O deputado federal Mário Frias (PL-SP) reconheceu, nessa quinta-feira (14/5), que a cinebiografia “Dark Horse”, inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), contou com recursos vinculados ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A declaração marca uma mudança no discurso adotado anteriormente pelo parlamentar, que havia negado qualquer participação financeira do banqueiro no projeto.

Em nota enviada à imprensa, Frias afirmou que não houve contradição em suas manifestações públicas, mas uma “diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”.

"Quando afirmei anteriormente que não há 'um centavo do Master' no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta", disse. A Entre Investimentos e Participações mantinha parceria com outros empreendimentos ligados a Vorcaro.

A nova versão apresentada por Frias ocorre após declarações divergentes entre os envolvidos sobre o financiamento do longa. Na quarta-feira (13/5), a produtora Goup Entertainment afirmou “categoricamente” que nenhum dos investidores da obra tinha relação com Vorcaro, o Banco Master ou empresas sob controle do empresário.

No mesmo dia, o deputado, que atua como produtor executivo do filme e foi secretário especial de Cultura durante o governo Bolsonaro, reforçou o posicionamento nas redes sociais.

"Como já esclareceu a produtora GOUP Entertainment, não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco", escreveu o parlamentar em nota publicada em seu perfil no X (antigo Twitter).

Já o senador Flávio Bolsonaro também reconheceu a existência de patrocínio privado para a produção. Primeiro em nota e, depois, após reunião com integrantes da pré-campanha, afirmou que buscou apoio financeiro para viabilizar o filme sobre o pai. “O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, pontuou.

Segundo Flávio, ele conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando, de acordo com o senador, ainda não havia suspeitas públicas envolvendo o banqueiro. O parlamentar acrescentou que voltou a procurá-lo após atrasos no pagamento de parcelas destinadas à conclusão da obra.

Leia a primeira nota de Frias:

“Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, sobre a trajetória do presidente Jair Bolsonaro, esclareço:

1. O senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora. Seu papel limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar um projeto desse porte — o que é legítimo, esperado e não configura, em si, nada além do óbvio.

2. Como já esclareceu a produtora GOUP Entertainment, não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco.

3. Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional — com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI. O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido.

4. Desde o anúncio do projeto, Dark Horse vem sendo alvo reiterado de ataques direcionados não apenas à produção do filme, mas também à sua própria viabilidade e futura exibição. Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas. Ainda assim, o projeto segue firme, estruturado e respaldado por profissionais experientes da indústria cinematográfica internacional.

5. Por fim, um lembrete pessoal: geri bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura e saí do governo com as mãos limpas. Quem não se enriqueceu com bilhões certamente não iria se sujar pelos R$ 2 milhões que a imprensa agora tenta atribuir.

Deputado Federal Mário Frias, produtor executivo".

Leia a segunda nota de Frias:

"Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, esclareço que não há contradição material entre os posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento.

Quando afirmei anteriormente que não há “um centavo do Master” no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta.

Reitero que o senador Flávio Bolsonaro e o Deputado Eduardo Bolsonaro não têm sociedade no filme nem na produtora ou com qualquer outra estrutura ligada ao filme, tendo apenas autorizado o uso de direitos de imagem da família. Também reafirmo que todo o dinheiro captado foi utilizado exclusivamente na produção do filme Dark Horse, projeto realizado com capital privado e sem qualquer recurso público.

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Deputado Federal Mário Frias. Produtor Executivo"

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