Em seguida à ação, Andrei ligou para o chefe da AGU e ressaltou sua desconfiança com ele: "Você está proibido de recorrer em meu nome". O ministro, então, disse que recorreu em nome do presidente Lula e negou ter qualquer responsabilidade na decisão de Mendonça.
"Se eu tivesse de fazer alguma coisa com você, eu teria mandado te prender. Então, se não foi preso, não fui eu", ironizou Messias a Andrei.
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O diretor-geral da PF negou a assistência da AGU no processo, contratou advogada particular e ingressou com ação endereçada ao ministro Flávio Dino, que acatou o pedido e o reintegrou. A Advocacia-Geral da União enviou outra ação ao presidente do STF, Edson Fachin, que derrubou as decisões de Dino e de Mendonça e mandou os envolvidos se manifestarem.