O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida presidencial, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5/8). No cenário estimulado de primeiro turno, o petista aparece com 39% das intenções de voto, nove pontos à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), que soma 30%. O levantamento também indica que Lula venceria todos os quatro cenários simulados de segundo turno testados pelo instituto.

Ainda segundo a pesquisa, 69% dos entrevistados afirmam que sua escolha de voto é definitiva, enquanto os demais dizem que ainda podem mudar de candidato até a eleição.

Primeiro turno

Na simulação estimulada, Lula registra 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 30%. Na sequência aparecem Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), com 4% cada. O ex-governador Romeu Zema (Novo) tem 2% e Cabo Daciolo (Mobiliza), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP), 1% cada. Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Leonardo Avalanche (PRTB) não pontuam. Indecisos somam 10%, enquanto 8% afirmam que pretendem votar em branco, anular ou não votar.

Cenários de segundo turno

O instituto testou quatro disputas de segundo turno, todas com Lula na liderança. No primeiro cenário, contra Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o senador registra 39%. Brancos, nulos e eleitores que dizem não votar somam 13%, e os indecisos, 4%.

Na simulação contra o ex-governador Romeu Zema, Lula alcança 46%, ante 34% do pré-candidato do Novo. Brancos, nulos e não votariam representam 16%, e os indecisos, 4%.

Em um eventual confronto com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, Lula marca 45%, enquanto o adversário obtém 37%. Os brancos, nulos e não votariam chegam a 14%, e os indecisos permanecem em 4%.

Já diante de Renan Santos, Lula registra 45% das intenções de voto, contra 35% do dirigente do Missão. Nesse cenário, 16% dizem votar em branco, anular ou não comparecer às urnas, enquanto 4% permanecem indecisos.

Análise

Embora Lula mantenha vantagem em todos os cenários simulados, a distância para Flávio Bolsonaro diminuiu em relação ao levantamento de julho. Segundo o CEO da Genial/Quaest, o cientista político Felipe Nunes, o senador recuperou a intenção de voto, ampliou seu potencial eleitoral e reduziu a rejeição.

No segundo turno contra Lula, Flávio passou de 37% para 39%, enquanto o presidente oscilou de 45% para 44%. A vantagem do petista caiu de oito para cinco pontos percentuais entre uma pesquisa e outra. Além disso, o potencial de voto do senador subiu de 38% para 41%, sua rejeição caiu de 57% para 54% e a parcela de eleitores com voto definitivo nele aumentou de 62% para 68%.

Segundo Felipe Nunes, a principal explicação para esse movimento é a reorganização do eleitorado de direita. De acordo com o cientista político, o eleitor anti-petista voltou a considerar Flávio Bolsonaro como candidato. Entre os eleitores de direita não bolsonaristas, o apoio ao senador no segundo turno passou de 74% para 81%. Já entre os bolsonaristas, subiu de 91% para 95%.

Pazes com Michelle

Na avaliação do CEO da Genial/Quaest, a primeira peça dessa reorganização foi a reconciliação pública entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Segundo a pesquisa, 59% dos entrevistados consideram que as pazes entre os dois foram positivas. Esse percentual chega a 88% entre eleitores de direita não bolsonaristas e a 90% entre bolsonaristas.

O levantamento também mostra crescimento na percepção de que Michelle pode ser decisiva para fortalecer a candidatura de Flávio. Hoje, 46% afirmam que o apoio da ex-primeira-dama aumenta as chances de vitória do senador, ante 38% em julho. Entre bolsonaristas, esse índice passou de 45% para 79%, enquanto entre eleitores de direita não bolsonaristas avançou de 53% para 70%.

Outro fator apontado por Felipe Nunes foi a repercussão da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a pesquisa, 52% dos entrevistados avaliam que a medida foi errada, enquanto 41% a consideram correta. Entre eleitores de direita não bolsonaristas, 83% classificam a decisão como um exagero; entre bolsonaristas, esse percentual chega a 92%; e entre independentes, alcança 50%.

Programas sociais perdem força

Na avaliação de Felipe Nunes, ao mesmo tempo em que Flávio Bolsonaro ganhou tração, alguns fatores que vinham impulsionando Lula perderam força. Um deles foi o programa Desenrola 2.0. A percepção de que a iniciativa é uma boa ideia caiu de 55% para 47% entre julho e agosto, enquanto o percentual de entrevistados que afirmam ter sido beneficiados diretamente recuou de 12% para 10%. Entre os beneficiados, a parcela que relatou impacto significativo na renda caiu de 35% para 26%.

O cientista político também aponta redução do impacto percebido da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Segundo a pesquisa, 30% afirmam ter sido beneficiados pela medida, contra 32% em julho. Entre esse grupo, aumentou de 39% para 46% o percentual dos que disseram não ter sentido diferença na renda, enquanto caiu de 24% para 21% a fatia dos que relataram aumento significativo dos rendimentos.

Para Felipe Nunes, os programas do governo continuam produzindo efeitos positivos, mas perderam parte do ganho político adicional que vinham gerando ao longo do tempo. Segundo ele, isso ajuda a explicar a estabilidade da aprovação de Lula, que permaneceu em 48%, e da desaprovação, em 47%.

Tarifaço

Outro fator citado pelo CEO da Genial/Quaest é a reação do governo ao novo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em maio, 39% avaliavam positivamente a resposta de Lula e 36% negativamente. Agora, 43% consideram que o governo reagiu mal às tarifas, enquanto 38% avaliam que respondeu bem.

Para Felipe Nunes, a mudança também afetou a disputa pelo discurso de defesa dos interesses nacionais. Em julho, Lula superava Flávio Bolsonaro por 51% a 34% nesse quesito. No levantamento atual, a diferença caiu para oito pontos percentuais, com 46% para o presidente e 38% para o senador.

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A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores, entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada sob o número BR-06591/2026.

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