O senador Jorge Seif (PL-SC) respondeu às críticas feitas pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e elevou o tom do embate entre os dois parlamentares sobre a articulação que resultou na convocação de sessão do Congresso Nacional para analisar o veto ao projeto da dosimetria. Em mensagem enviada ao mesmo grupo de WhatsApp da oposição, Seif cobrou que o colega repita as ofensas “olho no olho”.

“Nikolas, nunca te desrespeitei. Nunca te ofendi. Nunca. Mas homem que é homem chama o outro de vagabundo olho no olho. Não é no grupão. Te aguardo. Pode vir”, escreveu o senador.

Na sequência, Seif voltou a defender que a inclusão da análise do veto na pauta do Congresso só foi possível a partir de articulação política nos bastidores do Senado, baseada em acordo para votação com pauta única por parte da oposição.

Segundo ele, além de apresentar requerimentos, houve atuação direta na construção de apoio entre parlamentares. “Não só colhi as assinaturas como convenci 32 senadores, um a um, até esquerdistas e centrão”, disse.

O senador também reagiu às críticas de Nikolas sobre tentativa de protagonismo e negou agir por vaidade. “Não desmereça meu trabalho. Foi certeiro conciso e funcional. Aqui, todos sabem que egolatria e vaidade abundam de sua parte. Não da minha. Sou low profile. Tenho 1/2 dúzia de seguidores. Mas sequestrar meus esforços não vou permitir tampouco aceitar. A verdade dos fatos está te incomodando”, escreveu.

Seif ainda sugeriu que o deputado questione o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre o que teria motivado a inclusão da matéria na pauta. “Pergunte ao Davi o que o demoveu. Se seus vídeos ou meu acordo com ele em concordância com a oposição do Senado. Reitero cada palavra minha do Twitter. A verdade dói, eu sei, mas tem que ser dita”, afirmou.

Ao final da mensagem, o senador reiterou o desafio ao parlamentar mineiro: “Te aguardo pra me chamar de vagabundo frente a frente”.

Entenda o embate

Anteriormente, Nikolas havia criticado e xingado o senador Jorge Seif por divergências sobre a articulação que levou à convocação da sessão do Congresso Nacional. Nikolas chegou a chamar o colega de “vagabundo”.

A reação ocorreu depois de Seif publicar, na rede social X (antigo Twitter), que preferia a articulação política nos bastidores do que a pressão exercida nas redes sociais. No texto, o senador afirmou que a mobilização virtual “é ótima para like e monetização”, mas “não é efetiva”.

Na mesma publicação, Seif citou exemplos para sustentar o argumento, mencionando que, caso a pressão digital fosse suficiente, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes “não era mais ministro”, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “estaria solto” e o ministro Flávio Dino “teria sido reprovado”. Para o senador, “política que funciona ainda é no bastidor, no diálogo e no compromisso”.

“Pressão de internet é ótima pra like e monetização. Mas não é efetiva. Se funcionasse, Moraes não era mais ministro, Bolsonaro estaria solto, Flávio Dino teria sido reprovado e teríamos anistia hoje. Política que funciona ainda é no bastidor, no dialogo e no compromisso", pontuou.

A declaração foi interpretada por Nikolas como uma crítica indireta à mobilização promovida por parlamentares e apoiadores nas redes sociais, especialmente em relação aos familiares dos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes. Em resposta, o deputado mineiro acusou Seif de desmerecer o esforço coletivo.

“Tem que ser muito vagabundo pra vir desmerecer o trabalho das pessoas. Por que na hora de colar na caminhada amou, né? Daí o like não tem problema nenhum”, escreveu Nikolas, em referência à caminhada de seis dias em que bolsonaristas percorreram cerca de 240 quilômetros a pé, desde Paracatu (MG), no Noroeste do estado, até Brasília, em janeiro deste ano.

Na sequência, Nikolas minimizou a disputa por protagonismo na articulação que levou à inclusão da matéria na pauta, mas criticou o que classificou como tentativa de atribuição individual de mérito por parte do senador.

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“Estou me lixando para quem é o responsável por pautar a dosimetria. O importante é que foi pautado. O mais bizarro é ver, além do mau caratismo dessa frase, querer provar que foi o único responsável por isso”, afirmou.

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