A permanência do ministro Alexandre Silveira (PSD) no comando do Ministério de Minas e Energia começa a produzir efeitos políticos que vão além da Esplanada e atingem diretamente o tabuleiro eleitoral de Minas Gerais em 2026. Nos bastidores, o gesto é lido por aliados como um sinal indireto de que o senador Rodrigo Pacheco (PSD) caminha para aceitar a candidatura ao governo do estado com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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A leitura é simples, ainda que não declarada publicamente. Ao retirar seu nome da disputa ao Senado, Silveira desocupa um espaço estratégico na chapa governista e reduz potenciais pontos de atrito interno. A decisão também reforça a percepção de que, mesmo mantendo uma convivência institucional, ele e Pacheco operam em campos distintos dentro do mesmo projeto político. A relação é descrita por interlocutores como protocolar, sem alinhamento efetivo.
O movimento ocorre em paralelo à iminente filiação de Pacheco ao PSB, legenda do vice-presidente Geraldo Alckmin, dentro da janela partidária que se encerra nesta semana. Apesar da mudança de partido, o senador ainda evita oficializar uma candidatura e segue medindo a viabilidade eleitoral antes de qualquer anúncio.
No entorno do Palácio do Planalto, Pacheco é tratado como principal aposta de Lula para Minas Gerais. A equação, no entanto, exige acomodação de forças. Com o MDB já comprometido com a pré-candidatura de Gabriel Azevedo e o União Brasil atravessando divisões internas, a construção de uma frente ampla depende mais de articulações nacionais do que locais.
Cenário reorganizado
A saída de Silveira do radar eleitoral reorganiza esse cenário. Considerado um nome competitivo para o Senado, o ministro agora tende a cumprir dois papéis: permanecer como operador político do governo federal em Minas e, eventualmente, assumir a coordenação da campanha presidencial no estado.
A decisão foi confirmada publicamente pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, que afirmou que o ministro optou por permanecer no governo para ajudar na reta final do mandato. O próprio Silveira reforçou a sinalização ao dizer que não pretende deixar o PSD nem disputar cargo em 2026, indicando que uma eventual mudança partidária só ocorreria em cenário de candidatura, hoje descartado.
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Com isso, ganha força a montagem de uma chapa que teria Pacheco ao governo e a prefeita de Contagem, Marília Campos, como principal nome ao Senado. Nos bastidores, também circula a possibilidade de composição com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT).
