PESQUISA

Por que pesquisas eleitorais mostram resultados tão diferentes

Metodologia, amostragem e momento da coleta explicam divergências entre levantamentos; entenda como cada instituto trabalha

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A divulgação de pesquisas eleitorais com resultados diferentes para os mesmos candidatos, por vezes no mesmo dia, gera uma dúvida comum entre os eleitores. Essa variação, no entanto, não significa que um levantamento está certo e o outro, errado. As divergências são explicadas por diferenças científicas na forma como cada instituto de pesquisa realiza seu trabalho.

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Fatores como a metodologia, o perfil do público entrevistado e, principalmente, o período da coleta de dados influenciam diretamente os números finais. Entender como cada um desses elementos funciona é fundamental para interpretar corretamente o cenário eleitoral apresentado pelas sondagens.

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O que explica a diferença entre as pesquisas eleitorais?

As diferenças nas pesquisas de intenção de voto nascem de três fatores principais: a metodologia aplicada, as características da amostra de entrevistados e o momento em que a coleta foi realizada. No Brasil, todas as pesquisas eleitorais divulgadas publicamente devem ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que garante transparência sobre quem contratou o levantamento, a metodologia e o questionário aplicado.

Como a metodologia de pesquisa impacta o resultado?

O método de abordagem do eleitor é um dos principais pontos que geram variações. Cada formato possui características que podem favorecer a captação de um perfil de eleitorado, alterando o cenário. Institutos renomados no Brasil utilizam diferentes abordagens:

  • Pesquisas presenciais (face a face): Entrevistadores aplicam os questionários pessoalmente, em domicílios ou em locais de grande circulação. É o método tradicional de institutos como Datafolha e Ipec (antigo Ibope), considerado mais abrangente por alcançar pessoas sem telefone fixo ou acesso limitado à internet.

  • Pesquisas por telefone: Realizadas por meio de ligações para números fixos e celulares, com entrevistador (CATI) ou de forma automatizada (URA). Institutos como a Quaest costumam combinar essa metodologia com outras abordagens para ampliar o alcance.

  • Pesquisas online: Os eleitores respondem a questionários pela internet, geralmente a partir de uma base de usuários cadastrados e calibrados por amostra. É o modelo principal de institutos como o AtlasIntel, que consegue um grande volume de respostas em pouco tempo, mas pode ter dificuldade em alcançar parcelas da população com menor inclusão digital.

Amostragem, margem de erro e nível de confiança

A amostragem é o recorte da população que será entrevistada. Os institutos definem cotas de sexo, idade, renda, escolaridade e região para que esse grupo represente o perfil do eleitorado brasileiro. Pequenas diferenças nos critérios de um instituto para outro podem levar a resultados distintos.

Já a margem de erro indica a variação máxima do resultado para mais ou para menos. Ela está associada a um nível de confiança, que geralmente é de 95%. Isso significa que, se a mesma pesquisa fosse repetida 100 vezes, em 95 delas o resultado estaria dentro da margem de erro. Por exemplo, se um candidato tem 30% e a margem é de 2 pontos, seu percentual real está entre 28% e 32%. O chamado empate técnico ocorre quando a diferença entre dois candidatos é menor que a soma de suas margens de erro.

A data da coleta importa?

Sim, e muito. Uma pesquisa de intenção de voto é um retrato do momento em que foi feita. Fatos políticos relevantes, como um debate, uma notícia de grande impacto ou uma nova propaganda eleitoral, podem alterar a percepção dos eleitores rapidamente. Por isso, levantamentos realizados em dias diferentes podem apresentar cenários completamente distintos.

E os agregadores de pesquisas?

Uma forma de ter uma visão mais ampla do cenário é acompanhar os agregadores de pesquisas. Essas plataformas reúnem os resultados de diversos institutos, calculam uma média ponderada e apresentam uma tendência mais estável, suavizando as variações pontuais de cada levantamento individual. Eles servem como uma ferramenta complementar de análise, mas não substituem a leitura detalhada de cada pesquisa.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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*Estagiária sob supervisão do editor João Renato Faria

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