O senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira (3/6) ter feito “mais pelo Brasil em dois dias” do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “em três mandatos”. A declaração foi dada durante o 1º Fórum Abastece Brasil, realizado no Edifício Minas Bolsa, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com participação de produtores rurais, empresários, representantes de classe e varejistas.

A fala ocorreu em meio às críticas do senador à condução diplomática do governo brasileiro com os Estados Unidos ao comentar a investigação comercial conduzida pelo governo norte-americano contra o Brasil e a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

“Lula não está fazendo nada, ele está priorizando a eleição, está se lixando para o povo brasileiro. Agora esse é o problema que eu vou resolver. Eu sou pré-candidato e em dois dias fiz mais pela segurança pública pro povo brasileiro do que o Lula em 20 anos", disse.

Na semana passada, o senador esteve nos Estados Unidos para pedir ao presidente Donald Trump que classificasse facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Embora a decisão tenha sido anunciada após a visita, a medida já era esperada. Reportagem publicada pelo UOL no início de março apontava que a definição já havia sido acertada internamente.

Tarifas

Segundo Flávio, a possibilidade de novas tarifas norte-americanas sobre empresas brasileiras estaria relacionada ao comportamento do presidente brasileiro em relação ao governo dos Estados Unidos.

“Agora esse outro problema, será que eu vou ter que resolver também? O presidente da República não tem capacidade, não tem moral para sentar e conversar de igual para igual com o presidente dos Estados Unidos, para evitar que as empresas brasileiras sejam taxadas", completou.

Durante o discurso, o senador afirmou que o presidente da República deveria manter diálogo tanto com os Estados Unidos quanto com a China, priorizando interesses comerciais brasileiros. “O presidente da República tem que sentar com os Estados Unidos, tem que sentar com a China, tem que sentar com todo mundo pensando no que é melhor para o povo brasileiro”, disse.

Flávio também ressaltou ter enviado uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pedir que empresas brasileiras não fossem penalizadas com novas cobranças tarifárias.

Sobretaxa

O posicionamento ocorre após o governo dos Estados Unidos concluir, na segunda-feira (1º/6), uma investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado. O relatório aponta que práticas adotadas pelo governo brasileiro seriam “irrazoáveis” e “oneram ou restringem o comércio dos EUA”.

O documento propõe tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos brasileiros, embora as medidas ainda dependam de discussão nas próximas semanas. Entre os pontos questionados pelos norte-americanos estão políticas ligadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

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A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos, instrumento que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos do país.

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