O orçamento previsto para o filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), supera o custo de produção de parte significativa dos vencedores do Oscar de melhor filme nas últimas duas décadas. A comparação chamou atenção após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) afirmar que os R$ 134 milhões estimados para o longa são “até baratos” para os padrões de Hollywood.

A declaração foi dada em entrevista ao programa de Paulo Figueiredo, nesse domingo (17/5), dias após o portal The Intercept Brasil divulgar áudio em que o senador Flávio Bolsonaro cobra do banqueiro Daniel Vorcaro recursos destinados ao financiamento da produção.

“É um filme que, para quem não conhece, vai pensar que é super caro. Não. Para os padrões de Hollywood, não”, afirmou Eduardo. Segundo ele, o valor inicialmente previsto para o projeto sequer teria sido integralmente captado.

O orçamento estimado para Dark Horse, de US$ 24 milhões, equivale a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época e coloca o longa acima de produções premiadas internacionalmente. Entre os vencedores do Oscar mais baratos estão “Moonlight: Sob a Luz do Luar” (US$ 4 milhões), “Nomadland” (US$ 5 milhões), “Anora” (US$ 6 milhões), “Parasita” (US$ 11,4 milhões) e “O Discurso do Rei” (US$ 15 milhões).

Também ficaram abaixo da cifra atribuída ao filme sobre Bolsonaro produções como “Birdman” (US$ 18 milhões), “A Forma da Água” (US$ 19,5 milhões), “Spotlight” (US$ 20 milhões) e “Green Book” (US$ 23 milhões). Na prática, o valor seria suficiente para produzir 15 dos últimos 20 vencedores do Oscar de melhor filme.

Entre os vencedores da premiação com custo superior ao de Dark Horse aparecem produções de grande escala, como “Oppenheimer” (US$ 100 milhões), “Os Infiltrados” (US$ 90 milhões) e “Uma Batalha Após a Outra” (US$ 130 milhões).

Ao defender o orçamento, Eduardo Bolsonaro citou o envolvimento do diretor americano Cyrus Nowrasteh e do ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Jair Bolsonaro. “Você não faz um filme de 50 mil dólares com o Jim Caviezel”, afirmou, em referência ao ator conhecido por trabalhos como A Paixão de Cristo.

Segundo reportagem publicada pelo The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro teria solicitado US$ 24 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master. Segundo a jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo, cerca de R$ 62 milhões teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025, antes da suspensão dos pagamentos em meio à crise envolvendo a instituição financeira.

Documentos divulgados pelo portal também apontam que Eduardo Bolsonaro assinou contrato como produtor-executivo do filme. O ex-deputado, no entanto, afirmou que o acordo era “provisório e velho” e negou ter mantido contato com Vorcaro.

O áudio divulgado pelo The Intercept mostra Flávio cobrando o pagamento integral do financiamento e afirmando que estaria “sempre” ao lado do banqueiro. Inicialmente, o senador negou a existência da gravação, mas depois confirmou ter buscado patrocínio privado para a produção.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

“Foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, declarou Flávio.

compartilhe