O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, pediu nessa terça-feira (22/7) que representantes diplomáticos enviem "a maior quantidade de observadores possível" para acompanhar as eleições de outubro no Brasil.

Durante o evento Debatendo o Brasil, realizado em Brasília (DF), o parlamentar também repetiu uma informação falsa já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao afirmar que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem da empresa venezuelana Smartmatic.

A declaração foi feita diante de integrantes do corpo diplomático de 42 países, entre eles Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Israel, Austrália, Paraguai e representantes da União Europeia. Segundo Flávio, o pedido por observadores não representa desconfiança no sistema eleitoral brasileiro.

“O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes", disse.

No entanto, ao falar de documentos da CIA divulgados pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Flávio mencionou suspeitas sobre o processo eleitoral venezuelano e citou a empresa Smartmatic.

O senador afirmou que a companhia seria alvo de suspeitas de manipulação de eleições na Venezuela e acrescentou que "muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana". A fala do parlamentar já foi desmentida pelo TSE.

Segundo o órgão, a Smartmatic não fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras. O TSE informou que as urnas foram desenvolvidas por técnicos da Justiça Eleitoral e são fabricadas por empresas contratadas por meio de licitação pública, sem qualquer relação com a tecnologia utilizada pela empresa venezuelana.

O tribunal também esclareceu que a Smartmatic já firmou contratos com a Justiça Eleitoral apenas para prestação de serviços de conexão de dados e voz, sem participação na programação ou operação das urnas eletrônicas. A empresa chegou a disputar uma licitação para fabricar equipamentos destinados às eleições de 2020, mas foi derrotada na licitação.

Caso do pai

Durante o encontro, Flávio também mencionou a condenação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inicialmente afirmando, em inglês, que ele estaria preso (relembre a prisão de Bolsonaro abaixo) em razão da reunião com embaixadores realizada em 2022. Na sequência, corrigiu a fala e disse que Bolsonaro está inelegível por causa do episódio. O senador afirmou que o ex-presidente apenas manifestou preocupações sobre a transparência e a segurança do sistema eleitoral aos representantes estrangeiros.

A reunião citada ocorreu no Palácio da Alvorada, em julho de 2022, quando Jair Bolsonaro apresentou, sem provas, acusações contra o sistema eletrônico de votação brasileiro diante de embaixadores. Posteriormente, o TSE concluiu que o então presidente cometeu abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação ao utilizar a estrutura da Presidência da República e a transmissão da TV Brasil para disseminar informações falsas sobre o processo eleitoral. A Corte condenou Bolsonaro à inelegibilidade por oito anos.

Nota de Flávio

Após a repercussão das declarações, a assessoria de Flávio Bolsonaro divulgou nota afirmando que o senador não colocou em dúvida o processo eleitoral brasileiro.

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"O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro. O convite para a presença de observadores internacionais segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral", diz o texto.

Por que Bolsonaro está preso?

  • O STF condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.
  • A condenação foi pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.
  • A pena começou a ser cumprida em novembro de 2025.
  • Por motivos de saúde, o ex-presidente cumpre atualmente prisão domiciliar humanitária.
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