A reorganização do tabuleiro político em Minas Gerais para 2026 começa a expor um movimento silencioso entre partidos de centro. Diante da demora do senador Rodrigo Pacheco (PSD) em definir se disputará o governo do estado, dirigentes já articulam estratégias que vão além da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O impasse tem impacto direto na montagem das chapas proporcionais e na reorganização das forças políticas no estado.

Nos bastidores, lideranças admitem que a formação de chapas para deputado estadual e federal se tornou um dos principais problemas do momento. Sem um nome competitivo que organize o campo de centro, partidos enfrentam dificuldade para atrair candidatos viáveis. Ao mesmo tempo, a competição interna dentro das próprias legendas enfraquece caciques tradicionais, que já não conseguem garantir espaço político para seus grupos.

Foi nesse cenário que surgiu uma articulação conduzida pelo ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte e candidato ao governo mineiro, Gabriel Azevedo (MDB). A proposta discutida entre dirigentes prevê envolver Rodrigo Pacheco na construção das chapas de partidos como MDB, PSDB e PSB. Gabriel ficaria responsável por organizar os nomes, enquanto o senador utilizaria seu capital político para ligar para lideranças e convencer candidatos a entrar nas chapas.

A estratégia, porém, levanta uma dúvida entre aliados: se Pacheco for o responsável por montar as chapas, a lealdade desses candidatos será com os partidos ou com o próprio senador?

A indefinição sobre o futuro político do presidente do Senado alimenta duas versões distintas nos bastidores. Aliados afirmam que Pacheco pretende disputar o governo de Minas, mas aguarda a janela partidária, em 4 de abril, para anunciar qualquer decisão. A avaliação é de que antecipar o movimento poderia comprometer a construção política.

Outro grupo, porém, relata que o senador tem dito a interlocutores próximos que não tem vontade de disputar o Palácio Tiradentes. A hesitação alimenta leituras opostas. Para aliados, trata-se de cautela estratégica. Para críticos, o senador estaria perdendo espaço, enquanto o tabuleiro mineiro se reorganiza.

Independentemente da decisão de Pacheco, outros dois nomes são apontados como peças centrais na montagem de chapas em Minas: Aécio Neves (PSDB) e o dirigente do PSB no estado, Otacílio Miranda, o Otacilinho. Os três são citados em conversas sobre uma possível frente de centro no estado, ideia que também passa pelas articulações de Gabriel Azevedo.

A nova casa

O futuro partidário de Pacheco também faz parte do cálculo político. Entre aliados, o União Brasil aparece como destino provável caso o senador deixe o PSD. Há, no entanto, relatos de que ele teria manifestado resistência à legenda por causa de episódios envolvendo o Banco Master e disputas internas.

Uma eventual filiação ao União Brasil poderia desencadear outro movimento. Nos bastidores, existe a hipótese de que o vice-governador Mateus Simões migraria para o PP, partido que integra a federação com o União Brasil. Nesse cenário, a federação poderia priorizar o grupo que atualmente controla o governo estadual, deixando Pacheco isolado dentro da própria estrutura.

Flávio deve ser Cleitinho

Enquanto o centro tenta se organizar, a direita também vive suas próprias disputas. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece nos bastidores como nome forte para disputar o governo. Uma das hipóteses discutidas envolve uma chapa com apoio do PL e eventual presença do empresário Flávio Roscoe.

Caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) apoie Cleitinho em Minas, aliados avaliam que o voto bolsonarista tende a se concentrar no senador mineiro, criando um palanque estadual para a candidatura presidencial. Sem esse apoio, o vice-governador Mateus Simões ainda poderia manter uma candidatura, mas com menor competitividade.

Lula pode ficar sem palanque?

No campo do governo federal, um dos efeitos possíveis desse rearranjo seria a ausência de um palanque forte para Lula em Minas. Nesse cenário, o presidente poderia contar com a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), como candidata ao Senado, enquanto o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), atuaria na coordenação política da campanha no estado.

Ainda assim, aliados lembram que Minas tem histórico de voto dividido entre disputas estaduais e presidenciais. Em 2018, Jair Bolsonaro venceu a eleição presidencial no estado mesmo sem um palanque local consolidado para o governo.

Terceira hipótese

Uma terceira hipótese que circula entre dirigentes partidários prevê um cenário ainda mais improvável: caso Pacheco lidere a construção de uma frente de centro, Minas poderia ter Lula e Aécio Neves no mesmo palanque. Interlocutores do senador afirmam que isso não seria considerado um problema, com cada liderança atuando em regiões diferentes do estado.

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Enquanto a definição não vem, o movimento mais concreto ocorre dentro do PSD. Deputados e lideranças regionais avaliam deixar o partido diante da incerteza sobre o futuro político de Pacheco. O objetivo é garantir espaço em chapas competitivas antes que o cenário eleitoral se consolide.

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