A ofensiva do ex-governador Romeu Zema (Novo) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou reação também dentro do próprio partido, que teme impactos eleitorais para a legenda, que precisa superar a cláusula de barreira e ampliar sua representação no Congresso Nacional nas eleições deste ano. A avaliação de dirigentes da sigla é de que o tom dos ataques pode prejudicar diretamente o desempenho do Novo nas urnas e acabar favorecendo a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Zema, que após criticar o senador por suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que o assunto era “página virada”, voltou a fazer críticas quase diárias a Flávio em suas agendas de pré-campanha. Nesta semana, em São Paulo, chegou a dizer que a manutenção da candidatura do senador favorece a reeleição de Lula. As críticas de Zema a Flávio teriam sido, inclusive, tema de uma reunião virtual entre o ex-governador e dirigentes do partido.

A candidatura de Zema vinha sendo tratada internamente no Novo como uma possibilidade de ampliar a votação da legenda, que tem baixa representação no Congresso. Com a escalada das críticas a Flávio, aliados avaliam que o movimento pode produzir o efeito inverso, além de colocar em risco alianças entre o Novo e o bolsonarismo nos estados.

Para alguns integrantes do partido, o ex-governador deveria adotar uma postura mais cautelosa, semelhante à do também pré-candidato à Presidência, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que cobrou apuração dos fatos sem partir para ataques diretos contra Flávio.

Um dos dirigentes do Novo no Paraná, o advogado Jeffrey Chiquini, pré-candidato ao Senado pelo partido, afirmou, em nota publicada nas redes sociais que a estratégia de Zema “é exclusivamente dele e de sua equipe de marketing, e não do Partido Novo”.

Para ele, é “inadmissível” que um “pré-candidato à Presidência tome uma decisão individual que exponha todo o partido e prejudique integrantes da legenda que também disputarão as eleições deste ano”. Segundo Chiquini, as falas de Zema contra Flávio “prejudicam o partido e comprometem o objetivo maior, que é superar a cláusula de barreira”.

A crise também atinge as relações com o PL e ameaça alianças nos estados. Em Minas Gerais, uma composição entre o candidato apoiado por Zema ao governo estadual, o atual vice-governador Mateus Simões (PSD), e o PL foi totalmente descartada. Também deixou de ser considerada, segundo integrantes da legenda no estado, a possibilidade de Zema vir a ser candidato a vice-presidente em uma eventual chapa com Flávio, como chegou a ser cogitado anteriormente.

Alguns integrantes do PL passaram a defender, inclusive, o rompimento de alianças estaduais com o partido de Zema. Em Minas Gerais, o deputado estadual Sargento Rodrigues (PL) chamou o ex-governador de “traidor” e afirmou que ele tem adotado uma posição de confronto com aliados. “Nesse gesto de traição, precisamos estar fechados com Flávio Bolsonaro”, declarou o parlamentar em vídeo publicado nas redes sociais.

No Rio Grande do Sul, há preocupação de que a escalada das críticas de Zema a Flávio prejudique, por exemplo, a candidatura do deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS) ao Senado em uma eventual composição com o PL.Van Hattem é um dos maiores apoiadores do PL e do clã Bolsonaro dentro do Congresso Nacional. A reportagem tentou contato com o presidente do PL em Minas Gerais, Christian Laguna, mas não obteve retorno.

Reunião com investidores

Ontem, Zema voltou a criticar Flávio durante encontro com investidores promovido pela Genial Investimentos para um grupo de clientes. O ex-governador buscou se apresentar como uma alternativa para derrotar Lula e não descartou a possibilidade de se aliar ao presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado, quando questionado sobre uma eventual chapa entre os dois.

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No entanto, ressaltou que essas articulações devem ser definidas apenas próximo ao prazo final das convenções partidárias, em julho. Caiado também participou do evento e chegou a se encontrar com Zema.

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