Zema eleva tom contra Flávio e amplia desgaste com clã Bolsonaro
Ex-governador voltou a atacar candidatura do senador do PL à Presidência, e Carlos saiu em defesa do irmão: "Estou para conhecer sujeito mais baixo"
compartilhe
SIGA
O embate entre o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e a família Bolsonaro ganhou mais um capítulo ontem (24/5), com nova troca pública de ataques envolvendo o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL), um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A escalada ocorre após uma sequência de críticas do mineiro ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tendo como pano de fundo a relação do parlamentar com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, liquidado, ano passado, pelo Banco Central por irregularidades contra o sistema financeiro. Zema e Flávio são pré-candidatos à Presidência da República. Vorcaro está preso.
Os ataques de Carlos foram feitos logo após Zema voltar a criticar Flávio durante evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, ontem, em São Paulo, encontro que contou também com a presença do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). O mineiro associou o desgaste envolvendo o senador por causa de Vorcaro ao risco de uma nova derrota da direita para o PT nas eleições deste ano.
Leia Mais
“É muito preocupante. Se em 2022 já foi difícil para a direita, com esse escândalo agora fica muito mais ainda, porque em 2022 nós não tivemos nada que se assemelhasse a isso. Então, eu fico muito preocupado em que nós estejamos entregando para a esquerda, mais uma vez, essa eleição. E essas últimas pesquisas demonstraram que quem está votando no Flávio, muito provavelmente, vai estar entregando a eleição para o Lula”, afirmou Zema, se referindo à candidatura do petista à reeleição.
Em publicação ontem na rede X, Carlos Bolsonaro reagiu diretamente às declarações do mineiro e elevou o tom contra o ex-governador, chamado por ele de "baixo". “Estou para conhecer sujeito mais baixo que esse”, escreveu. Segundo ele, houve uma tentativa de reaproximação com Zema por parte da família, mas, de acordo com o ex-vereador, “na primeira oportunidade vem mais uma facada”. Carlos também sugeriu uma atuação coordenada de aliados do ex-governador contra seu irmão:
“E não me venham falar que isto é pontual, pois não é. O que seus satélites fazem são facilmente identificados quando rapidamente pesquisados, seja por inércia, seja por ação direta. Analisem e tirem vocês suas conclusões. Tudo tem muita permissão e casca de palmeira. Este sujeito está cada dia fazendo a chance de seu partido se desintegrar de forma brutal”.
Áudios
O conflito começou após as revelações sobre a relação entre Flávio e Vorcaro. Mensagens e áudios vazados indicaram que o senador manteve interlocução direta com o banqueiro, incluindo trocas de mensagens e gravações nas quais solicita recursos para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em um dos trechos divulgados, o parlamentar pede apoio financeiro para viabilizar a produção. Inicialmente, Flávio minimizou a proximidade, mas depois admitiu o contato, afirmando que se tratava de uma tentativa de obter patrocínio privado e negando irregularidades. Além das conversas, o senador confirmou que se encontrou com Vorcaro, inclusive após o banqueiro se tornar alvo de investigações por fraudes no sistema financeiro. Segundo ele, a reunião teve como objetivo encerrar tratativas relacionadas ao investimento no filme.
Zema passou a explorar o tema em suas redes sociais e também em entrevistas, fazendo ataques diretos ao adversário na corrida presidencial. Poucas horas após o vazamento das conversas entre Flávio e Vorcaro, Zema classificou a relação entre os dois como “um tapa na cara dos brasileiros de bem” e disse estar “decepcionado” com a postura de Flávio. Também afirmou que o episódio revela incoerência entre o discurso e a prática, ao sustentar que pedir recursos a um banqueiro sob investigação não difere de práticas historicamente criticadas pela direita em adversários políticos.
Após a repercussão de sua fala, o ex-governador chegou a recuar parcialmente durante encontro do Novo, em Belo Horizonte, e tratou o tema como “página virada”, além de alegar que a direita estará junta no segundo turno das eleições, independentemente de quem seja o candidato. No entanto, voltou a subir o tom nos dias seguintes, associando o episódio ao risco de derrota para Lula após pesquisas revelarem impacto da crise na intenção de votos de Flávio.
Zema também foi alvo de ataques do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está morando nos Estados Unidos após perder o mandato na Câmara dos Deputados em função de sua mudança de país. Em resposta às críticas de Zema ao seu irmão, Eduardo divulgou uma doação de R$ 1 milhão feita pelo pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, ao diretório do Novo em Minas Gerais nas eleições de 2022, quando Zema disputou a reeleição. Henrique Vorcaro também está preso.
Carlos já havia feito outro ataque a Zema por causa das críticas do ex-governador às relações de Flávio com Vorcaro. Também no X, ele chamou o ex-governador de “engolidor de casca de banana” e insinuou que ele age por conveniência política.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Moderado
No mesmo evento de ontem, Caiado, também pré-candidato a presidente, adotou tom mais moderado ao comentar o caso envolvendo o senador e o banqueiro. Disse que as justificativas apresentadas até o momento por Flávio “não foram convincentes”, mas evitou fazer, segundo ele, "juízo de valor" e afirmou que a avaliação caberá ao eleitor. Questionado sobre a possibilidade de compor chapa com Michelle Bolsonaro (PL-DF), caso a candidatura de Flávio enfraqueça, Caiado disse não ter sido procurado e reiterou que, até agora, o senador segue como o nome do partido para a disputa.