O advogado José Luis Oliveira Lima deixou a defesa do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de fraudes na instituição financeira.

A informação foi publicada inicialmente pelo blog da Andréia Sadi, no G1, que afirmou que a decisão foi feita em "comum acordo". O Estado de Minas tenta contato com José Luis para mais detalhes sobre o abandono da defesa e aguarda retorno.

O movimento se faz em meio a tratativas de delação premiada. Ainda nesta semana, a PF rejeitou uma proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro, sob a justificativa de que as informações fornecidas não foram suficientes para justificar um acordo de colaboração no âmbito das investigações sobre fraudes envolvendo a instituição financeira.

Investigadores envolvidos no caso entenderam que os relatos entregues não tinham elementos relevantes e não trouxeram avanços para além do que já havia sido investigado. 

Além disso, argumentaram que Vorcaro não teria cumprido os “requisitos de boa-fé” previstos para acordo de delação premiada. A avaliação é que ele buscou justificar os próprios crimes, violando a exigência do acordo de colaboração, que obriga a confissão integral de todos os ilícitos praticados ou conhecidos.

Outro ponto de resistência foi a proposta do empresário da devolução de R$ 40 bilhões ao longo de 10 anos. Após a negativa, Vorcaro aceitou subir o valor para R$ 60 bilhões, segundo interlocutores que acompanham o caso.

Formalmente, o ex-banqueiro ainda pode apresentar novos fatos à própria PF ou tentar negociar diretamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR), na tentativa de viabilizar um acordo.

Prisão

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar para uma viagem ao exterior no Aeroporto de Guarulhos, no estado de São Paulo, durante primeira fase da Operação Compliance Zero. Para a PF, ele tentava fugir do país. No entanto, o empresário sustenta que ele faria uma viagem para se reunir com investidores interessados na compra do Banco Master.

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O ex-banqueiro foi solto em 28 de novembro, mas voltou a ser preso em 4 de março de 2026, em nova fase da Operação. Atualmente, está detido na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.

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